sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A desobediência civil


Discutir política em um blog como esse é algo vão, um contra-senso. Os debates políticos entre blogs não me parecem debates, mas sim solilóquios. Os comentários de leitores, via de regra, acabam carregados de ódio; isso quando não caem em um mero voyeurismo, em uma porção de pessoas lendo coisas sem estabelecer relações muito sólidas em debates políticos mais consistentes.

Como tenho preguiça de pessoas com ódio partidário, e como acredito que a maioria dos debates políticos feitos pela internet são recheados de preconceitos de pessoas que não têm vontade de superá-los, resolvi lembrar um livro que li ano passado, do Henry David Thoreau, chamado A desobediência civil.

Conheci o autor numa aula que vi de ouvinte, sobre a sua obra Walden, que conta a história da construção da casa do autor perto de um lago, dentro de um bosque nos Estados Unidos. Thoreau escreveu A desobediência civil quando foi preso por sonegação de impostos e esse era um posicionamento político seu. Contrário às investidas militares do seu país e à manutenção da escravidão no território estadunidente, Thoureau desenvolveu uma resistência civil, individual ao governo com o qual não concordava.

O texto é cativante. Thoreau é considerado uma das grandes influências dos movimentos de revolta pacífica, como aqueles liderados por Mahatma Gandhi e Martin Luther King no século XX, além de pensador anarquista. Acho importante entender que anarquismo é um movimento político também, porque muitas pessoas acham que carregar o símbolo anarquista é rebelde por dizer "não ligo pra política"; os anarquistas também tinham (tem?!) seus projetos políticos, ainda que negassem a importância do governo, da religião e da família.

Thoreau não é um autor muito querido por várias correntes políticas, uma vez que a sua revolução é feita no âmbito individual (o que feriria a idéia marxista de luta de classes, que culminaria em revolução), e negando o Estado, as guerras e os impostos (o que, por sua vez, agride as concepções liberais em vigor, e as de bem-estar social também). As idéias dele podem ser fascinantes, e encantadoras, mas não sei até que ponto seriam viáveis, possíveis de serem adotadas pelas pessoas. Afinal, acredito que o Estado é uma construção necessária para grande parte da população, e não há substituição a ser feita de modo unânime a essas dominações que o autor acusa no século XIX e que não estão tão distantes de nós (a escravidão talvez esteja, em termos jurídicos).

Na melhor das hipóteses, o governo não é mais do que uma conveniência, embora a maior parte deles seja, normalmente, inconvenientes - e, por vezes, todos os governos o são.

Um comentário:

  1. Eu não conhecia o livro e nem o autor, mas acho que concordo e discordo em vários pontos. Eu não sou a pessoas mais capitalista do mundo, mas ainda acho que para mudar o sistema que temos hoje seria quase necessário que o mundo começasse de novo. É complicado falar em socialismo, anarquismo e doutrinas assim num mundo que tem a mentalidade do nosso. Ou seja, eu acho que são sistemas que tem doutrinas boas, bem estruturadas, - e que pecam em vários pontos também - mas que infelizmente são utópicos para essa nossa sociedade atual. O que não me faz discordar da luta que eles empregam em vários setores, porque afinal, nenhum sistema é 100% correto e o capitalismo está há milhares de anos-luz de ser assim...

    ResponderExcluir