quarta-feira, 3 de agosto de 2011

vinte-e-quatro vezes por segundo

As férias vieram e partiram dum jeito tão estranho que o mínimo que eu poderia fazer por elas é vir aqui nesse canto e lamentar um tantinho. Não que tenham sido ruins. Apenas parecem que não foram. Minhas notas foram entregues em prazos loucos, só não trabalhei na última semana de julho e tive peso na consciência todas as vezes que quis procrastinar. Não que o peso na consciência tenha sido minimamente impeditivo, mas foi graças a ele que saí vendo filmes como se não houvesse amanhã, inclinada por uma "filmografia básica" de uma das minhas disciplinas nesse semestre. Como demorei pra sacar que as férias tinham começado, só desliguei do mundo mesmo no último fim de semana, quando viajei pro interior. Sou uma garota sem paciência com poesia de Vinícius. Por isso, não me digam que as férias foram eternas enquanto duraram, porque nossas noções de eternidade são muito diferentes.





Não sei se algum outro filme do Hitchcock vai conseguir me deixar em tanto pânico como Psicose conseguiu. Janela Indiscreta (1954) é muito menos apavorante, mas usa recursos ótimos para que o suspense paire sobre o quarteirão. L. B. Jeffries (intepretado por James Stewart) é um fotógrafo de jornal que se acidenta no trabalho e fica em repouso em casa por algumas semanas. Nesse período, ele se torna o típico futriqueiro de plantão, parado na janela, pronto para espionar seus vizinhos (tédio sem internet (meus vizinhos curtem)). Ele começa a suspeitar da atitude de um dos moradores do prédio à sua frente e utiliza seu binóculo e depois sua lente tele-objetiva para acompanhar os passos do homem. No meio disso tudo, ainda cabe aparição do Hitchcock, o senso de humor da enfermeira e o romance conturbado com Lisa, interpretada por Grace Kelly.

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Quando assisti Persona, do Ingmar Bergman, disse que, se existe uma lista dos meus filmes favoritos, ele era um deles. Hiroshima mon amour (1959) trouxe essa lista-inexistente à tona. Dirigido por Alain Resnais e com roteiro de Marguerite Duras, o filme é perturbador no seu modo de tratar da guerra, da bomba atômica, dos amores e dos lugares. Os escritos de M. Duras me dóem daquele jeito bonito e o filme foi assim também. É envolvente como uma história de amor, mas destruidor quando mostra a miséria humana, em tão diferentes graus.

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Depois de uma perseguição, de alguns cortes na edição, de uns pulos temporais, do surgimento e sumiço de personagens sem muita explicação, avisei à minha mãe que era filme do Godard. Nenhuma análise fílmica mais apurada justificaria naquele momento o estranhamento causado pela seqüência. Acossado (1960) tem um nome terrível, principalmente depois que o google te conta que em inglês o filme se chama Breathless. Super confundo Acossado com O Encouraçado Potenkim, que também é um nome tristíssimo para um filme (aliás, genial).

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Ladrões de bicicleta (1948) também tem um pé na Segunda Guerra Mundial, mas depois de seu término. A guerra não é tema do filme, é um elemento que se supõe quando, na Itália, Antonio Ricci precisa de uma bicicleta para conseguir um dos raros empregos disponíveis. Andando pela cidade com o filho, Bruno, a trama de Antonio percorre caminhos de pobreza e desigualdade social. Sua falta de sorte, aliada ao desespero do chefe-de-família num ambiente social conturbado, é motivo suficiente pra comover quem assiste.



Fora de casa, assisti a duas sessões do Festival de Cinema Latino-Americano e a uma do Animamundi. Achei digno colocar imagem do cartaz do Festival porque não é todo mundo que faz uma referência à capa do álbum Todos os olhos do Tom Zé sem ir ao fisiologismo de fato...

E, no Animamundi, dois dos meus vídeos favoritos foram também os da marina.
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O céu no Andar de Baixo.


BIG BANG BIG BOOM, 2010, Itália.
Dicas para quem quiser postergar coisas no semestre, para quem não tem semestre com que se preocupar ou para quem não tá afim de ficar suficientemente entediado para pegar a tele-objetiva que tem no armário e investigar a vida dos vizinhos do outro lado da rua.

8 comentários:

  1. Ai, eu tenho vário filmes pra assistir mas não consigo ):
    Adorei seus resumos, agora vou querer ver todos, ou seja, daqui uns anos acho que termino.
    hehehe

    As animações são muito boas, a primeira eu não conhecia.

    Beijos!

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  2. Aiai... mais alguns para a minha lista de "filmes que quero assistir":)
    Ainda nem vi Psicose, estou bem atrasada quando o assunto é cinema hehe
    ah... adorei o título da postagem!

    beijos

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  3. deu vontade de ver uns filmes diferentes, como esses :)

    ladrões de bicicleta eu vii, e amei!
    saudades de quando eu era mais 'cult', lia e assistia coisas fora da internet... vou tentar retomar isso.

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  4. Não entendi se você gostou ou não de Acossado. É um dos meus filmes preferidos de todos os tempos (apesar de preferir Truffaut a Godard) e Jean Seberg é minha musa!


    Camila Faria

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  5. Assisti Janela Indiscreta e achei ótimo. Grace Kelly é musa. Achei The Birds do Hitchcock mais sinistro do que Psicose. Aqueles sons de asas, sei lá... vi há um tempo, e esses dias estava falando com uma amiga que não tinha visto e resolvi procurar alguma cena no youtube pra mostrar pra ela e quase tive um treco quando revi. hahaha. sei lá, aqueles pássaros mexem comigo. :( Gostei das outras dicas, estou pra ver alguns desses filmes faz tempo. Obrigada pelo empurrãozinho. Beijos

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  6. Que blog perfeito!
    vou voltar aqui sempre! amei os posts, parabéns de verdade!


    te espero lá no http://fugindodarotina.com/ combinado ? beijooos :*

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  7. De uma maneira ou outra, é sempre bom fazer o que gostamos nas nossas férias. Eu por exemplo assisti as 6 temporadas da minha série (NOVAMENTE!!!) hahahah. Queria mais férias.

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  8. ahahahahaha adorei seus favoritos! ;)
    quero assistir "O céu no andar de baixo de novo" e num acho completo...

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