domingo, 2 de dezembro de 2012

o privado é político

Como estudante de História, vivo rodeada de monografias a fazer. Alinhamento justificado, Times New Roman, 12, espaçamento 1,5, introdução, desenvolvimento, considerações finais, bibliografia. Daí o porquê de eu ter pirado quando minha orientadora mandou um e-mail dizendo que a última questão da prova deveria ser a montagem de um catálogo para uma exposição fictícia com obras de artistas mulheres, com preponderância de contemporâneas e eixo temático Expondo mulheres artistas: da 'arte feminina' às estratégias feministas.



Podíamos escolher acadêmicas ou modernas, mas como eu não saberia construir uma linha temática muito convincente para colocar no mesmo espaço as artistas contemporâneas junto de Vigée-Lebrun ou Mary Cassatt, por exemplo, fiquei com seis artistas de "hoje em dia" e chamei o trabalho de O privado é político. Compus a folha de rosto do catálogo com representações de mulheres que recortei de jornais e revistas (e o selo dos Correios, chamado "A costureira"). Os textos foram datilografados por uma questão de estilo e de praticidade: apesar de não ter a excelente tecla delete, a máquina de escrever me permite "imprimir" na hora; ideal pra esse caso, em que o trabalho foi praticamente todo composto em um fim-de-semana apenas.



Introdução

A junção em um mesmo espaço expositivo de artistas mulheres com diferentes estilos e nascidas em países com aproximações historicamente diversas da militância feminista justifica-se pelo eixo temático O privado é político. Autoconscientes de sua condição de gênero, as artistas, porém, não se restringem a aspectos confessionais ou autobiográficos. O que propomos na exposição é um olhar que coloca o gênero como elemento no debate estético da arte contemporânea, com relevância coletiva, pública e, por isso, política. 
Estamos distantes, afinal, da ideia de que existem espaços de feminilidade onde as artistas podem exercer sua arte. Se o corpo é um campo de batalha, também o são as instituições e tantos outros territórios de nossas vidas cotidianas.



O Caio, que é um exímio costurador de cadernos, ajudou-me fazendo o suporte do tal catálogo. Acho que merecia um agradecimento especial, bem como à Ivi, que me respondeu toda solícita quando contei que queria incluir uma foto dela no trabalho. Escolhi um díptico da série It's ok to be a boy, embora ache lindas outras séries dela que tematizam gênero. A série escolhida retrata mulheres que sofreram abuso sexual e que não pertencem ao que costumam chamar de "grupo de risco" (mulheres pobres, negras e com pouco estudo). Como não poderia analisar a série inteira, escolhi a imagem composta por uma foto no chão e outra de uma moça de costas num ambiente urbano. A coincidência que norteou essa escolha, para além do meu gosto estético, foi eu ter reconhecido o homem na foto: Gabriel García Márquez, na contra capa de "Cem anos de solidão", livro que terminei de ler na véspera de fazer o trabalho.



Existe uma preponderância de artistas militantes feministas em países de línguas anglo-saxãs. Por isso, achei interessante pegar seis artistas de seis países diferentes. E como eu tenho uma aproximação maior com a fotografia, também optei por fugir um pouco e tentei "expor" outros formatos. Assim, a coleção foi formada com as seguintes obras:

8 comentários:

  1. Já posso me gabar de ter assistido em primeira mão o making of desse trabalho? (:

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  2. Você me dá muito orgulho e vontade de ser uma estudante (e uma pessoa) melhor, sempre.

    Arrasa, Bá <3

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  3. eu gosto tanto desse apreço que você coloca em todas as coisas que faz.

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  4. Adorei, achei super interessante o conceito da ideia e sua produção ficou linda, parabéns!

    http://h-ardcore-girl.blogspot.com.br/

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  5. ai mulher que coisa mais linda!!!
    brigada por me incluir num trabalho tão bonito.
    :*******

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  6. Até eu que só te conheço do blog fiquei orgulhosa do teu trabalho, aidna mais sabendo que foi feito em maquina de escrever.. como sinto falta dessa maquininha em casa.. puts.

    Olha me envaideci por ter convencido voc quanto a referencia da Lana del rey e Priscilla presley! hahahaha e concordo totalmente com voc, national anthem é um puta clipe bizarro de tantas referencias loucas... ♥♥♥

    volte mais vezes, viu?? beeijos!

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  7. Será que existe a possibilidade deu um dia ver isso? Meu deus, eu gostaria muito de ver seu trabalho e ler um pouquinho. :)

    http://www.paleseptember.com

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