sexta-feira, 2 de abril de 2010

Sábado passado

Coloquei meu melhor tênis, a mochila nas costas e fui pra Avenida Paulista. Eu tinha resolvido passar em três lugares para ver algumas exposições, das 85 atualmente em cartaz em São Paulo. A idéia não era ter uma overdose de artes plásticas, mas ver a exposição do Chagall em seu penúltimo dia e aproveitar a disposição para ver outras que me apeteciam (e que no decorrer do semestre vão se tornando inacessíveis por falta de tempo). Por partes, então, o post:

MASP

Depois da fila para comprar o ingresso, fui para a sala no primeiro andar. Fui somente para a exposição de gravuras de Marc Chagall já que, como sabem, a nova exposição do acervo eu já tinha visto e não gostado.
As gravuras pareciam ter dois grandes blocos, as das fábulas e as das passagens bíblicas. Tinha outras sem essas temáticas também e foram as que mais me agradaram! Uma chamada "A cidade cinza" ganhou minha atenção. Achei genial a perspectiva que o artista dá na gravura, como se fosse uma fotografia tirada do alto.

A cidade cinza

Levei a câmera fotográfica, mas não a usei. Não se pode tirar foto dentro do Masp e nem podia em outras exposições. Ainda que muitos adorem tirar fotos na Paulista, acho que eu não estava muito no mood da fotografia. Estava muito mais contemplativa do que ativa.
No canto da exposição, um vídeo. Não sei se o som estava muito baixo ou se o barulho de fora estava muito alto ou ainda se acordei especialmente com dificuldade de audição naquele dia, mas tive que esforçar-me bastante para conseguir ouvir. O vídeo, porém, era belo. Um filme feito pelo Moreira Salles dos documentários (filho do Moreira Sales do Unibanco) que trata dos países em que Chagall viveu desde a União Soviética, em que era um homem importante da cultura no regime de Lênin e caiu fora no de Stálin, até sua passagem pela França e a fuga para os Estados Unidos com a II Guerra. O fim do vídeo é lindo, com ele respondendo qual é a coisa mais importante do mundo. "O amor". E a sua segunda esposa velhinha, como ele, sorrindo tudo. E ele chorando, emocionado.
Quando sua primeira esposa morreu, Chagall ficou anos sem pintar, tamanha era a sua melancolia. E entendo quando ele diz que o amor é a coisa mais importante do mundo, porque em seus quadros aqueles que amam voam. (e acho que também faço isso, distraidamente).



Onde vivem os monstros

Por falar em amor, o namorado me ligou e marcamos de nos encontrarmos numa livraria, porque ele precisava comprar um livro. Cheguei primeiro, e comecei a procurar "O poeta aprendiz", livro sobre o Vinícius de Moraes (particularmente, não gosto dele e poucas coisas me fizeram mais feliz do que ouvir de um professor do departamento de Letras que não acha o "poetinha" tudo isso também). O que me motivou a procurar o livro foram as suas ilustrações, feitas por Adriana Calcanhotto. