terça-feira, 20 de setembro de 2011

srsly satisfied

Nem só de pequenas hecatombes se fez minha semana passada. No geral, ela foi tão linda que me sinto forçada a escrever sobre; isso me pouparia esforços mnemônicos e ainda me traria uma satisfação pessoal quando eu quiser reviver o que passou.

1. Palestra sobre educação e reforma agrária
Na segunda-feira, vi uma mesa com o deputado federal Ivan Valente e o líder do MST Gilmar Mauro, sobre  reforma agrária e educação. Como diz Gilmar, falar de reforma agrária no Brasil é falar de algo que nunca foi feito. Fala-se no concreto sobre políticas de assentamento, que é a medida paliativa que atende os movimentos sociais com essa pauta (e, como medida paliativa, é insuficiente). O tema me interessa já há algum tempo, desde que fui trabalhar num dos órgãos do governo responsáveis por essas políticas. É uma discussão que chega por um enviesamento bastante distorcido para a sociedade em geral. Gosto do Gilmar Mauro porque ele apresenta as contradições do movimento com consciência; é preciso entender que um movimento social vive em diálogo com governos e outros setores da sociedade. O Ivan falou mais sobre a proposta de encaminhamento de 10% do PIB para a educação e sua posição contra o novo código florestal.
A questão do escoamento da produção orgânica feita pelos assentados é uma das contradições desse mundo. Gilmar respondeu falando que aqui em São Paulo há público consumidor para esse tipo de produto, mas, ao mesmo tempo, é muito difícil que os produtos da agricultura familiar cheguem às grandes redes de supermercado. Pelo que disse, a única que vende produto de cooperativa do movimento é o Wal-mart, que vende o leite Terra Viva. As cooperativas também vendem arroz embalado a vácuo, o que garante que o produto sem aquela quantidade medonha de agrotóxicos não estrague no transporte. Como as obras de infraestrutura via de regra não começam a ser feitas para privilegiar os pequenos produtores, esse é um dos desafios que eles enfrentam. Uma parte da produção, porém, é destinada às merendas escolares, para o cumprimento (ou tentativa) da cota de 30% que deve vir da agricultura familiar.
O seguinte documentário, do Silvio Tendler, discute a presença dos agrotóxicos entre nós (ou, o que é pior, dentro de nós):






2. Imagem-síntese da semana

3. Osesp e Tv Cultura
Sexta-feira, mal cheguei ao estágio e já pedi pra sair. Minha chefe me deixou acompanhar o pessoal que cuida de arquivos sonoros em um rolê temático. Primeira parada foi a Sala São Paulo, lugar onde acontecem concertos de música clássica e onde se localiza a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp). É meio bizarro, em termos arquivísticos, a quantidade de arquivos que eles guardam. De cada concerto, são pelo menos três: o material bruto, o disco de dados e o formato mp3. Essa digitalização ajuda a manter os originais em melhores condições. Pessoa não precisa colocar lp na agulha ou o cd no tocador. Ouve no computador ali mesmo (o material não é liberado para cópia ou na rede por causa de direitos autorais). Isso é lindo e ao mesmo tempo um aprisionamento, porque poupa-se o original, mas todos ficam reféns da tecnologia, de suas mudanças freqüentes e aceleradas. O mesmo pepino encontramos na segunda parada do dia: Fundação Padre Anchieta (sede da Tv Cultura). Mas, ao contrário do que a Osesp faz, a Tv Cultura não multiplica seu acervo. Há todo um esforço de enxugamento dele, porque é inviável tu guardar 24 horas de programação por dia, 7 dias por semana e assim sucessivamente. Além dos próprios programas, a Fundação Padre Anchieta herdou os arquivos das tevês Manchete e Excelsior, são mtipo milhões de rolos e de discos e, sim, acho o passado e seus resquícios um troço muito legal. A rotatividade do material numa emissora de tv (ou de rádio, como pudemos ver por lá também) é muito maior do que o dos outros arquivos; as imagens são recuperadas para programas o tempo todo. A experiência mais fabulosa, porém, foi a que vivemos na primeira sala em que entramos: o figurino do Nino, o rádio da Morgana, o Garibaldo primeiro e azul. Galera que era criança nos anos 90 simplesmente parou pra morrer de amores. O responsável pelo arquivo perguntou se sabíamos que sala era aquela. A única resposta que saiu foi: "Sim, nossa infância".

2 comentários:

  1. Eu fiz um estagio numa rede que aconselha municípios e regiões aqui na França sobre essa temática de agricultura e suas políticas. Isso que vc fala de agricultura familiar e cooperativas está em alta aqui na França - por conta de novas leis e tudo mais - mas ainda precisa de muito incentivo. As que funcionam bem é porque a cidade cria um espaço e incentiva (marketing, investimento, ajuda de financiamento, etc) esses agricultores à venderem seus produtos na cidade e manterem suas terras. É muito legal e interessante! Grandes marcas não ajudam muito - raras, bem raras, como o Carrefour, talvez. Se você souber francês e tiver interesse, procure sobre as AMAP, que são associações destinadas à manutenção e ajuda da agricultura familiar.

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  2. Pontada de inveja da senhorita pelos programas legais da semana. Vou te contar que a visita à emissora muito me interessa (qualquer coincidência com minha futura profissão tem razão de ser), e a sede da TV Cultura, em especial, é uma das que eu mais gostaria de conhecer.

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