quarta-feira, 28 de setembro de 2011

combo inspiracional: fotografia de rua

Primeiro, foram duas professoras de história, no colégio. Foi só na faculdade, ou quando já tinha decidido o curso, que vieram os grandes mestres, os teóricos para eu ler e começar a admirar. Primeiro veio a experiência próxima e a admiração cotidiana com aquelas explicações. Só depois os canônicos. A primeira música que encanta um guri talvez seja a experiência transcendente que é retomada e seguida como carreira no futuro. Acho que meu percurso com a fotografia é semelhante. Primeiro, conheci gente como eu (ou quase isso) que curtia muito captar imagens. Esse pessoal foi me ensinando coisas muitas vezes sem perceber e um dia conheci Henri Cartier-Bresson. Um dia, vi uma exposição do mestre da fotografia contemporânea. Mas, mesmo no fotógrafo francês, havia muito dos caras cujas imagens de São Paulo eu admirava. Pegar a câmera e ir para a rua, encontrar no dia-a-dia dos outros a beleza ou seus opostos e guardá-lo naquilo que o Bresson chama de instante decisivo. O momento congelado torna-se eterno.



1 . 2 . 3 . 4

Houve um tempo em que o Fagu era praticamente meu vizinho. Mas só fomos nos conhecer, não numa reunião de moradores do bairro, e sim num encontro para fotografar. Naquele dia ele me disse do plano que tinha de morar na França com a noiva e de como já fazia mais de ano que fotografava diariamente. A fotografia não só mostrava seu dia, era parte obrigatória no seu calendário. Já faz algum tempo, Fagu foi pra Paris. Arrisco dizer que seu olhar ficou mais sério, mas talvez seja a distância das piadas do próprio. Os desconhecidos nas ruas raramente têm as cores que os do Brasil tinham. Não me emociono menos, porém. Há uma certa graça na fotografia em fazer o mundo pequeno.



1 . 2 . 3 . 4

Tenho paixão por essa série de fotografias que a Flavita tirou em sua viagem à Índia (ela fez uma seleção no blog). Um mundo novo aparece perante nossos olhos. Há algo de exótico nas roupas coloridas, nas tatuagens de henna, no Taj-Mahal majestoso. Acho que a proximidade me deu um bom presente: o de ter ouvido a própria Flavita contando do quanto é encanto e do quanto é mito nesse lugar em que existem intocáveis, rígida separação de castas, um mundo de mística, um passado de colonização.



1 . 2 . 3 . 4

A parte mais gostosa de sair para fotografar com outras pessoas é ver os resultados mais diversos que cada olhar carrega. O fotógrafo transmitindo suas emoções a partir do mesmo assunto dos outros. Gosto disso nas fotos do Hudson. De como o que é óbvio e está sempre tão próximo de nós fica ainda mais perto: os desconhecidos olhando para a lente, os ambientes fechados que trazem uma intimidade e os detalhes das grandes avenidas. Os lugares familiares estão revestidos de certo mistério. E isso dá uma vontade ainda maior de enxergar com novos olhos - o tempo todo - esses ambientes.



1 . 2 . 3 . 4


Para mim, as imagens do Jairo têm muito impacto dramático. É difícil não olhar para elas e se dar conta de uma opressão da urbanidade. Na minha cabeça, repercutem os versos de Drummond: 


Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.

Entre imagens pacatas e até divertidas, existem outras que nos lembram que a vida não é tão simples assim.



1 . 2 . 3 . 4
A última nessa minha lista em ordem alfabética é a Li Higa. Se tem coisa que ela faz bonito é preto-e-branco e colorido, é retrato, paisagem e macro. Foto de noite e foto de dia. A Li dá um sentido estético para o que se mexe, gente, animal e para o que está estático. Ela é desses casos que contrariam o uso da palavra natureza morta. O nome mais certo e mais bonito para o que está ali, parado, objeto ou vegetal devia ser como em inglês: still life; ainda vive.

11 comentários:

  1. maravilha de postagem.
    bacana homenagear aqueles que, além de amigos, são extremamente talentosos.
    :o)

    ResponderExcluir
  2. Faço das minhas as palavras da Janine aqui de cima.
    E ó, você me emociona, Bárbara Carneiro.
    :*

    ResponderExcluir
  3. Com todas essas referências é impossivel não se apaixonar por fotografia!
    Adorei os trabalhos, todos muito bonitos, cada um à sua maneira... do jeito que eu gosto ;D

    Beijos

    ResponderExcluir
  4. Que texto mais lindo e afetuoso, Babi!
    E que bela escolha de fotos...!
    Lindas que nem quem as escolheu... :)
    Beijo grande

    ResponderExcluir
  5. Acho fotografia de rua um super desafio. A gente acaba exercitando mais quando viaja ou sai da zona de conforto, por isso acho incrível o fotógrafo que sabe trabalhar isso no dia a dia. Lindas imagens e lindas inspirações...


    Camila Faria

    ResponderExcluir
  6. Hey ^^

    Lindo!!! A forma de captar cada imagem é única de cada artista.

    Xxx

    :: Loma

    ResponderExcluir
  7. Adoro a forma que você retrata tudo e todos. Seleção linda de fotos. Adorei!

    ResponderExcluir
  8. puxa, as fotos do Fagu sao demais..eu sempre imaginei que ele criava todos aqueles cenários pq nao é possivel!!! haaha as cores e tudo mais tao harmonioso! so conhecia o trabalho do fagu e da flavita... vou correndo ver dos outros. otimas indicações Babi!! :D

    ResponderExcluir