sábado, 11 de agosto de 2012

chá com as tias | tea with the aunties

me & history of art

Semestre passado, a História da Arte me causou uma espécie de overdose. Peguei duas disciplinas sobre o assunto, participei de reuniões de grupos de estudo e fiz um curso extracurricular, tudo nas mais diferentes vertentes. Importante para conhecer do que eu gosto e o que eu não suporto, mas melhor ainda para encontrar nos debates da História da Arte aquela aconchegante atmosfera de sala-de-estar das tias, onde elas se reúnem para tomar chá e falar mal dos outros membros da família. Em poucos minutos, você consegue perceber como o pessoal da patota A detesta B, C e D. No dia seguinte, lê texto de D para a matéria de B e descobre que C, que supostamente gosta de B, não suporta D. É possível passar longas tardes ensolaradas entre "me passa o açúcar, por favor" e "é a composição de luz e sombra que faz desse artista o melhor de sua época". No meio disso tudo, pude perceber o que é insuportável e o que me agrada no campo da História da Arte, para descobrir que de algum modo chego no mesmo ponto de onde parti: minhas primeiras incursões no campo, muito mais preocupada com a perspectiva sociológica da arte. O negócio desse fazer história não é falar das cores, das formas, dos grandes nomes, mas usá-la como forma de entender melhor a sociedade em que essas obras foram produzidas. Não que eu tenha deixado de fazer isso em algum momento, mas é bom sentir que tô saindo do tédio que é o chá-das-cinco com as tias, ainda que os quadros pendurados nas paredes fossem até bonitinhos.

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Last semester, History of Art caused me a kind of overdose. I did two disciplines on the subject, I attended meetings of study groups and did an extracurricular course, each one based on the most diverse aspects. Important to find out what I like and what I can not stand, but better still to discover that the discussions about History of Art have that cozy atmosphere from aunts' living room, where they gather to drink tea and speak ill of other members of the family. Within a few minutes, you can see how the staff of the group A hates B, C and D. The next day, you read a text written by D to your B class and find out that C, which supposedly likes B, can't stand D. You can spend long sunny afternoons between "Could you, please, pass me the sugar?" and "it is the composition of light and shadow that makes this the best artist of his time". Throughout all this, I realized what is unbearable and what pleases me in the field of History of Art. I discovered that somehow I arrived at the same point where I had started: my first forays into the field, much more concerned with the sociological perspective of art. Studying History is not about speaking of colors, shapes, great names, but using those aspects as a manner to understand in a better way the society where these works were produced. Not that I have left to do this at some point, but it's good to feel that I'm free of the boredom of the five-o'clock-tea with the ​​aunts, even considering the paintings hung up in walls were cute.

10 comentários:

  1. nem tudo são flores, né?
    mas no fim a gente se acha
    em alguns cantos mas se acha

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  2. Cara, disse tudo: " O negócio desse fazer história não é falar das cores, das formas, dos grandes nomes, mas usá-la como forma de entender melhor a sociedade em que essas obras foram produzidas."

    Mas enfim, falando em papo de tias: "vivendo e aprendendo". :)

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  3. Imersão total, né Babi? Só assim mesmo para começar a entender melhor o que muitas vezes está guardado lá no fundão do nosso cérebro e descobrir gostos que a gente nem tinha ideia que possuía!

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  4. Apesar de eu não ter tido essa overdose que você teve, eu sei como é passar por essa matéria. Cada aula que eu ia redescobria muitas coisas.

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  5. Eu prefiro filosofia da arte HEHEHE Mas sério, história, independente do que seja, vai ser um eterno chá-das-cinco e sem direito aos biscoitinhos...

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  6. sem puxação de saco, eu tenho duas ambições para meu próximo renascimento:
    - ter algo a dizer, e
    - escrever bem feito você

    nos seus planos, vc TEM que incluir "ser escritora"

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  7. li um trecho de uma carta do Diego Rivera para a Frida; diz assim:

    "Mi niñita chiquitita:

    (...)
    Estou feliz com a comissão do seu retrato pro Museu de Arte Moderna: será magnífico, você entrando lá pra sua primeira exposição. Será a culminação do seu sucesso em Nova York. Cuspa em suas mãozinhas e crie algo que vai superar tudo que estiver por perto e fazer da Fridita o Grande Dragão [la mera dientona] (...)
    Não seja boba; não quero que por minha causa você perca a oportunidade de ir para Paris. ACEITE TUDO QUE A VIDA TE DER, O QUE QUER QUE SEJA, DESDE QUE SEJA INTERESSANTE E TE DÊ ALGUM PRAZER. Quando a pessoa fica velha, ela sabe o que é ter perdido o que lhe foi oferecido quando ela ainda não sabia o suficiente pra aceitar. Se você realmente quer me agradar, saiba que nada pode me dar prazer maior do que saber que você tem as coisas. E você, minha chiquita, merece tudo.
    (...) Não os culpo por gostarem de Frida, porque eu também gosto dela, mais do que qualquer outra coisa. (...)

    Tu principal sapo-rana, Diego."

    o que quero dizer com isso? é meio uma metáfora para que vc não perca as oportunidades que a vida te dá, ou seja, teu dom para escritora TEM que render livros e mais livros.
    certamente, nós aqui em casa, seremos do fã clube nº 1

    :o)

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  8. ps. as letras garrafais são grifo dele (Diego)

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  9. História da Arte (como "qualquer história") não tem fim, é o eterno chá com as tias, mas é maravilhoso!

    E eu ainda não tinha visto o "novo" blog. Gostei muito!
    Beijão

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  10. História da Arte (como "qualquer história") não tem fim, é o eterno chá com as tias, mas é maravilhoso!

    E eu ainda não tinha visto o "novo" blog. Gostei muito!
    Beijão

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