sexta-feira, 27 de maio de 2016

para além do tubo

Que muitos de nós já não consomem televisão como um dia as pessoas consumiram não é exatamente uma novidade. A discussão é até mais ampla e passa por como consumimos produtos audiovisuais em geral. Streamings, transmissões online, torrents são formas de assistir a coisas que escapam do velho tubo. Só que no meio disso tudo, eu às vezes acho complicado achar coisas que eu realmente queira ver. Fiz então uma pequena lista de vídeos ótimos que consegui ver online, a maior parte por indicação de amigos.




Esse viver ninguém me tira é um documentário produzido por Caco Ciocler sobre Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa. Além de contar sobre o amor de Aracy e do escritor João Guimarães Rosa (que dedicou seu único romance a ela), o filme investiga a ajuda que a ex-funcionária do consulado brasileiro na Alemanha deu a judeus para fugir do nazismo. O meu carinho especial vem do uso do acervo pessoal de Aracy Guimarães Rosa que pertence atualmente ao Instituto de Estudos Brasileiros da USP.



Eu lembrei muito desse filme que vi no centro cultural Awawa de Iruya, na Argentina, quando do desastre ambiental em Mariana. Río arriba é um documentário sobre questões importantes daquele território. A questão dos povos originários, a chegada das mineradoras e da transformação do solo pelo uso alterado da agricultura (que de subsistência torna-se commodities), até chegar a destruição causada pelo rio.





Matilde Campilho é talvez a poeta portuguesa mais conhecida hoje em dia. Ou talvez seja minha sensação de que ela está em muitos lugares ao mesmo tempo, porque alguns amigos meus vivem a falar de seus textos. Fevereiro é o poema que já me mandaram umas três vezes, em contextos diferentes. E essa junção de poema com imagens diversas é mesmo bem bonita. Como bônus, ainda recebi de Vinícius num domingo desses, o link do programa de rádio que Matilde tem em Portugal e que me fez confirmar a sensação de que além-mar eles amam nossas bossas.

"Então, acho que o amor quando aparece é em tudo semelhante à forma física do mercúrio no mundo. Quando o vidro do termômetro se quebra, o elemento químico se espalha e então ele fica se dividindo pelos salões de todas as festas. Mercúrio se multiplicando. Acho que deve ser isso uma das cinco mil explicações possíveis para o amor."


Eu realmente acho que estudei anos de História da Arte para chegar neste momento final em que 3'28" de um videoclipe de uma dupla espanhola chamada Las Bistecs resume do Renascimento a Dona Cecília a arte ocidental. Esses tempos elas lançaram outro clipe, também ótimo, chamado Señoras bien. E no Soundcloud dá pra ouvir outras preciosidades tipo "tumblr o blog?".




Watch this on The Scene.

Stella McCartney entrevistando a Grimes para a Teen Vogue na verdade é uma desculpa para eu incluir essa cantora por aqui. Eu acho que fiquei fascinada com Claire Elise Boucher quando percebi que ela podia descolorir e tingir o cabelo de um jeito ainda mais estranho do que eu tinha feito. Logo depois ela lançou um novo álbum, Art Angels. Vale a pena ver pelo menos um (ou inclusive todos) dos clipes dessa nova safra: California, Kill V. Maim e Flesh Without Blood/Life in Vivid Dream


Na época do colégio, eu costumava frequentar o Porta Curtas, naquela faixa etária em que é comum a pessoa assistir a Ilha das Flores do Jorge Furtado (não à toa, o vídeo mais acessado no site). Mas há poucas semanas descobri um novo site de conteúdos audiovisuais, o Afroflix, para produções que contam com pelo menos uma pessoa negra na equipe técnica ou artística. Outro lançamento dos últimos tempos foi uma newsletter minha com Seane e Lucas sobre nossas vidas e as séries que acompanhamos. Já estamos no terceiro capítulo e, pra se increver, é só preencher com o e-mail e receber o No episódio anterior na caixa de entrada.

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