domingo, 29 de junho de 2014

ainda no tempo regulamentar

Chegamos a uma dimensão alternativa do universo em que minhas amigas me chamam pra ir pro bar ver jogo e meus amigos perguntam se quero trocar figurinhas da Copa (não, não coleciono figurinhas desde o álbum de Harry Potter completo em 2004). Eu sempre fui muito do futebol e a única vez que fui parar na sala da direção no colégio foi por ter pedido para jogar futebol com os meninos ao invés de fazer relaxamento com as meninas. Mas, em geral, meus amigos não me acompanhavam nesses rolês e a maior parte das vezes que fui ao estádio foi com meus primos.

Acho que, a essa altura, já sabemos que não é por gostar ou não de futebol que alguém é melhor ou pior em termos de entendimento do mundo. Eu mesma vivo me perguntando como alguém pode ser racista ou xenófobo e dizer que acompanha com prazer jogos de futebol. Porque, por exemplo histórico, a primeira seleção do mundo a admitir jogadores negros em seu elenco foi também a primeira campeã mundial (o Uruguai). E, por exemplo contemporâneo, grande parte das melhores seleções do mundo tem jogadores  - ou cujos pais ou avós - que não nasceram no território que defendem. Portanto, pessoas preconceituosas já são burrinhas; gostando de futebol, só posso achar que não estão entendendo nada.

Aproveitando que não sei até quando dura a nossa presença nessa dimensão alternativa do universo, aqui estão alguns textos (e um joguinho!) sobre o assunto futebol que eu li (ou escrevi, HEHE) nos últimos tempos.



O Rodrigo Vessoni do Lance! está acompanhando a seleção argentina na Copa do Mundo. Além de seguir cada passo da equipe de Messi, ele escreveu uma série jornalística chamada Lado obscuro da Copa em que aborda assuntos controversos envolvendo o esporte. Um texto sobre mensagens de ideologia nazista nos estádios, outro sobre a caça aos torcedores ingleses por organizadas brasileiras e o último (por enquanto) sobre torcidas da América e da Europa estreitando relações no Mundial.


Seis escritores escreveram sobre as formas de jogar de seus países para o The New Yor Times. A matéria, traduzida por "Como nós jogamos o jogo", é bastante interessante para ligar as seleções e suas histórias nacionais. José Miguel Wisnik escreve sobre o Brasil, com a idéia de que o futebol bonito mora aqui; a seleção inglesa tem como porta-voz David Winner com o subtítulo "Um futebol imperial, profundamente confuso"; a Itália fica com um "Nunca chato, sempre bonito", escrito por Beppe Severgnini; o que quer que funcione é a análise de Andrei S. Markovits para a Alemanha; Arhur van den Boogaard trata do apego holandês ao gênio do passado, Johan Cruyff; por fim, Luis Garicano arrisca na análise de que finalmente a seleção espanhola tornou-se uma seleção nacional. Acho que mesmo com 50% das equipes tendo parado na fase de grupos, é interessante a perspectiva de análise de cada um dos autores. Só que exige fôlego - porque é uma matéria grande - e saber inglês.


Sou dessas torcedoras que vira pro lado e dorme quando começam as estatísticas sem sentido que pululam antes, durante e depois das partidas. Mas o Google criou uma página maravilhosa com as pesquisas que o buscador mais registra nos assuntos relacionados à Copa do Mundo ao redor do planeta. Fica muito no campo das curiosidades mas tem seu valor tentar entender o que as pessoas pensam ou pelo que se interessam nesse evento.


Pouquinho antes da abertura da Copa, subiu na Capitolina um texto que eu escrevi sobre a história do futebol feminino no Brasil. Muita coisa ficou de fora, mas foi bem bacana pesquisar sobre o assunto e descobrir que por muito tempo mulheres foram proibidas de jogar futebol porque se pensava que era um esporte que ia contra sua feminilidade. Isso não só aqui, nem só no futebol. Talvez o fato de a melhor jogadora do mundo ser brasileira aliviasse um pouco o difícil cenário da modalidade no país. Mas o caso é tão excepcional que talvez seja melhor olhar por outro lado, pelo lado de todas que já tiveram que ouvir que não tinham que jogar bola porque isso não era coisa de menina (e que ocasionalmente acabaram na sala da direção da escola por isso).


Pra terminar o post de um jeito divertido, um jogo do The New York Times em que o objetivo é adivinhar onde estava a bola em cada uma das jogadas. São, até agora, cinco rounds! Aqui o , o , o, e .

3 comentários:

  1. eu fico impressionado com os dados no futebol, essa é quarta jogado do jogador y em dias pares. acho criativo. rs

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  2. esses links são muito interessantes... vou ler cada um. meu namorado ama futebol e vive reclamando que eu dou pouco caso quando ele fala sobre isso hahaha vai me servir pra alguma coisa.
    gostei muito do seu blog.
    já tem um seguidora fiel ;)
    beijo

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  3. Babi, só você para fazer essa relação entre xenofobia e futebol. That's why I love you. <3

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