quinta-feira, 1 de julho de 2010

as melhores coisas do mundo



Ontem, acordei com muito mau-humor. Uma mulher chegou depois de mim na fila do metrô e tentou entrar antes de mim. Fiquei em fúria por ela não respeitar o código de ética da ordem de chegada. Depois, comecei a escrever um texto que minha professora pediu. O problema é que o conteúdo é menos relevante do que o posicionamento político do que escreverei (ainda não consegui terminar). Não acho um problema textos que exigem posicionamento político. Problema mesmo é que ele tem que reafirmar o poscionamento da professora e não o meu. Para me confortar, mudei a fonte de Times para Arial, coloquei logo o espaçamento 1,5. Finjo ser mais produtiva com essas mudanças. Indo para a faculdade, percebi que a demanda por ônibus é maior do que o oferecimento deles. Percebo isso com frequência, sobretudo quando as pessoas começam a bater em ônibus lotados que não param no ponto e abrem à força suas portas. Logo, podemos inferir que: 1) as empresas de ônibus ganham mais do que investem (passagens a R$ 2,70, minhagente!); 2) contribuinte é tudo trouxa; 3) o trânsito dificulta a chegada do ônibus que a gente precisa; 4) é trouxa também quem acha que a Linha 4 do metrô será a salvação (sem previsão de entrega).


Até que finalmente cheguei a faculdade e as melhores coisas do mundo começaram. Encontrei o Caio e a Tamires e entregamos nosso trabalho final da matéria mais legal que já inventaram. A professora ficou conversando conosco, falando sobre outras boas matérias, contando do filho pequeno. É o tipo de professora que presta atenção nos alunos, sabe seus nomes, os e-mails que mandamos, os trabalhos sobre os quais comentamos ao longo do semestre.


Terminada a conversa, nos despedimos da Tamires e fomos para o shopping, jantar e ver filme. Comemos uma salada que por excesso de saúde nos deu vontade de comer um sanduíche da obesidade estadunidense. Compramos ingresso para As melhores coisas do mundo, da Laís Bodansky.


A Laís dirigiu Bicho de Sete Cabeças (seu filme mais famoso) e em 2006 assisti a uma peça dirigida por ela também, chamada Essa nossa juventude. No final da peça, rolava bate-papo com o elenco e com a diretora.


As melhores coisas do mundo é um filme que retrata a adolescência e tem o universo escolar como fundo. Surpeendam-se: não é um filme à la Malhação. Os protagonistas não beiram os 30 e fingem ter 15, não são modelos-manequins (à exceção do Fiuk que já é famoso - por causa de Malhação, certo?). Há um personagem principal, chamado Hermano (Mano) e, como todo adolescente que se preze, passa por diversos dilemas simultaneamente. Tem que lidar com a família, os amigos, o amor. E lida de forma coerente. O filme não resolve os problemas racionalmente, deixa-os se desenrolar até que eles se concluam.


Sabe quando o Peter Pan entra na casa da Wendy em busca da sua sombra? Tenho a impressão de que eu sou assim, fico costurando sombras de Bárbaras passadas em mim, enquanto elas tentam fugir. E a Bárbara de 2006, com uns 16 anos, parece das que me é mais definitiva. Acho que estou onde estou hoje na minha vida por causa daquela guria que começou a tirar fotos, a desenhar histórias em quadrinho na sala de aula, que tinha um posicionamento sobre muitas coisas e que achou mais interessante para o mundo estudar para ser professora do que para ser jornalista. Quando alguém fala sobre a maturidade que temos hoje, sempre retruco. Madura eu era aos 15, 16, 17. Era o auge da maturidade. Tudo fazia muito mais sentido e eu tinha condições físicas, temporais e espaciais de cumprir todas as minhas responsabilidades. Hoje em dia é mais obrigação, sou responsável porque obrigatoriamente devo ser. Mas cada sombra em forma de Bárbara que costuro em mim é uma releitura do meu passado. Não é o meu passado em si mesmo; são narrativas tentando tornar as coisas ruins suportáveis e as boas essenciais.

4 comentários:

  1. acho eu, que essa babi que cumpre tantas obrigações vai ser super importante pra vc n virar uma adulta escrotinha (falei). conheço tanta gente que trabalha brincando com a vida dos outros, gente que não tem respeito pelo tempo dos outros - por consequência, pelos outros.

    :*

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  2. Me sinto honrada porque participei do backstage desse post, e diga-se de passagem que ficou lindo!Logo, tenho inúmeras coisas pra falar:
    Primeiro que a falta de ônibus municipais é um problema gritante. Aqui em Bauru se você não pegar ônibus não chega na Unesp (que é completamente afastada da cidade) e mesmo pra estudantes o preço cobrado é alto demais. :~~
    Segundo que eu fiquei entusiasmada com esse filme (e o site dele é bacana pra navegar) e vou colocá-lo na minha listinha de 'filmes pra assistir'.
    Terceiro que se eu fizesse um wallpaper no estilo seria muitíssimo parecido com o seu, principalmente por 'tirar muitas fotos' e 'viajar pelo mundo' (aliás, quem não sonha com isso?!)
    Quarto que é muito bom quando a gente pára pra pensar na nossas muitas fases e em como elas costuraram a pessoa quem somos hoje. Amadurecimento é um reflexo daquilo que vem lá de trás...
    Beijos, Babi.
    ps: meu comentário é uma bíblia.

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  3. clap! clap! clap! ;))

    "não é um filme à la Malhação. Os protagonistas não beiram os 30 e fingem ter 15, não são modelos-manequins" - adorei isso! rs

    ainda não vi o filme... mas só ouvi coisas boas sobre. pretendo ver em breve.

    :*

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  4. teve um bate papo com ela (lais bodansky) na faculdade um pouco antes do lançamento do filme. também uma super propaganda do mesmo porque parece que alguns professores eram super amiguinhos dela. ouvi elogios e críticas...mas, mesmo assim, até hoje não assisti ):

    (às vezes tenho a mesma impressão que você. há anos atrás tudo que eu fazia tinha bem mais sentido :P não poder aproveitar e fazer direito tudo que se tem/pode fazer por não ter tempo é o maior problema. vira tudo obrigação. provavelmente sentirei que o que faço hoje teve bem mais sentido do que estarei fazendo no futuro)

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