segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

e salvam-se todos

A cada quinze dias, cientistas divulgam novos resultados de pesquisas que indicam que a puberdade acaba mais tarde. Não vejo vantagem nisso, uma vez que chegar aos meus dezoito anos foi embrulhar o pacotinho da puberdade e atirá-lo ao mar, como um período bizarro que enfim acabava. Nas últimas semanas, dei passos importantes em frentes bastante distintas para garantir que estou me tornando uma mulher madura (embora estudos possam indicar que atingi o auge da minha maturidade aos quinze): colei grau na faculdade e fiz tratamento contra a acne.

Eu imaginava que, em algum momento da minha trajetória de vida, minhas espinhas se dirigiriam à prancha do navio autoconscientes do quão pouco queridas elas eram. Esse dia nunca chegou e sei que muitas vezes estivemos a ponto de elas promoverem um motim e levarem por mares nunca antes navegados a condição oleosa da minha pele. Dia desses, porém, uma vizinha, incomodada com as marcas no meu rosto, ofereceu-me um tratamento completo e eu assenti. Isso quer dizer que deixei as espinhas numa ilha deserta e agora desejo que suas mensagens em garrafas jamais alcancem meu navio outra vez.

No que se refere à minha colação de grau, não posso negar uma certa felicidade. Fiz um balanço mental de o que representa ter o histórico escolar na minha frente, completinho, e me dei conta da minha idéia de que a vida é composta por hábitos. E que eu sempre temi trancar uma disciplina e converter essa prática num hábito e nunca mais acabar a graduação. Por isso, segui com todas as matérias, firme e forte (não tanto), fossem elas boas ou ruins. Curioso que, por mais agnóstica que eu seja, pesava um certo fatalismo de estar em determinada disciplina ruim por desígnio do destino (ou dos algoritmos do sistema, o que deve dar na mesma) e que fugir desse desígnio possivelmente significaria algo pior no futuro: porque, pior do que pegar aula com um professor ruim, é pegar aula no ano seguinte com o mesmo professor ruim. Assim, entre tropeços e respiros, cheguei ao fim da graduação.

E quando eu já procurava a Seção de Alunos do Mundo para perguntar sobre a possibilidade de trancar 2013 e voltar a ele daqui a um ano ou dois, pensei que pior do que viver um ano ruim é viver o mesmo ano ruim de novo (desculpa, não trabalhamos com o conceito de Eterno Retorno neste blog); no fundo, melhor pegar logo o certificado de conclusão de 2013 e ficar feliz porque, como aprendi com Dom Quixote nesses tempos:
"Todas essas tempestades que nos acontecem são sinais de que logo o tempo vai acalmar e vão nos acontecer coisas boas, porque não é possível que o mal ou o bem durem sempre, do que se conclui que, havendo o mal durado muito, o bem já está perto."

6 comentários:

  1. No geral, as pessoas demoram mais pra amadurecerem mesmo ainda mais se for comparar a nossa perspectiva de vida ou onde estamos com a dos nossos pais que já estavam casados e alguns com filhos. Mas cada época é diferente, e principalmente, cada pessoa. O importante é querer crescer e amadurecer, e fazer algo sobre isso.

    (Também desisti de esperar meu corpo descobrir isso e fiz tratamento para espinhas uns três anos atrás)

    E parabéns pela conclusão do curso! É sempre um momento tão especial na nossa vida! :)

    Pale September

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  2. Navegar é preciso... e viver também é preciso.
    (Desculpe-me, Fernando Pessoa).

    Que venham novas tormentas... e também novas bonanças!

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  3. Eu não lembro exatamente como me senti quando concluí a faculdade, mas fiquei feliz de não ter que voltar mais lá, rs.
    Sobre maturidade ainda estamos aí, aguardando, rs.

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  4. Eu saí de casa e me obriguei a amadurecer aos 18, antes de começar - e longe de terminar - a faculdade. Hoje, olhando para trás, percebo que não era assim tão madura quanto pensava... a gente se engana tanto sobre nós mesmos, né?

    E tive um ano particularmente bom... isso quer dizer que, de acordo com o velho Quixote, devo ficar em alerta em 2014. ;)

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  5. Torço pra que o Quixote seja certeiro com voc Babi. Fico hiper feliz que você tenha conseguido colar grau e esteja pondo um ponto final nessa fase da vida.. acho interessante a questao da maturidade: como que pra nós ela tem praticamente data e hora certa e como que para os olhos dos outros não. Como se nós sabessemos o momento quase q certo do quando nos tornamos "mais maduras" enquanto algumas pessoas nao percebem sequer essas mudanças.

    Meu ano foi um bom ano considerando as reviravoltas todas que aconteceram, espero que demore mais pra vir as tormentas, poreém espero também estar mais madura e amparada o suficiente pra aguentar.

    desejo tudo de bom pra vc em 2014 e que possamos nos encontrar entao! <3 beijos beijos e até breve!

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  6. Tenho 29 anos e, até hoje, volta e meia aparece uma espinha no rosto que faz eu parecer um moleque. Vantagem: as pessoas vivem dizendo que eu pareço ser bem mais novo. Desvantagem: as espinhas por si só já são uma grande desvantagem. Sorte: a barba cumpre o seu papel com estilo.
    Curti seu texto. Curti seu blog. Também escrevo e faço quadrinhos. se quiser conferir, clica aí. Abraço e até...

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