sexta-feira, 10 de outubro de 2014

com o vento do leste

Estávamos informalmente conversando sobre filmes de princesas e Helena, assim como eu, comentou que não tinha um filme de princesa favorito na infância. Dos clássicos, ela tinha crescido assistindo a Robin Hood, enquanto eu era viciada em Mary Poppins (uma tendência protomarxista de infância, parece). Todos os dias antes de dormir, eu pedia para minha mãe colocar o filme de 1964 no VHS e dormia praticamente sempre na mesma cena (aquela em que Mary canta uma canção-de-ninar para as crianças não dormirem). Eu sabia de cor as piadas que Tio Albert contava flutuando no teto, e sabia até quando entraria o comercial da Globeleza, já que minha mãe gravou direto da televisão o filme.

Mary Poppins, por Giovana Medeiros

Por uma mágica do tipo entrar em desenhos na calçada, terminei três livros mês passado e um deles foi a edição da Cosac Naify de Mary Poppins, escrito por P. L. Travers. Ganhei de presente da minha mãe porque, realmente, era minha história favorita de infância e mesmo depois de ter visto o filme um mol de vezes o livro me surpreendeu. Começamos com o fato de que Jane e Michael tem dois irmãos gêmeos: Barbara e John. Quando cheguei ao nome dessa personagem, dei uma olhadinha pro lado, no metrô, esperando encontrar uma câmera escondida, porque não sabia que na minha história preferida havia uma xará minha.


Uma coisa curiosa da obra e que Sandra Vasconcelos destaca no posfácio do livro é como a Disney transformou a babá misteriosa e meio egocêntrica em uma fofa Julie Andrews. O que me chamou a atenção é que isso já aconteceu outra vez. Quando eu lia a série O diário da princesa, da Meg Cabot, na adolescência, temia a avó de Mia, uma rainha megera, com maquiagem carregada e que era capaz de saber quando a neta mentia. Na versão filmográfica da Disney, a avó é uma doce e rígida Julie Andrews, e é praticamente impossível não desejar ser herdeira do trono da Genóvia (no filme, o pai morre, enquanto que, no livro, ele fica infértil depois de uma doença nos testículos - sempre achei estranha essa preferência dos Estúdios pela morte do personagem). Ao contrário de Julie Andrews, Mary Poppins não é uma fofa. Mary Poppins apenas é Supercalifragilisticexpialidosa; praticamente perfeita em todos os sentidos.

Um comentário:

  1. Poucas vezes neste blog fiquei tão emocionada. Porque foi possível reviver cada dia de VHS ou os dias de DVD ou os dias de ansiedade na expectativa pelo livro. Ou os dias de alegria com O diário da princesa. Obrigada pela lembrança, pela menção. Também gosto muito de Mary Poppins. E cantar supercalifragilisticexpialidoso é uma experiência única, todas as vezes. bjo

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