terça-feira, 9 de novembro de 2010

todo artista é agora como toda revolução: um prisioneiro da autoconsciência


Todo artista é agora como toda revolução

A Revolução Francesa não se pretendia revolucionária. A primeira vontade dos que se revoltavam não era a queda da monarquia. Não fosse Luís XVI ter tentados fugir com Maria Antonieta pra Áustria, havia grandes chances de suas cabeças terem continuado sobre seus troncos por muito mais tempo. Ao longo da História, porém, as revoluções vão ganhando consciência de sua possibilidade de transformação e os revolucionários assumem-se como tais. Em 1917, na Revolução Russa, tanto mencheviques quanto bolcheviques já se diziam contra o czarismo de forma revolucionária. Os bolcheviques, porém, mais radicais. Em 1910, a Revolução Mexicana. Em 1959, a Revolução Cubana (que só anos depois assumiu-se socialista, para se alinhar ao bloco soviético, opondo-se ao bloco capitalista encabeçado por Estados Unidos).

Em 1964, no Brasil, o golpe é chamado de revolução, quando era uma contrarrevolução preventiva, desencadeada pelo medo de uma possível revolução socialista. Em maio de 68, os jovens vão para as ruas - sobretudo em Paris - e muitos dirão que o que aconteceu naquele momento foi uma revolução cultural, ainda que não se tenha modificado a política ou a economia. De repente, tudo é revolução porque a autoconsciência sobre o processo histórico supera o próprio processo.

Com sete fotografias feitas com técnica de dupla exposição, pretendo questionar a indefinição do objeto pelo artista. O artista, em sua prisão da autoconsciência, está condicionado a ser artista antes muitas vezes de se questionar suas escolhas estéticas e de entender sua concepção de arte.

Essa exposição é (claro!) autobiográfica. Feita por uma pessoa que quer pensar arte antes de dizer que a executa. E que muitas vezes fica paralisada sem conseguir definir o que executar.

(o convite no alto da página é um oferecimento da Sammn)

Um comentário:

  1. Fiquei tão feliz com o resultado final ds sua exposição que você não faz idéia. Foi bonito ver a idéia nascer, crescer e agora estar assim.
    Hoje tive uma pequena participação numa exposição de fotografias aqui na UNESP e lembrei da sua na mesma hora.
    Acho que sua forma de pensar arte é tão bonita quando o resultado final de seu trabalho :)
    Beijos, Babileta.

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