terça-feira, 7 de janeiro de 2014

let's get liberated

Passei quatro meses fora e quando voltei estava oito quilos mais gorda e solteira. Eu morava no paraíso dos doces (com rios em que corriam sorvetes e desembocavam em mares de doce-de-leite) e num lugar em que o restaurante universitário servia pizza de entrada e purê-de-batata com milanesa como prato principal. Lá, também descobri o que são as estações outono e inverno abaixo dos trópicos e, assumindo meu modo-de-vida similar ao dos ursos, dei-me o direito de comer e dormir o máximo que pudesse para enfrentar o frio. A parte chata é que engordei oito quilos e sigo sendo a mesma - mesmíssima - friorenta de sempre. Ao voltar, percebi que havia algumas maneiras distintas de lidar com as novas situações criadas pelo intercâmbio. As principais delas:

(A) Me matricular numa academia, criar uma conta no instagram e chamar mulheres acima do peso de preguiçosas;

(B) Afogar a auto-estima no reino do Patriarcalismo Mental, em que mulheres acima do peso e solteiras são culpabilizadas por sua condição;

(C) Começar a ver Mad Men e perceber que tudo na vida é uma questão de referências.


Não gosto de afirmar o óbvio, mas fiquei com a última opção da minha lista. Graças à Stephanie e ao David que estavam bastante empenhados em acompanhar Mad Men quando voltei da Argentina, descobri que uma personagem de ficção de uma série que se passa nos anos 1960 era muito mais parecida comigo do que qualquer outra. Peggy Olson tem uns vinte-e-poucos-anos e, assim como eu, não faz o tipo rainha do baile. Acho todos os personagens da série bem construídos, profundos na medida certa, mas Peggy, pra mim, tem um quê a mais. Busca se afirmar como profissional numa época e em um ambiente em que as mulheres não são maioria e o faz de maneira brilhante. Não é uma mulher estonteante nem perde tempo se vitimizando. Só não vou ficar aqui elogiando Peggy por três dias consecutivos porque eu realmente acho que temos muito em comum e isso seria uma forma de egocentrismo descontrolado. Nesse quesito, já basta ter passado os últimos quatro anos atualizando um blog pessoal.


Comentei com Letícia sobre como eu poderia ter feito dieta mas estava mais interessada em acompanhar a trajetória fictícia de personagens que vivem numa época em que o modelo de corpo ideal não era tão rígido como o nosso. Ela concordou comigo e, seguindo com parâmetros nos anos 60, mencionou como a gente às vezes foca na Twiggy quando ganharia mais focando na Liz Taylor. Isso não quer dizer que uma supera a outra (ficaríamos eternamente em disputas estúpidas), nem que Elizabeth Taylor não era representante de uma beleza convencional, mas às vezes a gente tem meio que voltar no tempo pra ver que a heterogeneidade é uma coisa bela, que a beleza não é uma coisa estática, e que, no fundo, é muito mais ampla do que qualquer corpo pode suportar.


PS: Pra quem tem vontade de curtir o blog no Facebook, informo que criei uma página pra ele por lá. Apesar de eu ter para este blog as mesmas pretensões que tenho para minha vida (isto é, nada muito promissor), fui convencida pelos meus primos a fazer isso.

7 comentários:

  1. Gente eu AMO a Peggy! Claro, gosto-admiro-quero-ser-você-quando-crescer Babi, então é claro que eu tinha que amar a Peggy!

    <3

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  2. Preciso assistir essa série pra ontem!
    Adorei seu blog :)

    coelhosdechapeu.blogspot.com.br

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  3. Meu post preferido desse blog. <3
    Amei como falou do país doce, amei a melhor comida de restaurante universitário EVER, amei as opções apresentadas para lidar com os kgs a mais! Se pá até vou botar a série na lista das 15 já acompanhadas, sua linda!

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  4. nao conheço a Peggy, mas como a camila, queroservocquandocrescer.

    Esse post nao deveria vir num momento melhor enquanto que eu hoje, ate mesmo da minha mae, tenho escutado coisas pra entrar no peso ideal.
    de alma linda como sempre, babi. lindo lindo post <3

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  5. Você não faz ideia de como eu to feliz em ler esse post!
    As três "maneiras de lidar" são as mais reais e, sim, eu também fico com a C. Amo Mad Men e amo a Peggy (ok, ja quis mata-la algumas vezes), mas não só pela série, mas porque referência é tudo sim e foto no espelho com roupa de academia nunca será pra mim algo estimulante.

    E você não é rainha do baile mas é rainha nos textos de blog pessoal! ;*

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  6. É tudo questão de ponto de vista, não é? Elizabeth pra mim era mais linda que Twiggy, era sensual. A partir do momento que você está, de certa forma, contente com o seu corpo mesmo sabendo que tem algo ali ou aqui que não te agrada, tua confiança muda, aliás, ela começa a existir. E ó, assim como acho umas meninas super magras bonitas tem outras consideradas 'gordas' que eu acho tão lindas quanto.

    Não assisto Mad Men, mas já gostei da Peggy. :)

    http://www.paleseptember.com

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