quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

a atual vida na internet

Interessar-me sobre internet sempre foi, de algum modo, interessar-me sobre mim mesma e os lugares que frequento. Há tempos digo isso por aqui, mas não faz muito que isso se tornou central na minha vida. De ser como que forçada a pensar sobre tudo isso que está aqui; antes era só um hobby, um interesse descompromissado. Desde então, algumas coisas mudaram. Eu já não coloco mais vaporwave para tocar quando abro aplicativos de paquera (eu, na verdade, nem tenho mais aberto aplicativos de paquera) e desenvolvo novas obsessões (o que talvez fale muito sobre meu fracasso nos aplicativos de paquera). Esse post é para dividir com os conterrâneos internautas (sempre intrigante como essa palavra algum dia disse respeito a um grupo restrito e hoje pode dar conta de um sem número de pessoas no mundo) coisas e caminhos que tem me conquistado nos protocolos http da vida.

Mais ou menos na mesma época em que internet virou trabalho para mim, eu comecei um mestrado em Sociologia da Cultura. Não à toa a última mensagem que recebi da minha avó semana passada no WhatsApp dizia algo como "você só estuda, hein?". Acontece que eu precisava dar conta das leituras de duas disciplinas e de um ou outro artigo por aí. Foi quando num lanche da tarde Rafael me apresentou ao RefME e fez-se luz. Você baixa o aplicativo ou cria uma conta na versão web e investiga um pouco qual é a melhor forma para se organizar e depois você guarda suas citações ali e depois você chora no fim do semestre porque aquele livro ótimo que pegou na biblioteca está emprestado para outra pessoa mas você foi esperto o bastante para salvar tuas partes favoritas num banco de dados qualquer.


Como até eu tenho limites espaço-temporais e minha força de trabalho não é autorrenovável, saí da Capitolina nesses últimos tempos. Todo mundo sabe que eu fui muito feliz participando desse projeto, que trouxe um grau de satisfação pessoal e coletiva que até então eu nunca tinha sentido. Entre 2014 e 2016, eu pude ser muito para fora ali e ao mesmo tempo enxergar um pra dentro que nem sabia bem que existia. Não direi palavras de gratidão pois acho cafona, mas que sou grata pelas pessoas que surgiram dali e que surgiram sobretudo por conta da vida virtual que levamos é inegável. O passo seguinte é contar que talvez tenha sido uma escolha para mim, nesse momento, ser uma pessoa que lê mais do que escreve. Que tem mais o que aprender do que ensinar. Nesse momento. Não sei até quando. Mas nesse momento. E, aqui, entram as publicações virtuais que tem ganhado minha atenção:
  • Eye on Design: porque às vezes eu só quero ver umas imagens bonitas e às vezes quero ver imagem bonita e também pensar sobre forma, uso, consumo.
Por fim, eu, na minha vibe de me analisar com frequência, percebi que sou a louca das linguagens. Não que eu mande bem, mas é uma parada que me interessa quase que em si. Minha pesquisa é em artes visuais (linguagem), tenho estado muito ligada ao cinema (linguagem), tô tentando descobrir se dá pra aprender alemão ou francês sozinha (linguagens e ideias estúpidas que tenho), e quando tô muito cansada de textos, tento entender códigos de programação (linguagem). Outro dia ainda pensei que eu devia aprender algo de música (linguagem) pois sou analfabeta nisso, mas me dei um tapa na cara e acordei para a realidade. No fundo, muito nos surpreende que minhas olheiras não ocupam ainda cem porcento do meu rosto.


gif feito no Piskel

Um comentário:

  1. Me identifiquei muito com a sua "loucura" por linguagens, também sou assim, em casa, ninguém entende a minha vontade de querer aprender um monte de coisas, tipo programação...
    jessicalorena.com

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