sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

guia dos mochileiros de BsAs



Caio e eu fomos para Buenos Aires no começo de 2011. Desde então, alguns amigos pediram indicações de passeios e orientações gerais sobre a cidade. Daí veio a idéia de fazer um post que talvez possa ser útil para mais gente, inclusive as que eu não conheço.



Como fomos para ficar duas semanas, fizemos uma pequena cotação sobre albergues e pensamos até em ou ficar em casa de família ou alugar um apartamento. Hotel é meio fora de cogitação para a gente, porque acaba sendo desnecessariamente mais caro, uma vez que só nos interessa o café-da-manhã, uma cama e um chuveiro. Nunca ficamos em albergues desconfortáveis, e hotéis são conforto em excesso para quem curte conhecer a cidade mais do que conhecer o saguão de entrada. Albergues também são hospedagens legais para quem quer conhecer gente nova, porque há mais áreas comunais do que em hotéis. De todas as alternativas, o mais barato foi ficar no Reina Madre Hostel. No entanto, só ficou mais em conta porque eram duas semanas e eles ofereciam um baita desconto se comparado aos albergues da rede dos albergues da juventude. Acho que esses compensam mais se o período for menor e quando não se têm referência sobre nenhum outro albergue.



As mais baratas eram da Pluna e encontramos pelo site da Decolar. A Pluna é uma empresa uruguaia, com aviões minúsculos que tremem loucamente. Não gostoso. Como não é uma viagem transatlântica, até compensa economizar com falta de conforto no avião. Até porque acho que conforto mesmo (tipo, espaço pras duas pernas e pros dois braços) só deve existir na primeira classe e talvez na cabine de comando.



Comi poucas vezes em restaurante por lá, e à noite ou comemos pizza ou o Caio cozinhou para nós. Bom de ficar em albergue é isso, de você poder usar a cozinha, fazer a própria comida. Mas há milhares de cafés em todos os lugares (Florida, Corrientes, Avenida de Mayo, Defensa, Bairro de San Telmo, etc;- há um famoso na Avenida de Mayo: Tortoni; lá iam Borges, Cortázar, entre outros [há um pequeno memorial dentro]) que servem também aperitivos. Há muitos tenedores libres, onde se paga um valor fixo e come-se o quanto quiser e casas especializadas em parrilla (churrasco) e comida chinesa. Ah, vale dizer que viciei em empanadas e chorei lágrimas de dulcedeleche quando voltei pra São Paulo e a empanada mais parecida com aquelas custava o triplo do preço; isso aconteceu também por conta dos alfajores que comprávamos no mercado. No mercado vale a pena também comprar vinhos de qualidade por preços baixos, além de queijos e pães. Também viciei em sorvete de doce-de-leite, encontrável em qualquer sorveteria. (Achei a sorveteria Freddo meio superestimada. Há pequenas sorveterias nos bairros com sorvetes menos doces)



O ônibus é muito barato e é pago em moedas. Não há cobrador (também conhecido como trocador) e você tem que colocar as moedas numa máquina que libera sua passagem. É meio confuso, porque a passagem é paga por trecho (COISALINDA!) e não como aqui, que pegamos num ponto, descemos no seguinte e pagamos três reais. Sem dizer que o valor máximo da passagem paga não passa de R$ 0,80. Os ônibus funcionam o dia inteiro, e quando eu perguntei a que horas passava o último ônibus, ninguém entendeu minha pergunta. Andei bastante a pé e quando estava cansada ia de metrô. São, pelo que me lembro, umas quatro ou cinco linhas. O intervalo entre os trens é maior do que os daqui e também enchem nos horários de pico. Os trens têm idades bem variadas, sendo que alguns são velhos, tipo do começo do século XX, quando nós ainda andávamos de charretes puxadas a burros na frente do Café Girondino. De qualquer modo, o metrô funciona e é barato também.
Na visita que fizemos a San Telmo, passamos em frente a um lugar em que alugam bicicletas para passeios. Como era um bairro distante do albergue, não consegui alugar, mas talvez valha a pena. O nome de lá é La Bicicleta Naranja.
Há muitos táxis pela cidade que como meio de transporte valem a pena para trajetos mais longos. Cuidado ao escolhê-los no aeroporto: os que param dentro da área de desembarque não retribuíram a confiança que depositamos neles. Em Ezeiza, aeroporto que fica a 30 km da cidade, o melhor é escolher um taxista e fechar o valor da viagem previamente, deixando claro que nada será cobrado pelas malas (80-100 pesos é um bom preço); já no Aeroparque Jorge Newberry, que fica dentro da cidade, vale o esquema de pegar um táxi na Avenida Costanera, que fica em frente ao aeroporto. Pegamos um táxi indicado pelo indicador de táxis que fica na porta do saguão de desembarque e nos ferramos. Além de ter batido o carro com a gente dentro (!), ele ainda fez um caminho mais longo. Na volta para o aeroporto, vale a pena perguntar no albergue ou hotel se eles não podem agendar com um taxista. Fica mais certo e seguro.



