quarta-feira, 15 de outubro de 2014

duas dimensões da arte

A exposição da Mira Schendel na Pinacoteca (que fica por lá até dia 18) me levou a sensações que há muito tempo eu não experimentava. A primeira delas, a de ficar tranquila em uma sala com obras-de-arte sem filas gigantes à frente ou atrás. Fui à Pinacô apenas para ver as salas que expunham obras de Mira e me permiti - essa é a segunda das sensações - entregar-me à arte sem desconfiar dela. A terceira e mais profunda sensação foi me dar conta de que a pessoa que eu mais conheço nessa vida é Theon Spanudis. Theon (chamar pelo primeiro nome o seu objeto de estudo é algum tipo de sacrilégio na Academia, mas indica uma real intimidade com a personagem) foi um poeta e colecionador de arte que nasceu na Turquia em 1915 e morreu em São Paulo em 1986. Por muito tempo, estudei sua documentação pessoal. Na exposição, sábado, eu era capaz de, à distância, associar a ele certas obras de Mira e pensava "isso com certeza esteve em sua casa" ou "ele jamais aceitaria isto como arte". As legendas nas obras confirmavam minhas suspeitas. A pessoa que mais conheço no mundo por seus gostos e pensamentos morreu antes mesmo de eu nascer; a pessoa que eu mais conheço no mundo é aquela que já não pode mais me surpreender.



Por outro lado, no dia seguinte, fui ver a exposição Made by... no antigo Hospital Matarazzo e desconfiei de tudo e não entendi quase nada: das intenções, do hype, das selfies. Desconfiei da arte, estive rodeada por pessoas a cada breve passo e não consegui me entregar a nenhuma obra por inteiro.


(Já pra quem estranhou as fotos de celular, esta que vos fala chegou a esse momento da vida em que tem uma conta no instagram)

2 comentários:

  1. Eu acho bizarro (de uma maneira bonita) como a gente pode saber tanto e conhecer tanto uma pessoa que nunca vimos e que nem faz parte da nossa época. Eu sinto um pouco disso com o Caio Fernando Abreu. Apesar de amar os romances e contos dele, sou fissurada mesmo é nas suas cartas, e acho tudo tão profundo, tudo tão pessoal que às vezes me sinto até meio intrusa, sabe? Quem sou eu, que direito tenho de ler coisas tão íntimas?
    Mas é bonito ao mesmo tempo. Sei lá, me toca de verdade as coisas que ele pensa. Me dá um negócio engraçado no peito.
    Ano que vem o documentário sobre as cartas dele chega nos cinemas... Já tô meio inquieta desde já, daí acho que posso entender um pouco do que você sentiu quando viu essa exposição. :)
    Ps: babileta no instagram é amor demais, gente! <3

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  2. queria exposições assim por aqui, pra ver como é. acho que a única que fui foi no MON em cwb e desconfiei de tudo, não entendi nada. acabo só me prendendo em expos de fotografia mesmo, HAHA acho que entra na pira do que nos chama atenção ou não, enfim.

    xará no insta é amor

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