quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O Tico-Tico


Semestre passado, fizemos um trabalho sobre uma revista chamada O Tico-Tico, que foi publicada entre 1905 e 1962. A grande influência da revista parece ter sido a francesa La Semaine de Suzette, publicação que contava a história de Bécassine. Embora não fosse a primeira revista voltada para o público infantil, O Tico-Tico, foi a primeira a ter grande destaque, atingindo 2.097 exemplares em mais de 50 anos de publicação.


Bécassine
Um mês antes do lançamento da revista, em anúncio publicado em O Malho (revista do mesmo grupo editorial de O Tico-Tico, mas voltada para o público adulto), especificava-se a expectativa dos editores quanto a seu público: “Meninos de até doze anos de idade”. Apesar disso, havia na revista seções específicas para meninas, que traziam informes sobre moda e moldes de costura. Na edição de 15 de novembro de 1911, a chamada "Secção para meninas" restringia-se a ensinar a costurar uma camisa de dormir para bonecas. É curioso ver, no entanto, que poucas páginas antes aparecia a partitura e a letra de uma cançoneta chamada "A feminista", com indicações claras de que a personagem que a cantasse deveria estar trajada como homem, lutando por igualdade nos direitos políticos.

A revista, vista como material de apoio para a formação de cidadãos, tinha em seu público o alinhamento com a possibilidade de participação política no Brasil da época: homens, de determinada classe social.


O curioso nisso tudo foi uma associação que fiz em uma aula da licenciatura. No começo do século XX, então, a revista pretendia falar com um grupo de pessoas que seriam os eleitores dentro de alguns anos. Hoje em dia, o ensino fundamental é obrigatório para crianças a partir dos seis anos de idade e o não cumprimento dessa lei é considerado abandono intelectual por parte dos responsáveis. Ao mesmo tempo, no Brasil, o voto é obrigatório. Essa análise, no fundo, foi só uma associação mental relacionando a educação e a participação política no país, já que, como futuros professores, passamos anos tentando entender a interferência da sociedade na escola, e vice-versa (relação que provavelmente nunca será explicada por completo).

3 comentários:

  1. Que máximo trabalhar com esse material Babileta!
    E é o máximo também ver como eles enxergavam longe, preparando pessoinhas tão jovens para o voto.
    Beijos!

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  2. É de tirar o chapéu uma revista assim! Enquanto lia seu post me veio à mente a "Mafalda" e sua pequenez apenas no tamanho, já que sua noção de cidadania e política iam bem além da de muitos adultos...

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  3. Que revistas incríveis! Se antes havia uma tentativa de politização (ainda que não fosse acessível a todos), não sei se existem iniciativas parecidas hoje, nem como conscientização. Algo a se pensar.

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