domingo, 4 de outubro de 2015

amor morre soterrado

primeiro essas companhias,
esse querê-los por perto
ser querida junto
depois esse ver-me por dentro
entender por quês
construir o quês
esses dedos que agora caminham
passeiam por meu corpo e
dizem te quero e faz tempo
e me arrepiam de algo
que é como medo
mas também é outra coisa
esses dedos escrevem na minha pele
quando deito de bruços
e me ensinam que 
amor morre soterrado
primeiro por querer e ser querida
perto e todo tempo
muito perto e por muito tempo
tanto que sufoco
desvio dos dedos que apertam as asas
e descubro que amor morre soterrado
porque depois vem o improvável
as quedas em estranhos abismos
e as longas caminhadas pelo escuro
esses dedos que apertam minha mão
e dizem vem comigo
e eu digo vou?
e quando vejo estamos juntos
soterrando amor
porque amor morre soterrado
porque parece que leva sete palmos
pra que amor se torne vida
e tronco raiz folhas seiva.

(julho, 2015)

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