quarta-feira, 14 de setembro de 2016

o infinito possível


Eram minhas últimas férias da escola. Meu tio me chamou para acampar na serra, lugar que só poderíamos conhecer na alta temporada se dormíssemos em barracas à margem de um córrego. Ao contrário do verão, quando acampamos por uma semana em uma barraca que parecia uma cabana, em que emulamos uma cozinha, uma sala, um quarto para cada um, dessa vez cada qual ficou em seu iglu. A imagem do iglu não é à toa. Na primeira noite, esquecemos de colocar isolamento térmico no chão e, ao que me consta, nenhum dos dois conseguiu dormir (ele me perguntou inúmeras vezes no dia seguinte se eu tinha conseguido e, constrangida de falar a verdade - que eu cheguei a colocar todas as minhas meias e entrei na própria mochila para ver se aliviava -, disse que dormi, sim, até muito bem).


Naquela primeira noite, fomos para a cidade jantar e, na volta, acompanhávamos a brusca queda de 10ºC na temperatura. Eu era menor de idade e, mesmo que pudesse, eu não tinha ânimo algum para a noitada (pouco mudou). Ele pegou uma estrada e lembro de pararmos perto de um lago. Muito pouco se via, na ausência de iluminação na rota. Subimos a serra. Lá em cima, lembro de termos saído do carro e de ficarmos parados olhando para um suposto nada. Lembro que ele me disse que a gente precisa olhar pro infinito, que isso faz bem pros olhos. Ele disse que em São Paulo não dá pra fazer isso, que em São Paulo tudo tá perto demais. Sempre que viajo, então, tento olhar pro infinito.



Só que nessas férias, tirando uma passagem rápida pelo interior, não viajei. Peguei então meu último dia de folga e fui ao topo do Edifício Martinelli. Uma mirada pelo amontoado de prédios criando um horizonte que liberta dos sufocamentos cotidianos. A busca do infinito possível em meio a tanta imediatez.



5 comentários:

  1. Não conheço São Paulo.
    Mas gostei muito das suas fotos. ♥

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  2. Lindas fotos, Babi! Pra subir no Martinelli é sussa?

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  3. eu concordo que olhar pro infinito faz bem pros olhos, aqui em SP eu sinto falta disso as vezes. mas mesmo com esse amontoado de prédios, essa vista de SP lá da cobertura do martinelli também é maravilhosa, faz o coração de quem ama sp bater mais forte ♥ amei as fotos!

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  4. Eu fui pro Martinelli esses dias também. Achei o prédio baixo, mas tirei as mesmas fotos que você. Vou roubar essa frase "Em São Paulo, tudo é perto demais" e mesmo assim parece tudo tão longe, tão impossível.

    Adorei esse post. As lembranças do campo, de um lugar tão ermo, contrastadas com as fotos de uma cidade tão grande. Faz tudo parecer próximo e desolador.

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