sexta-feira, 16 de novembro de 2012

as poéticas eminentes



Estou num dilema por não saber se gostei mais dessa edição da Bienal do que da anterior pela qualidade artística ou pela monitoria que tivemos na visita. Num domingo de manhã, eu e o Caio fomos recebidos pela Mariana na entrada do pavilhão da Bienal no Ibirapuera e passamos umas duas horas andando pelo prédio. Como o lugar é muito grande e sempre muito cheio de instalações e obras, pedimos à Mari que nos levasse onde ela achava que nos interessaríamos mais. Com o recorte dela, saímos do desespero de não conseguir dar conta de tudo e de não entender o que fosse distante de nossas referências. Pela liberdade da arte contemporânea e pelo excesso de produções apresentadas, sinto que A iminência das poéticas foi muito melhor aproveitado por nós por conta de um determinado direcionamento. Se eu pudesse visitar a exposição uma vez por semana até o seu fim (em 9 de dezembro), talvez a monitoria fosse menos necessária. Não sendo o caso, separei aqui as obras de alguns artistas que mais me chamaram a atenção no percurso.



De Taiwan, Tehching Hsieh passou grande parte da sua vida fazendo performances. Em uma série de especial destaque, ele passa um ano inteiro executando uma performance. Os registros da primeira obra dessa série está na 30ª Bienal, com os cartões de ponto e fotogramas que indicam o ano em que passou registrando horas em uma máquina de ponto. A idéia lembra a do artista turco Ali Kazma - também na Bienal - que através de vídeos traça paralelos entre atividades humanas, tornando todas, de algum modo, maquinais.



Sigurdur Gudmundsson é islandês, mas mora na China e na Holanda. Com fotografia e, especificamente, autorretratos, o artista se coloca em cena com objetos que interagem com seu corpo e constroem novos significados. Há uma graça nas composições e no pensar como o artista chegou ali.


Bispo do Rosário foi tornado artista. Internado por anos em hospital psiquiátrico, construiu todo um repertório próprio, usando objetos e palavras e esperando o dia da salvação. A arte é assim, cheia de controvérsias, em que artistas se questionam se suas performances devem ser reencenadas em momentos distintos e em locais outros que não os que foram planejados e executados ou em que uma pessoa ganha uma grande sala na Bienal de Arte sem jamais ter pretendido o posto (caso parecido com a seção reservada a Horst Ademeit). A obra de Bispo do Rosário é cheia de poética, com certeza, mas tem sua carga de dramaticidade; há um desespero em saber que seus objetos foram reservados à apreciação estética ao invés de terem o destino que ele desejava.



Alberto Bitar começou a trabalhar como repórter fotográfico, mas as séries expostas na Bienal transcendem o espectro de jornalismo. Interessou-me, em particular, pela vontade de retratar os espaços que habitou ou que circulou em momentos diferentes da sua vida. Ficamos conversando dentro da sala se as fotos que rementem a crimes cometidos na cidade dialogavam diretamente com as outas partes, como a série que narra a viagem que fazia na infância com os pais ou o vídeo que mostra a luz entrando num apartamento cheio de memórias da família.



O aspecto mais interessante do trabalho de Nino Cais é como a técnica da colagem extravasa o copiar-e-colar. De repente você olha pela sala e tudo é uma junção de coisas que não foram pensadas para estarem juntas. Mariana disse que é um dos artistas que mais chama a atenção das crianças (e que consequentemente dá mais pânico aos educadores, que não podem deixá-las sentar nos objetos feitos pelo artista).


Outras obras que me chamaram bastante a atenção foram: as pinturas de Eduardo Berliner, em que tudo é muito reconhecível e ao mesmo tempo muito perturbador; as fotografias de Saul Fletcher com um tanto de grotesco em fotografias de pequenas dimensões e as obras de Iván Argote & Pauline Bastard, sobretudo o vídeo em que Iván refaz a História do Mundo num dia no parque com a família e a obra em que Pauline mostra cartões-postais de desconhecidos.

Se alguém nos próximos dias quiser correr pra aproveitar a exposição, tem aqui minha mini-curadoria. Eu incluiria também o vídeo do velhinho que faz batata frita na virada do milênio, mas não lembro o nome de quem o produziu (procurei "batata fritas vídeo milênio" no Google, mas nada muito relevante para a minha busca foi encontrado).

7 comentários:

  1. Que ideia fofa, Babi!
    Amei ver as obras pelo seu olhar.
    Beijos

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  2. Esse post me deu saudades do meu intercâmbio onde tinha opções de ver exposições e mostras em diversos lugares e conhecer cada coisa linda e/ou interessante! É uma pena que aqui na cidade isso não seja tão frequente.

    Nino Cais, de todos, foi pra mim o que mais se destacou. Achei sensacional!

    http://www.paleseptember.com

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  3. Faço das palavras da Tany, minhas. Saudades das saidas culturais que eu tinha no meu intercâmbio com esse seu post. Passei uns dias em São Paulo e me apaixonei pela cidade, como você tem tudo ao seu alcance. Aqui em Brasília você conta nos dedos algo que seja legal :P
    Adorei o trabalho do Nino Cais :)

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  4. Eu fiz um resumão fotográfico da Bienal (e ainda vou postar mais um) e adorei muito seus comentários sobre os artistas e obras, acabei "aprendendo" ainda mais (:

    Beijão!

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  5. O vídeo do velhinho da batata frita é do Thomas Sipp :)

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  6. Eu visitei a Bienal duas vezes e fiquei praticamente o dia inteiro até conseguir ver tudo. Foi a primeira Bienal de Arte que fui e gostei bastante. Também fui com um instrutor que mostrou algumas obras e explicou-as. Adorei o trabalho do Bispo do Rosário, principalmente sua história de vida. Também gostei muito do trabalho do Alberto Bitar.

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