Eu sou do tipo que se perde. Num dia, saí andando pela cidade e quando percebi que o albergue nunca chegava, abri  meu mapa-maneiro e percebi que estava na última rua que ele representava. A estranha sensação de chegar ao fim da linha. Se você for para lá sem mapa (e sem senso de direção como eu), há quiosques de informações turísticas em que você pode encontrar ótimos mapas de bolso. O site welcometobuenosaires tem os mapas em fragmentos e existe o Google Maps também. E há, além disso, o site de turismo oficial de Buenos Aires.
  • O centro é, de longe, a região mais densa de BsAs, seu centro econômico e político. Milhares de ruas cruzando-se e as mais variadas atrações. Ali estão: Plaza de Mayo, Casa Rosada, Cabildo, Diagonales Norte y Sul, Obelisco e Congreso. De lá saem as linhas de metrô que levam aos subúrbios. Em frente à Plaza de Mayo está a Catedral de Buenos Aires, cujo pórtico lembra uma construção grega.  
  • San Telmo, bairro residencial-comercial, é muito gostoso. As ruas são pouco movimentadas durante a semana e, percorrendo-as, descobrimos moradores entediados, cafés e livrarias. Aos sábados e domingos (o ponto alto é domingo) há a Feira de San Telmo, com barracas de tudo o que se possa imaginar. No centro de San Telmo está a Plaza Dorrego, onde, nesses fins de semana, localiza-se a feira de antiguidades. Na calle Defensa, que sai da Plaza de Mayo e leva à Plaza Dorrego, há também o Mercado de San Telmo, que vende de frutas a livros raros. Aos domingos, todas as bancas abrem. 
  • Boca é o bairro famoso. Pois bem: La Bombonera, Tango na rua e restaurantes. Não fomos ao estádio, vimos o Tango sem muita empolgação e os restaurantes não eram financeiramente acessíveis. É uma região mais pobre da cidade, mas o turismo a descaracteriza quando espetaculariza seus ícones (Maradona, Evita, Péron) e às vezes parece aumentar a distância entre os que têm dinheiro e os que não têm. 
  • Caballito é um bairro simpático, residencial, possui entre suas principais atrações o Parque Independencia. Enorme, bonito, mas o Caio, que teve que passar por lá, ouviu relatos dizendo que era um tanto perigoso. 
  • Recoleta é onde ficamos. É um bairro de classe média, com diferença de que lá aceitam e gostam das estações de metrô. É heterogêneo: para os lados da Avenida Córdoba, onde estávamos hospedados, é formado por casas mais simples, menos portentosas; já para os lados da Avenida del Libertador, da Biblioteca Nacional, é mais “chique”, com palacetes e embaixadas. Ali também está o Cemitério da Recoleta, onde famosos ricos são enterrados. Ali também existem parques e praças com gramados maravilhosos abertos ao público. Piqueniques são recomendados. E o Rosedal do parque 3 de Febrero é das coisas mais bonitas que vi.
  • Belgrano é o bairro chinês de BsAs. Não fomos, mas disseram que é muito legal e gostoso. Falando em chineses, eles dominam a rede de mercadinhos de BsAs. Há um em cada esquina e são chamados pelos portenhos, não sem uma dose de maldade, de chinos. São mercados baratos e vendem de tudo. Nem sempre aceitam cartões. Concorrem com grandes redes como Disco e Coto, que aceitam cartões, mas nem sempre têm troco. 
  • Puerto Madero é um bairro portuário que foi reconstruído e hoje abriga restaurantes caríssimos. Pra quem conhece São Paulo, o bairro parece o Brooklin. Mas lá também há um parque, o Costanera Sur, que fica na margem do rio. 
  • Tigre é um balneário que fica na periferia de Buenos Aires. A cidade fica em torno do delta do Rio Tigre, o que proporciona ótimos passeios de barco e piquenique à sombra de árvores e à margem de rios. As pessoas remam bastante aos fins de semana e o Mercado de las Flores é uma feira gigante de artesanato e outras coisas. O melhor modo de chegar é o trem, que sai da estação Retiro, é baratíssimo e demora 40 minutos no trajeto, mas também se pode chegar lá de ônibus. 
  • Sou a maluca dos museus, então, dos quatro museus que visitei, recomendaria com muito entusiasmo o Museu Nacional de Belas Artes que tem um acervo bonitão de arte do século XIX, o Museu de Arte Latino-Americano de Buenos Aires (Malba), com um acervo incrível de arte do século XX, e o José Hernandez, que é um museu de cultura popular argentina.




