sábado, 16 de junho de 2012

todos os caminhos levam a nise

Faz praticamente um semestre - de vida e não letivo - que ouvi falar pela primeira vez de Nise da Silveira. A partir daí, os encontros foram vários e pelos caminhos mais tortuosos. Começou no curso de encadernação, conversando com um senhor que nos dera ingressos para uma peça. Dissemos que íamos ao Rio nas férias e ele logo sugeriu que incluíssemos no nosso roteiro uma visita ao Museu de Imagens do Inconsciente, sobre o qual falou um pouco, sobre o seu passado como manicômio. Depois, comentando com uma das minhas melhores amigas da época da escola que hoje em dia trabalha em um hospital psiquiátrico ouvi a mesma sugestão. Fomos ao Rio mas não fomos ao museu, já antecipo. Não é difícil de imaginar que por ter sido o Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, a localização destoa dos roteiros turísticos clássicos zonassulares.



O encontro seguinte com a proposta da psiquiatra Nise da Silveira, que introduziu um ateliê de pintura e modelagem  no hospital psiquiátrico, se deu numa reunião com a minha orientadora, quando eu preparava meu relatório de estágio. Ela me indicou o texto de Glaucia Villas Bôas, chamado A estética da conversão, e que aborda as relações entre artistas, internos do manicômio, a psiquiatra e o crítico de arte Mário Pedrosa nos anos de 1950. Gostei tanto da abordagem que sugeri à Vivi que apresentássemos esse texto em um seminário de uma de nossas disciplinas. Entre a minha proposta e o aceite dela, o Caio pegou uma revista da Livraria Cultura que tinha um texto sobre a obra de Nise ("Uma lição de humanidade"). A reportagem apresenta uma entrevista com a atriz Mariana Terra que estrelava a peça Nise da Silveira - Senhora das Imagens que não trata só da biografia da psiquiatra como também da própria atriz. Sim, fomos assistir à peça, eu e Vivi, depois que estava decidido que apresentaríamos o tal seminário.



Eu gosto de História da Arte, mas acho que gosto mais da história das pessoas. A de Nise e a dos artistas que se descobriram e se formaram no ateliê do Engenho de Dentro foi uma espécie de obsessão nos últimos tempos. Pensar que alguém sugeriu na década de 40 que era possível cuidar da loucura não com a invasão aos corpos com remédios, cirurgias ou outros métodos agressivos dá uma ambígua sensação de esperança pelo que foi e de desalento pelo que segue acontecendo. Ao contrário do que se pode pensar, a arte não é só uma questão de gosto e a loucura não é só uma questão dos outros.

2 comentários:

  1. qdo vcs voltarem, agendem por lá uma visita...e nos falem ...faremos de tudo pra levá-los...Engenho de Dentro é caminho para a casa de minha mãe...eu mesmo um não zonasular

    bjos de nós aqui

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  2. interessantíssimo.
    fico pensando nas possibilidades que a arte trás para o mundo.

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