quinta-feira, 26 de maio de 2011

criativos comuns

still life

Sair da cidade às vezes não é possível. Sair é o passo mais difícil. É carregar consigo um mundo e transportá-lo para outro lugar, nem sempre receptivo. Sair é ir além do conhecido, já nos ensinaram os nômades ancestrais. Pra sair não basta coragem; é preciso algo mais: ímpeto.

A cidade nasceu da soma das vertigens, das veias auríferas abertas nas encostas das serras, das mãos de homens dispostos a tanto. Os homens criam raízes, nem sempre tão profundas quanto gostariam. Os homens dependem de muitas coisas, e a seiva se interrompe. A seca está em tudo. Tá na falta da chuva, ou no fim do ouro, ou na falta de emprego. Rareia; no chão de areia, nas vilas ricas, nas selvas de pedra.

Os que não podem partir esperam notícias dos que foram. Alguns esperam por toda a vida. Outros, para além dela. E, presos em seus túmulos, só lhes basta o conforto das flores, de fibra sintética, de plástico mal arrematado. Só lhes resta a garantia de que a cidade quererá ser sempre a mesma. Fadada à eternidade. É preciso ter cantarias firmes, duras para suportar um peso desses sobre si.




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O grupo de criativos comuns: Tamires, Ísis, Roger, Carol, Ju, Rafa, Caio, Léo, Feijão e eu.

Dessa vez o intuito da narrativa que tivemos que escrever era fazer parte de um diário de bordo sobre a nossa viagem para Ouro Preto. O pessoal do grupo mandou seus textos e compusemos um cadernim, em A5, para entregar para o professor. Foi um mini-sufoco romper com a forma tradicional A4 dos trabalhos acadêmicos na hora de imprimir, porque a impressora da faculdade tinha algumas configurações nesse formato. Não fosse o monitor persistente e que ficou cortando as folhas na metade comigo, eu teria que voltar ao tradicional. Deixando registrada aqui minha gratidão, já dita ao vivo (até porque o homem nem sabe que eu tenho um blog).

Depois de uma aula sobre cultura digital, em que discutimos, entre outras coisas, o conceito de creative commons, achei que seria válido fazer uma versão em pdf baixável para que o acesso fosse livre e irrestrito. Aproveitei para migrar o pdf também para o Issuu e possibilitar a visualização online. Outros benefícios da versão online foram eu ter corrigido erros ortográficos que encontrei na versão impressa pronta (shame on me, que tinha perdido alguns ao longo do processo) e a incorporação de mais um texto e uma foto.



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Um outro grupo, o do coletivo Tacitistas, fez diretamente no formato virtual, o que demandou deles um pensar e organizar graficamente o trabalho Ouro Preto de muitos caminhos de uma maneira diferente. Eu, particularmente, achei o trabalho que eles fizeram bastante eficiente na proposta; ao mesmo tempo bonito e inovador.




Por fim, um diálogo virtual sobre o uso de narrativas no ensino de história.
Dois textos e uma proposta (parte II) e Análise documental

6 comentários:

  1. Não li todo o trabalho, mas, no geral, adorei a idéia!
    As fotos estão lindas e disponibilizar o pdf pra todo mundo é ótimo.
    Parabéns (:

    Beijobeijo

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  2. Dayane Nascimento27 de maio de 2011 11:33

    Confesso que fiquei curiosa quando vi o seu diário de bordo chegando nas mão do Maurício, gostei da idéia de fugir do "formato tradicional". Gostei ainda mais quando o vi por dentro. Vcs fizeram um ótimo trabalho.

    Parábéns !!

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  3. Muito simpática a ideia de disponibilizar a visualização online do trabalho. Parabéns para todos os envolvidos!


    Camila F.

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  4. Que legal esse trabalho. Adorei as fotos, apesar de não ter lido todo (shame on me). Adoooro editoração.

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  5. Ficou tão, tão lindo.
    Vontade de mandar de imprimir tudo, colocar na gaveta, levar. De escrever diários de bordo - não acadêmicos - mas tão bonitos quanto.
    Vontade de registrar, de narrar.

    Inspiração.

    :)

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