segunda-feira, 25 de abril de 2011

sobre a cidade e sua gente

a cidade é sua gente

Um homem caminha pela rua, o sino toca três horas, seus olhos miram ao longe. Ali, um segundo homem, seu conhecido. O mundo acontecendo enquanto eles se recordam dos anos passados, da amizade corriqueira, dos bolos de fubá que comiam sentados à mesa da cozinha. O tempo passara para ambos. O tempo, na verdade, passara para todos. Só a cidade que não viu. Só a cidade não podia ver, em seus olhos uma venda, em seus ladrilhos a areia da ampulheta se dispersara.

As pessoas ao redor não são as mesmas. São muitas, ficam por pouco tempo. Alguns – de antes – partiram, não lhes bastava cuidar dos assuntos da gente efêmera. O dinheiro vem de fora, às vezes não o bastante. A cidade não vê, mas sente. A cidade é sua gente e sua gente às vezes não sabe quem é.


A proposta era a seguinte: cada grupo de trabalho escreveria uma narrativa sobre as impressões de Ouro Preto. Esse texto seria apresentado em uma leitura dramática para o resto da turma e era preciso ter cenário e sonoplastia, além de durar um minuto. Depois de uma discussão de vinte minutos, esse foi o texto que eu escrevi. Logo, ele só existe porque o grupo era incrível e o professor nos permite ser críticos e criativos.

Já Manuel Bandeira diria que "Ouro Preto é a cidade que não mudou e nisso reside seu incomparável encanto".

9 comentários:

  1. Poxa... tô impressionado. :)
    Trabalho bacana, resultado lindo. (somados às outras variáveis que possibilitaram, claro)

    (e também: como eu nunca tinha visto seu blog? muito legal!)

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  2. Eu juro que fiquei emocionada, Babi.
    Eu não conheço Ouro Preto (só a Ouro Preto dos livros, das aulas de história, das conversas com amigos), mas não a Ouro Preto-cidade-frente-aos-meus-olhos.
    Bonito ter uma visão tão poética assim de lá.
    Já vou me preparando para uma futura viagem. :)
    Beijos, Paulinha

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  3. eu conheço Ouro Preto de uma tarde chuvosa
    e faz tempo...linhás o tempo é meu amigo o segrêdo guardo, consigo e migo...tempo-rei

    o texto é bonito e poético
    se encaixa em SLP também...onde os nativos falam entre fubás e caezin, prosa gostosa de se ouvir...diaeto brasileiro, esperanto de amor
    bjo Babi

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  4. concordo com o Paulo; muitas vezes a gente pensa bem parecido...rs
    eu sempre afirmo que "não existe 'se' para o passado", o que foi feito, foi feito, só existe "se" para o futuro, as conjecturas, leias da física e infinitas possibilidades que o caminho oferece.
    nossas próprias escolhas ditarão as encruzilhadas.
    já caminhei pelas pedras antigas de ouro preto, muito, na década de 80.
    lá se vão 20 anos que não apareço por lá.
    imaghino que o casario, a bruma da madrugada, o frio da noite, os passos silenciosos dos fantasmas, esses permanecem mais ou menos iguais; eu e todas as pessoas, passamos com o tempo, ficamos para trás; mas o tempo imaginário, esse intocado, reside vivo em mim.

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  5. guria, que delícia de texto! garota bombril ;)

    :*

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  6. foi uma viagem tão boa, um trabalho tão bom, uma convivência tão marcante...

    foi e é.

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  7. Muito interessante e tocante o texto Babi. Queria ouvir com cenário e sonoplastia também...


    Camila F.

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  8. A foto encaixou perfeitamente no texto.
    E preciso dizer que estou toda me sentindo pq vc disse que o grupo era incrível =)
    A viagem foi mesmo o máximo e eu ainda estou impressionada com o quanto o nosso grupo se entrosou, principalmente nessa atividade. Realmente, fomos incríveis!

    Beijos!

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  9. Incrível o seu texto, Babi. Incrível mesmo, de uma maturidade e uma sensibilidade impressionante. Estou admirada.
    A foto está linda, parece que fala com a gente. Libera o resto das fotos que eu sei que vc deve ter aos montes ;)
    Sobre SP foi uma delícia, fui na exposição do Escher, que realmente tava uma bagunça, mas valeu a pena. Acabou que não fui o Ibirapuera, porque uns amigos foram antes e disseram que estava muito cheio. Mas fiz um monte de coisinha gostosa lá. Comi bem, namorei bastante e fiquei observando esse povo que mora em sp, que eu não consigo nunca defini-los. Um mistério sempre. Muito obrigada pelas suas dicas! Um beijo enorme!

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