segunda-feira, 25 de março de 2013

presente: ahora y siempre

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A idéia de uma história comparada na América Latina é tema que pode dar calafrios em alguns historiadores. Apegar-se ao fato de que cada evento é único no tempo e no espaço é bastante coerente, mas não o suficiente para me impedir de comparar constantemente minhas experiências e conhecimentos sobre Brasil e Argentina. Hoje, especialmente, as comparações afloraram por muitos lados.

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Precisava terminar de ler um texto para a aula de amanhã cedo, mas deixei-o de lado e resolvi ir para a rua. Tanto as palavras no papel quanto o que diziam os manifestantes versavam sobre o mesmo assunto: a luta pela memória a respeito da mais recente ditadura militar argentina. A marcha pelo Día de la Memoria aconteceu em muitas cidades argentinas pelo aniversário do golpe de 1976 e é uma das formas de não esquecerem o que se passou. Algumas vezes me sentia sufocada pela dor e pela beleza do ato e, apesar do incômodo que algumas pessoas sentiram pela quantidade de bandeiras, me senti parte de um evento democrático. O verde, o vermelho, o preto, o azul e o amarelo coloriam as ruas e davam uma noção de soma muito mais do que de rupturas. As múltiplas cores rompem com dicotomias e permite que saibamos que a democracia é essa coisa confusa de grupos lutando por ideais diferentes. À frente, iam as mães da Praça de Maio com uma faixa lembrando os 30.000 desaparecidos da ditadura cívico-militar.

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Em São Paulo, acostumei-me a andar em manifestações políticas cercada por policiais. Acostumei-me também à idéia de que a caminhada pode descambar, a qualquer momento e por qualquer motivo, em uma violenta repressão. Nas ruas de Santa Fe, no entanto, senti-me espectadora e personagem de uma festa cívica. Não é à toa, porém, que seja importante para os atores sociais daqui ocuparem as ruas. Luis Alberto Romero me ensinou em um texto, que li nessa semana, que
"estas organizaciones prefiriron las demonstraciones a los monumentos. Por esa vía, hicieran una doble contribución, a la democracia y a la memoria. Respecto de la primera, sumaron a los escenarios representativos una arena pública de participación directa y activa, en la que lograron éxitos importantes y se convirtieron en actores ineludibles. Respecto de la memoria, contribuyeron a hacer visible lo invisible, y a evitar el olvido."

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Ao contrário do que muitos ainda pensam no Brasil, não é uma luta pela vingança ou não é uma questão de ódio. E também é mais do que uma vontade de que a história não se repita. É uma busca constante para que as instituições democráticas possam agir e existir como tais e para que os erros - se não podem ser reparados - ao menos sejam conhecidos e reconhecidos; penalizados, em fim, como se julga necessário pelas vias institucionais. Por fim, para que a história possa ser escrita não apenas pelos assassinos (como diz determinado personagem do filme "A história oficial") e para que tenha subsídios o bastante para narrar, interpretar e sustentar sua posição crítica perante os fatos.

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Eu adoraria falar um pouco mais sobre a comparação com o Brasil, mas o texto A verdade e o recalque, de Maria Rita Kehl, pode fazer isso por mim nesse momento.

2 comentários:

  1. Não sei se me impressiono mais com esse texto e as fotos ou com os textos e fotos do tempo da África do Sul. De qualquer forma... parabéns por ambos!

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  2. Barbara, entrei no seu blog por indicação da Bete, mas juro não saber que se tratava de um material tão impressionante. É fabulosa a sua visão de mundo, sua sensibilidade e inteligência. As fotografias tem algo mais do que beleza, elas são realmente cativantes. Delicada forma de expressão a sua. É provável que arrume tempo só para me embrenhar um pouco mais nas miudezas dos seus textos e na experiência das suas imagens. Boquiaberta e gostosamente encantada. Felicitaciones!!

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