terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Más libros para más

(por Caio)

Ontem fui à Biblioteca Nacional da Argentina, que reabriu após um período de recesso que comeu todo o mês de janeiro e alguns dias de fevereiro. O prédio é imponente e começou a ser projetado na década de 1960. No entanto, a acreditar no que diz o site da Biblioteca, a construção só terminou em 1992 (!).

Na entrada, preenchi um papel que me identificava como leitor e serviria para minha locomoção dentro do prédio. Pelo que entendi (conferirei isso hoje), sempre que uma pessoa entra na Biblioteca, preenche esse papel. Preenchi, ouvi as instruções e corri para entrar no elevador - que é extremamente necessário na maior parte dos casos, porque é um prédio alto.
No quinto andar saltei e subi uma rampa para chegar ao sexto andar, onde fica o setor de referências e inscrição para pesquisadores. Lá, uma moça encrespou comigo porque entrei com a mochila nas costas, o que rendeu também uma bronca para a guarda que me deixara passar. Ponto a menos para mim, que já tinha sido instruído a colocar a mala em um dos lockers do quinto andar. Fiz isso, pedi desculpas à guarda e subi novamente.

Aí começou uma vaga kafkiana que sintetizarei, porque senão fico até amanhã desabafando. Os fatos são: preciso consultar um fundo documental que aparece como disponível no sítio da Biblioteca; a pessoa que me atendeu não conhecia o fundo; quem cuida das coleções não estava presente; dez minutos de ligações internas serviram para me fornecer dois nomes, dois telefones e uma orientação de descer ao segundo andar para conversar com alguém da administração; lá, mais 15 minutos (juro que não exagero) de ligações internas que me forneceram um outro telefone, além de uma agradável conversa com um moço e uma moça simpáticos que me disseram que ali as coisas eram meio bagunçadas, mesmo e que todas as pessoas relacionadas ao fundo que eu procurava estavam em férias; a moça simpática e bonita me guiou até a porta da escada e disse para eu subir para o terceiro andar e conversar com uma pessoa, que, no fim das contas, me passou o e-mail do responsável pelo fundo, que retorna de férias na semana que vem.

Ufa. Além de tudo isso, minha carteirinha de pesquisador só fica pronta no fim da semana, o que significa que só poderei consultar livros e periódicos abertos ao público geral. Existem, nesse rol de coisas, alguns livros de que preciso, mas são poucos.

Conversando com uma pessoa que participou do projeto editorial que pesquiso, vendo os livros que editaram, os primeiros exemplares, vendo como continuam baratos, apesar da raridade, gosto cada vez mais de estudar a trajetória de José Boris Spivacow. Más libros para más era o lema do Centro Editor de América Latina, fundado por ele em 1966. Antes, Boris havia sido o gerente-geral da EUDEBA - Editorial Universitaria de Buenos Aires -, cujo lema, em sua época, era Libros para todos.

Libros para todos.

3 comentários:

  1. Pena que o lema não seja adotado aqui no Brasil...

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  2. Pena que ele não era um editor brasileiro. Pena ter morrido antes de eu mergulhar nessa maravilhosa profissão. Pena o Brasil não ter cultura para isso.

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  3. Nossa...eu me arrepiei inteira com seu último paragrafo! Estou muito feliz por vc meu amigo, muito mesmo!

    Beijos e saudades!

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