segunda-feira, 16 de abril de 2012

passado recente em .zip

Nos anos de escola, eu meio que dava conta de tudo. Ficava em casa sozinha, o que me obrigava a lavar a louça, cuidar da roupa, dos cachorros. Ficava em casa sozinha, o que foi ótimo para o desenvolvimento de certas coreografias, além de cumprir a necessidade de aprender Faroeste Caboclo e Bohemian Rhapsody. Fazia inglês, não cabulava a aula de educação física (as de redação, sim), lia uns livros legais e acompanhava novela, comecei a tirar fotos e ainda encontrava os amigos com freqüência.

Acontece que os últimos quatro anos na faculdade se parecem muito com uma pasta compactada. O curso de História acabou com a ordem cronológica na minha cabeça; talvez por serem várias matérias com vários textos durando quatro horas por quatro meses, tudo o que pude aprender aparece junto num grande armário mental, dividido em pequenas gavetas (confesso que algumas mais cheias e outras quase vazias).


De qualquer modo, no passado-mais-que-recente, saí caçando meu tempo livre pra encher de coisas que eu precisava fazer (precisava só porque queria, sabe?). Vi três exposições esse mês: a Ocupação Angeli, no Itaú Cultural, a de Roma, no Masp, e os painéis Guerra e Paz do Portinari no Memorial da América Latina. Não sei qual é a dos cronogramas das exposições que tendem a acabar quando o semestre está mais maluco, então corri enquanto estou mais tranquila. Só não reclamo muito porque quando fui para Buenos Aires, os museus do Xul Solar e do Borges estavam fechados para férias (no período mais cheio de turistas, achei de vanguarda). Li num fôlego Noturno do Chile, do Roberto Bolaño, e agora preciso de um segundo fôlego para fazer trabalho sobre ele. No mais, está rolando um curso na Biblioteca Mário de Andrade com uns professores maneiros sobre escritores de contos na América Latina, aos sábados, de abril a setembro, com pausa em julho. E até o fim do mês, passarei nove horas em um dia da semana dentro de uma escola estadual fazendo estágio. Saio dali, janto em vinte minutos, e vou pra um curso de História da Arte porque ficar em crise com a educação e discutir estética em seguida é o caminho mais fácil para se ficar maluca. Teria opinião sobre tudo o que falei antes, mas minha autocrítica é responsável pela produção de uma quantia considerável de "WHO CARES?!", feitos na velocidade da máquina; qualquer hora dessas a gente volta para as coisas feitas na velocidade do homem.

6 comentários:

  1. te amo, tô com saudade, vamos achar um tempo pra gente se ver!

    (btw, ainda morro de inveja de como cê faz tanta coisa legal com tão curto tempo!)

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  2. tá ganhando minha admiração porque gostaria de fazer todas essas coisas interessantes ao mesmo tempo, mesmo sem saber o resultado. América Latina é muito amor. E rolou uma identificação total com essa comparação de faculdade a uma pasta compactada. adorei o post!

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  3. Onde cê tá fazendo esse curso de História da Arte, Babi? Na ECA?

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  4. Ufa, fiquei cansada só de ler o post! Parabéns por ainda conseguir encaixar coisas bacanas na sua rotina, um dia eu chego lá.... (cansada-mode on!).

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  5. ahhhh a faculdade de história tirando a gente dos eixos! cheguei a fazer Contemporânea, Africana e Medieval ao mesmo tempo. pensa no nó! mas é uma delícia, num é?

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  6. Seu post me inspirou a escrever, até. Também sou essa bagunça. Mas quem sabe ai no meio a gente não se acha, né?

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