quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

I was only waiting for this time to arise



The language yo hablo de Dito Efeito


Trouxe comigo um caderno e canetas. Quero um diário de viagem. Como o Caio deu um tempo no blog dele, talvez escreva por aqui também. Fiz um banner pra esse tempo que passarei aqui, e o rio a que me refiro é o próprio Rio da Prata. Grande, encantador e um claro referencial geográfico.



Bién, llegamos a Buenos Aires y yo no hablo español. Faton. Meu sotaque e as palavras do meu suposto espanhol fazem parte desse novo idioma que eu invento por pura necessidade. Ainda existe espaço para a comunicação entre latinoamericanos que falem idiomas diferentes se houver paciência, mímica e falas pausadas.

Os aviões eram pequeninos e balançavam o suficiente para que não nos esquecêssemos de que estávamos há alguns metros do chão. Chegamos ao aeroporto de Montevidéu, e passamos por uns procedimentos de segurança meio sem sentido, uma vez que já havíamos passado por máquinas de raio-x instantes antes de embarcar em São Paulo. Há duas possibilidades para que os passageiros em conexão precisassem passar por isso: as autoridades aeronáuticas uruguaias não confiam nos procesimentos brasileiros OU acreditam que seja facim, facim construir uma bomba entre uma cidade e outra, dentro de um avião.

Saímos dessas esteiras (aliás, a chave no meu bolso que não tinha sido acusada em São Paulo, foi detectada em Montevidéu. Shame on me!) e caímos direto em um duty-free gigante. Dois perdiditos que somos, eu e o Caio começamos a procurar o balcão da companhia aérea. Mentira. Eu fui ao banheiro com muita pressa e a descarga é dada sozinha. Buenos. O aeroporto então parecia um shopping (o duty-free), que por acaso oferecia alguns vôos em horários espaçados. Uma dificuldade clara também é chegar num país sem saber a cotação da moeda deles e ter que entender por que um refrigerante custa setenta dinheiros. A vista do avião, tanto de Montevidéu quanto de Buenos Aires, é uma lindeza. Imagino que seja assim em lugares com uma forte colonização espanhola naqueles séculos passados. Os portugueses talvez não desconfiem, mas sua mania de fazer a arquitetura da cidade se adaptar aos morros para que servissem de fortificação não são um agrado nem aos olhos nem aos ciclistas (tô nessa vibe de pedalar e sofro um pouquito com essas ladeiras descendo o Brasil).

Os primeiros momentos em Buenos Aires foram um tanto quanto caóticos. Chegamos a essa cidade sem horário de verão no horário de pico, pegamos um táxi na porta do aeroporto. O carro cheirava a cachorro molhado e o taxista cometia algumas imprudências. Quando eu pensei "Nossa, esse cara tá bem louco", um ônibus bateu na gente, raspou toda a lateral. O Caio ainda pensou "Ufa, acabou", mas era um ônibus biarticulado, o que nos deu mais um tempinho de agonia. Enquanto o taxista tentava se resolver com o motorista do ônibus, eu disse ao Caio: "Vamos sair daqui e ir a pé". Pagamos o trajeto até ali e caminhamos. Caminhamos. Caminhamos até o Caio se dar conta de que estava indo pelo trajeto errado. Entra no metrô, pede informação. Volta. Por ora, posso dizer que uma primeira vista antropológica e sociológica do bairro em que estamos já foi feita. Muitas vezes inconscientemente, mas esse é um problema da galere de humanas, o vício por análise (o passo seguinte é a crítica. Vamoquevamo).

5 comentários:

  1. Com emoção, senão não tem graça né? ;)

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  2. TENSO esse início heim?
    Boa sorte pros próximos dias!

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  3. "Por ora, posso dizer que uma primeira vista antropológica e sociológica do bairro em que estamos já foi feita. Muitas vezes inconscientemente, mas esse é um problema da galere de humanas, o vício por análise". VERDADE!

    Viagem com emoção é sempre melhor, ainda mais quando o idioma atrapalha. rs

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  4. No momento posso apenas dizer que se eu estivesse apenas em Montevideo já estaria ultra feliz. Outro finde por aqui. Vou tentar pôr emoção, já que não tem trabalho. Por enquanto. São quase 6 da tarde, por aqui. Mooooorta de vontade de pegar um voo. Mas não vou. Motivos óbvios me impedem. Curtam.

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  5. Se fosse comigo acho que teria estragado todo o começo da minha viagem e eu ficaria com um mau humor terrível!
    Coisas que preciso trabalhar! haha

    Mas tá tudo bem agora, né?! :)

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