sexta-feira, 22 de outubro de 2010

não há promessas.

Na minha aspiração a artista, posso suportar todos os adjetivos, menos um.
Promissor.
Não quero nunca ser chamada de artista promissora. Não há promessas em meus processos criativos; há expectativas, que podem ou não ser alcançadas, ali mesmo, na obra feita. Mas não há uma vontade de amadurecimento. Quando vejo em algum lugar "O jovem cineasta é promissor", "uma fotógrafa promissora", tenho vontade de me afundar no concreto. Usar essa qualidade é desconsiderar a relevância presente da produção da pessoa e acreditar que ela ainda precisa chegar a algum lugar. A teleologia não me agrada, essa mania de achar que algo-sempre-leva-a-alguma-coisa. Tenho medo pelos artistas "promissores", porque, se eles se afastarem por qualquer motivo de sua arte, não terão produzido nada relevante, só promessas. Não são os 20 anos que tenho que determinam o quanto sou definitiva. Até porque não me pretendo definitiva e acho que isso de algum modo me define. A inconstância do que gosto, do que penso, do que produzo (quando produzo). Eu posso fazer coisas boas, coisas ruins, mas espero que nunca digam "babi, você é uma artista promissora". Seria frustrante.

Acabei de separar as fotos que vou expor mês que vem e isso me deu uma sensação gostosa de ser-artista, de pensar-arte. Mas acho que o ser-artista também não é imutável. Não somos artistas por natureza. Somos artistas se produzirmos arte. E aí você vê o que acha que "Arte" significa e aponta quem é artista ou não. Assim mesmo, subjetivamente.

3 comentários:

  1. Sabe que nunca tinha pensado assim, por esse lado?

    Mas depois dessa reflexão, nunca mais vou pensar na palavra promissora com os mesmos olhos.

    Faz todo o sentido, o que você disse, e me faz pensar muito.

    Por exemplo "até onde queremos que as pessoas cheguem?" ou "qual é, de fato, o ápice do artista?".

    No fundo, acho que quase todos estão esperando. Esperando ver alguém chegar a algum lugar, esperando algo acontecer, esperando que aquela novidade boa que dá frio na barriga vire outra coisa, que ninguém sabe o que é.

    E tem aquela fome de futuro, né? Ninguém pensa o hoje, o agora, o momento. É sempre o futuro.

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  2. Apesar de enxergar outros conceitos - além desse - dentro da palavra promissor, entendo seu ponto de vista. Entendo essa estranheza e essa descrença em esperar sempre um depois de tudo e todos. Até porque tem gente que só vive esperando o depois e o reconhecimento dos outros e acaba perdendo todo o tempo de agora...
    E lindo, Babi, lindo: "E aí você vê o que acha que "arte" significa e aponta quem é artista ou não. Assim mesmo, subjetivamente." :D
    Beijos, Paulinha

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  3. Acho que entendi o que você quis dizer. É como forçar a natureza da pessoa a estar sempre no caminho, bitolada a ter sucesso e esquecendo de aproveitar a viagem, sem curtir de verdade o que se faz.

    Espero então que ninguém nunca se refira a você como promissora, e caso o fizerem, que você sorria e responda: "Deus me livre!!!" rs

    Beijo e bom inicio de semana!

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