Antes de viajarmos, Caio me deu o guia da Lonely Planet. Tem coisas desatualizadas, mas é um guia com bons textos sobre a cidade e vem com um mapa maneiro. Rola uma pegada mais crítica, fala de coisas boas, mas não deixa de destacar inconvenientes de Buenos Aires. Como nós dois estudamos História (eu no presente e ele no passado), já tínhamos de antemão um mínimo contato com a literatura, as artes visuais, a cultura e a história da Argentina. Como sou muito ansiosa, fiz esquenta pra viagem ouvindo uns bons tango, vendo filmes com o Ricardo Darín e lendo as tirinhas do Liniers.

8 comentários:

  1. ótimas dicas! vou passar pra minha amiga que tá indo pra lá. foi uma pena só ter visto elas agora. fui pra buenos em outubro...

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  2. Gracias!

    Vou para lá agora na virada do ano e as informações foram de bom grado!

    Feliz Natal!!!

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  3. Eu adoro guias assim, feitos por pessoas "normais". Livros de turismo sempre trazem dicas estranhas, de lugares clichês ou caros, há excessões, mas falo da maioria.
    Adorei suas sugestões, vou guardá-las nos meus favoritos para a minha futura e sonhada viagem, um dia ela se realiza. ♥

    {Obrigada pelas sugestões, Babi!}

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  4. deu até vontade de ir
    :o)

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  5. Visitei Buenos Aires algumas vezes e gostei muito do seu guia. Pegamos um táxi lá que foi bem sinistro também, deu um milhão de voltas, foi extremamente grosseiro, nos cobrou a mais pelas malas e NOS DEIXOU EM OUTRO LUGAR!! hahaha e só percebemos depois que saímos. Um horror. Não recomendo. Me lembro de achar que o metrô não servia muito bem a cidade, mas talvez estivesse longe de uma estação. Estou louca para voltar lá e vendo seu post fiquei com mais vontade.

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  6. Poxa, esse post maravilhoso bem que poderia ter aparecido aqui em outubro, hein
    hahahaha

    Muito bom!

    Beijos

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  7. Estou pensando em conhecer Buenos Aires e adorei as dicas. Acho bacana esse tipo de guia. Traz dicas valiosissimas para futuros viajantes e detalhes que guia especializado algum pode trazer.
    beijos

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  8. Adorei as dicas! Tô indo pra lá semana que vem! :)

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