sábado, 5 de novembro de 2011

jogo de um homem só






Não sou torcedora fanática do meu time. Sou são-paulina porque, quando criança, em meio a uma disputa se deveria ser palmeirense como a família da minha mãe ou corintiana como a família do meu pai, escolhi a neutralidade me tornando tricolor. Em meados dos anos 90, depois das vitórias dos mundiais de 92 e 93, o São Paulo era um time xoxo. Mas na última década, o São Paulo montou grandes times e conquistou grandes títulos. Na campanha da Libertadores de 2005, acompanhei todos os jogos nas noites de quarta-feira, e sentia um sono desgraçado na primeira aula às quintas, de História. Todas as broncas foram válidas, porque o time não só chegou ao título como conquistou o mundial. Ainda tô agradecendo o Mineiro por ter se tornado herói aos 26 do primeiro tempo. Sou são-paulina, mas também tenho meus momentos de esteta. Se posso passar um fim de semana buscando beleza em obras-de-arte, achei que faria sentido pegar meu sábado para ver a beleza do futebol do Neymar, pessoalmente, no Pacaembu. Também preciso dizer que sou Muricy Ramalho Futebol Clube e, desde sua passagem pelo São Paulo nas conquistas dos campeonatos brasileiros de 2006, 2007 e 2008, tenho um carinho especial pelo mau-humor e pela habilidade do atual técnico do Santos.


Éramos eu e mais 18.450. Entramos no estádio, depois de duas horas na fila para comprar o ingresso, quando a torcida já tinha anunciado dois gols. Entramos na arquibancada cheia. Olhei pro lado. Estávamos no meio da organizada. E o marcador indicava 1 a 0 pro time da Vila. O segundo gol de Neymar foi anulado. Se eu jogasse contra ele num campo de pelada, talvez saísse pensando "franguinho folgado". Possivelmente é o que muito jogador da série A do Campeonato Brasileiro tem pensado. Neymar sofre faltas adoidado, mas também tem alguns problemas com o próprio centro de gravidade. O menino às vezes cai de maduro e a torcida, comprovei, consegue perceber que não dá pra reclamar do juiz sempre que Neymar aparece no chão. A torcida só não percebeu que, no terceiro gol do jogador naquela partida, ele estava mesmo impedido.

Neymar é o ídolo de um time com um jogador só. As conquistas do Santos nesse ano devem-se muito à dupla Neymar-Ganso, hoje desfalcada. O Santos, na verdade, é só mais um time que não consegue sair do destaque individual para ver fortalecido o grupo. O Atlético Paranaense sofre do mesmo mal. O único grande nome do time ameaçado pelo rebaixamento é Paulo Baier, que seria um nome de muito destaque se o tempo tivesse parado na década de 90. Baier, com 37 anos, é dos jogadores mais velhos em ação no campeonato e único jogador do Atlético a ameaçar de algum modo a zaga do Santos naquele jogo. Foi ele quem cobrou o escanteio que deixou no placar os times em pé de igualdade. Do mais, todos os outros lances do Atlético foram interceptados por uma trave muito bem posicionada, que mereceu beijo do goleiro Rafael.

Um homem à minha frente, olhando a arquibancada, virou-se para o outro, aos gritos, e disse:
- O que a gente tá disputando?! NADA! Mas olha essa arquibancada. CHEIA.
Eu ri. De fato, não estava lá torcendo para o Santos, mas sim pelo futebol bonito dum menino que qualquer hora dessas deve alçar vôos maiores no futebol mundial. O Santos no fim desse ano ainda disputará o Mundial de Clubes (o que fazia a torcida gritar "Eu vou pro Japão, Atlético segunda divisão" para a diminuta torcida adversária). O embate que a torcida mais espera é a de Messi versus Neymar. O argentino que joga no Barcelona tem ao seu redor o melhor time do mundo. A torcida do Santos, porém, prefere o seu próprio grito de guerra para levar o guri de 19 anos ao topo cantando "Ah, eu não me iludo, Neymar é o melhor do mundo". Até porque, marcando os quatro gols da vitória contra o Atlético Paranaense, com mais dois anulados pela arbitragem, o mais novo menino da Vila (posto herdado daquele time de 2002, com Robinho e Diego) entra com muita moral em qualquer disputa, inclusive a de melhor jogador do mundo, sendo o único jogador que não atua na Europa a concorrer o prêmio esse ano.

3 comentários:

  1. Nem time de futebol tenho Babi. Aliás, nem de futebol, nem de nenhum outro esporte. E dei sorte de estar junto de uma pessoa que, sim, até tem um time de coração, mas não liga muito não... Acho que sempre impliquei com esportes em geral. Acho que prefiro transferir minha energia para outras atividades.


    Camila Faria

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  2. Adorei a foto e o texto! Eu sou super torcedora do meu time, mas preferia não ser. É tanto sofrimento por uma causa que chega a ser ridícula quando a gente para pra pensar... Mas eu não consigo! Sei tudo de futebol, acompanho os campeonatos da série A e B e sofro pelo menos uma vez na semana quando o meu time perde (porque tem perdido sempre). Em compensação, quando ele ganha...

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  3. Tens um ótimo gosto futebolístico haha também sou tricolor!
    E estou nessa contigo em relação ao Muricy, admiro bastante o trabalho dele e queria ele novamente no nosso time!

    Eu não gosto do Neymar,mas reconheço o seu talento.

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