domingo, 25 de novembro de 2012

still life

Tenho algumas coisas para contar sobre minha imersão na obra de artistas mulheres que fiz nos últimos tempos. O primeiro passo deve ter sido a releitura do retrato de Rosa Bonheur. O segundo é este: falar sobre a exposição da Adriana Varejão no Museu de Arte Moderna de São Paulo, até 16 de dezembro. Tenho um tipo de obsessão compulsiva com o blog que é não gostar de fazer posts parecidos juntos. Mas se eu adiar pra contar sobre a exposição, ela acaba e perde a graça para as pessoas que poderiam ir se soubessem do que se tratava.



A artista brasileira ganhou uma grande retrospectiva individual no MAM e eu, que nunca tinha entrado em contato com a obra dela, pirei nas composições dos mais diversos temas e técnicas. Para quem não sabe, o Museu de Arte Moderna de São Paulo em geral expõe artistas contemporâneos, e o Museu de Arte Contemporânea expõe obras de arte moderna. Pareceria uma contradição do tipo "por que tudo junto se escreve separado e separado se escreve tudo junto" não fossem as trajetórias distintas das instituições: o MAC foi formado a partir da coleção do primeiro MAM, que foi dissolvido. A marca voltou a ser usada e pegou esse filão dos contemporâneos. Varejão é uma artista contemporânea, não porque produz no nosso tempo presente, mas por extrapolar os limites do quadro.


A obra Parede é um pouco exceção no conjunto. Em geral, suas telas são figurativas e em algumas séries a artista faz uso de cerâmica grudada na tela. Como estudante de História, gostei muito das menções que as obras fazem ao passado colonial, às incursões à China e as releituras de quadros memoráveis (como o Tiradentes esquartejado de Pedro Américo).



Os azulejos aparecem nas mais variadas formas, pintados pela artista. Da suavidade da série de saunas, em que o ambiente parece asseado, inabitado, às referências a açougues nas séries que homenageiam o charque, a azulejaria tem um aspecto kitsch, bonitinhos, com cara de casa-da-vó. Mas a sutileza das lembranças sentimentais é deixada de lado quando as paredes são implodidas por uma massa de aspecto visceral. Se não é o corpo que está tematizado, em muitos momentos o aspecto orgânico surge em sua obra e os cortes nas telas remetem, fortemente, a violências a um organismo vivo.

Imagens retiradas do site oficial da artista

PS: O Ricardo contou nos comentários do post sobre a Bienal que o vídeo do velhinho fritando batata na virada do milênio é do artista Thomas Sipp. ;)

4 comentários:

  1. Não sei se você conhece o Inhotim, perto de BH.
    Se ainda não conhece vale a pena passar por esse museu em MG.
    Ele tem uma galeria dedicada exclusivamente a Varejão.
    Além disso, há outras galerias de artistas brasileiras e gringas surpreendentes.
    E eu cada vez mais seguidora do cactus.

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  2. achei o trabalho incrível mas confesso que o último (com as vísceras) me deixou meio desconfortável

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  3. Meu deus, que sensacional. Eu achei muito interessante o fato de serem usados azulejos em todas as pinturas. Não é algo muito comum. Seu blog tá se tornando um dos meus preferidos. Sem dúvida vou procurar mais sobre a artista. Obrigada! :)

    http://www.paleseptember.com

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  4. Muito lindo o trabalho dela, principalmente pela preferência ao azul *__* E tem mesmo um aspecto colonial :O E cara, essa última obra é incrível, de perto deve ser melhor ainda!

    Beijos

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