segunda-feira, 27 de agosto de 2018

deus no coração e o diabo no quadril


Eu não sabia que o Carnaval na Bahia era tudo o que eu queria até poucas semanas antes de ir. Nunca tinha considerado viajar nessa época, ir atrás de todos os trios elétricos possíveis, criar metas mentais de coisas que eu gostaria de comer quando pusesse o pé na rua. A verdade é que quando eu era muito pequena cantava sem parar "A cor dessa cidade" e dizia que a música era da Daniela Melculi, porque ainda não me saíam bem os "r". Ser criança nos anos 90 era ter de cor e salteado todas as músicas do "É o Tchan!" na cabeça, tentando adivinhar o próximo destino improvável do grupo, e ver propagandas de televisão reproduzindo o tal do axé music adoidado. Ter nascido nos anos 90 também me introduziu desde cedo o clipe do Michael Jackson no Pelourinho e me fez acordar na Copa do Mundo de 2002 na hora em que o Olodum começava a tocar o Hino Nacional. O Carnaval da Bahia era só o condensamento de alguma coisa que eu sempre vivi. Porque eu podia imaginar que ia ver Daniela e Olodum em algum dos circuitos, que ia me emocionar com a saída do Ilê Aiyê na ladeira do Curuzu. Mas eu não sabia que nas duas primeiras noites eu estaria de repente tão perto de Caetano Veloso (no trio de BaianaSystem e depois no trio do Cortejo Afro) e que quando menos esperasse ia olhar pra cima e ver Pepeu Gomes, todo de preto, no sol de verão da Bahia, desligando a guitarra. De repente eu me dei conta de que a Bahia era o sinônimo de música pra mim, porque mesmo quando me meti a ouvir rock na adolescência, Pitty e Raul Seixas não eram alienígenas no mp3 player de 256mb.





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