sexta-feira, 4 de outubro de 2013

dalí dantesco


Meus biógrafos no futuro, quando entrarem em contato com os quilos de catálogos e ingressos de exposições que visitei na vida, dirão que eu era uma apaixonada por arte. O que eles não conseguirão saber apenas com essa documentação será o fato de que eu gosto menos de fila do que gosto de arte e, justamente por isso, não vi a exposição Mestres do Renascimento aqui em São Paulo. Cheguei ao prédio do Centro Cultural Banco do Brasil numa sexta-feira de manhã, olhei a fila, dei meia-volta e achei mais importante garantir o horário do almoço. Na última semana da exposição, fiquei uma hora na fila com um amigo e pensei que se ficasse ali duas horas (o que provavelmente aconteceria), já entraria no prédio com cansaço o bastante pra não querer ver anjos pelados. Perguntei se ele não queria sair, ver outra coisa, tomar uma cerveja talvez. Fomos. 


Andamos poucos metros no centro da cidade e decidimos entrar na Caixa Cultural. Nenhum de nós sabia, e foi uma feliz surpresa, o encontro com as ilustrações que Salvador Dalí fez para o texto de A Divina Comédia de Dante Alighieri. Não é todo dia que eu posso escrever um post e citar Hegel, mas foi a situação hegeliana mais feliz a que fui submetida. Ao invés de ver o Renascimento em suas próprias obras dos séculos XIV a XVI, pude ver Dalí negando, conservando e elevando o período renascentista com a obra literária que o inaugura. Pra quem pensa que os artistas modernos só romperam com os paradigmas, fica aí a paixão que esse surrealista tinha por Dante e Piranesi

São cem aquarelas, uma de introdução e 33 de cada uma das partes do livro: Inferno, Purgatório e Paraíso. Não é difícil supor que os círculos do Inferno são o ponto alto. Outra coisa boa é que na recepção dá pra pedir o catálogo, que, embora não tenha imagens numa definição muito maravilhosa, serve para ter todas as ilustrações num lugar só. Diz o site da Caixa Cultural que a exposição fica por aqui até 27 de outubro.

Um comentário:

  1. Nossa Babi, perdi a conta de quantas expos perdi por não ter paciência de ficar horas na fila. Dependendo da exposição aqui no Rio fica impossível visitar no final de semana. Aí prefiro pegar um dia de semana com menos trabalho e um tempinho livre para tentar uma abordagem menos traumática.

    ResponderExcluir