segunda-feira, 12 de março de 2012

na casa do nhô quim

Uma viagem de duas horas de carro me impossibilitou de ligar a televisão no domingo dia 04. Mas não é difícil imaginar que as manchetes esportivas em São Paulo falassem do clássico alvinegro Santos e Corinthians. No trajeto entre São Paulo e Piracicaba, a disputa que me interessava tinha uma feição tímida em três cores. XV de Piracicaba e São Paulo se enfrentariam às 18h30 no Barão de Serra Negra.

Eu, o Caio, minha prima e o namorado dela entramos no estádio ouvindo xingamentos da torcida do São Paulo. Sentamo-nos na arquibancada reservada aos quinzistas, embora em São Paulo sejamos tricolores. Não-ortodoxos, é bem verdade, nada nos impedia de fazer com os braços o X e o V do time da casa. Com quase 14.000 torcedores no estádio, não era difícil supor que tantos outros não fossem torcedores fanáticos do XV de Novembro e saber a escalação completa do time é um desafio e tanto para os piracicabanos.

Conosco, havia uma sensação estranha de não-pertencimento. As torcidas se xingavam e o incômodo era grande. Já fui a jogos em que não torci por nenhum dos times, mas estar na posição de quem quer torcer pelos dois é muito mais complicado. Um torcedor da organizada do São Paulo pendurou-se na grade para prender uma faixa. Quando esticada, foi possível ler "Americana". Embora o confronto fosse entre uma equipe do interior e uma da capital, o embate de xingamentos nas arquibancadas ganhava ares localistas.

Não devem ser muitos os times que possibilitam à sua torcida que libere gritos de "boa" e de "isso não!" no mesmo fôlego. O XV de Novembro conseguiu esse feito quando, em lances esdrúxulos, tirava a bola do time adversário e em seguida perdia a posse recém-conquistada. Depois de 16 anos longe da série A1 do Campeonato Paulista, o XV não se sustenta. Não por falta de esforço, mas provavelmente por impossibilidades técnicas e físicas. O cansaço da equipe se fazia valer nas faltas cometidas nos últimos minutos e no gol, no final do jogo, que motivou parte da torcida a voltar um pouco antes para casa.

Se um dia a figura do caipira já foi traçada como a de um personagem preguiçoso, o time que tem como mascote Nhô Quim, um boneco com chapéu de palha e poucos dentes na boca, provou no jogo ser o oposto da tipologia, agüentando o quanto pôde. Um fenômeno comum nesse campeonato, em que o time de Piracicaba impõe barreiras contra os times do começo da tabela, mas é derrotado com facilidade por quem luta contra ele para não cair de divisão.

Um comentário:

  1. gentem vc é praticamente uma jucaquifuri...e sobre a saída do Ricardo Teixeira não copmenta nada?

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