sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

e também muito ouriçada

Disfarço a solidão da vida acadêmica com todo o resto. A começar pela companhia da Stephanie, que está me hospedando na casa dela, fazendo com que eu demore dois minutos e não cento-e-vinte (sério isso) para chegar ao trabalho. Sem televisão e comigo quase sem acesso à internet durante a semana, comentamos as notícias do jornal pela noite enquanto jantamos. O Caio me visita uma vez por semana, o que dá a estranha sensação de que estou num internato, além do fato de meu status estar "em um relacionamento enrolado com relatório de estágio". Há uma infinitude de livros, documentos e caracteres ao meu redor, mas estou dormindo suficientemente bem, a ponto de ter sonhado com a Marieta Severo dia desses. Ela estava mais velha e muito melancólica, sentada na cama cujos lençóis arrumara para dormir. Eu ia até ela e falava que gosto muito de vê-la atuando. Não faço idéia do que quer dizer o sonho, inclusive porque faz no mínimo quatro anos que não vejo um só episódio de "A grande família". Despedi-me dando-lhe um beijo na testa, saí do quarto e encontrei minha avó na sala, onde ficamos conversando. Nesse período em que estou hospedada, três noites, no horário nobre, ou fui ao cinema ou fui à sala de tv ver filme com meus amigos. Acho que estou comendo muito mais do que o normal, ou simplesmente andando muito menos de bicicleta do que tinha me habituado (principalmente porque chove quando estou em casa no fim-de-semana). O álibi é o de que pensar dá muita fome. Quando falei isso para Talita, ela só respondeu que come mais quando estuda mas não engorda porque usa as calorias enquanto pensa. Ao que tudo indica, meu metabolismo não tem uma infra-estrutura que permita esse tipo de aproveitamento. Meu plano é que o relatório esteja pronto até a Quarta-feira de Cinzas para que, quando as aulas começarem, eu só não precise me preocupar com isso. E então poderei voltar a ler literatura, a sair para fotografar, a ir de bicicleta para o metrô e, quem sabe, até mergulhar numa piscina ou tomar banho de mangueira (não foi descartado nadar na caixa-d'água) antes que as chuvas comecem de vez. O passo seguinte é entregar o relatório para a orientadora, ouvir críticas e possivelmente mais uma recomendação para que eu faça a prova do mestrado esse ano. Daí eu ficarei lisonjeada, mas direi, educadamente, que não tenho planos de começar a pós-graduação aos 23 porque depois de dezessete anos num sistema educacional como aluna, talvez seja hora de fazer o que eu pensava que queria aos dezesseis: virar professora, conhecer os desafios do mundo pela experiência e não só pelas referências bibliográficas.

3 comentários:

  1. Babi
    sem falsa modéstia acho que sou seu melhor leitor em voz alta...sabe..aqueles locutores que vão lendo como se saíssem deles? pois é...adoro seus caracteres
    Jan manda um beijo longo e feliz

    paz e carinho de nós..procs aí...

    saudades

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  2. O aparelho de tv já temos, essa semana eu arrumo uma tv e um playstation 2 e aí essa casa vai a loucura!

    Gente, não acredito que a dona daquele flickr que eu sempre amei está hospedada na minha sala! :O Só me dei conta agora! hihihihi

    E você tava no encontro do Lomogracinha também? Esqueci de ir! A Lari estudou comigo na segunda série do fundamental e eu tava doida pra matar a saudade. Olha que mundo piquititico! Bora marcar saída fotográfica!

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  3. Queria ter o mesmo metabolismo que essa sua amiga. O negócio tem ficado sério com essa fome eterna e zero queima de calorias. Até porque não sou lá muito boa com estudos.

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