sexta-feira, 21 de outubro de 2011

ide e sede criativos

A faculdade não é exatamente um lugar com o lema "ide e sede criativos". Via de regra, há um limite bem curto para qualquer inovação formal nos nossos trabalhos acadêmicos, embora os conteúdos mudem com um pouco mais de agilidade. Difícil é conseguir juntar as duas coisas, e romper com os conteúdos catedráticos e com a forma ABNTista, sem fazer trabalhos ruins cientificamente. Acho que isso aparece nos infinitos debates sobre obras de divulgação, em que jornalistas e historiadores disputam suas áreas e seus enfoques e os segundos muitas vezes acusando os primeiros de rasos e os primeiros acusando os segundos de chatos. É um problema de verdade ficar anos estudando algo e esquecer de dialogar com o resto do mundo, mas há exceções louváveis (já falei aqui de O crime do restaurante chinês, um livro de divulgação, escrito por um historiador que não deixa de ser relevante sem usar a linguagem dos meios acadêmicos).





Uma das minhas experiências nesse sentido aconteceu nos idos de 2009, quando eu e mais onze pessoas compusemos um grupo de trabalho que produziu um material bem pouco ortodoxo em sua forma. Guiados pelo tema Juventude e rebeldia, o grupo escreveu textos divididos em cinco períodos históricos:


  • O entre-guerras;
  • Os anos dourados;
  • 1967-1968, na França e em Praga;
  • Década de 60 no Brasil;
  • O pós-1968.


  • Minha função foi a de organizar todo o conteúdo num mesmo lugar. O pessoal que escreveu os textos, que também conta com resenhas de filmes sobre o assunto e análise de algumas imagens, precisou sintetizar os montes de leituras feitas no semestre em um só texto. A parte que ficou faltando foi desenvolver um vídeo de montagem sobre o mito dos argonautas com cenas de outros filmes. Deixamos na aba correspondente o roteiro do possível vídeo, que renarraria a história grega dos jovens heróis que partem na nau Argo em busca do Velo de ouro, a lã de ouro do carneiro alado Crisómalo. A finalidade do trabalho é a produção de material crítico que possa ser utilizado por professores em sala de aula, da forma que achar pertinente. A parte mais legal de montar a identidade visual do trabalho foi selecionar os desenhos do Jabson Rodrigues que ilustrariam as diversas faces do tema.



    Essa semana, o Caio terminou um curso extra sobre Ditaduras na América Latina. Conversando com ele sobre o curso, sugeri que montasse uma página com um dossiê. Os arquivos ali presentes poderiam ser úteis para os alunos que se interessassem mais pelo assunto e, estando na internet, o acesso de outros professores ou outras pessoas de várias formações seria muito mais amplo. Trabalhando com arquivística, descobri que dossiê nada mais é do que a junção de vários documentos com mesmo tema, mas com suportes e origens diferentes. A seleção dele ficou, deixando a linguagem acadêmica de lado, uma belezinha!

    Um comentário:

    1. gente, que lindo! adorei! pra faculdade parar de encher o saco com infinitas repetições-petições-tições-ões-ões. tão chato isso, tão pouco atrativo.

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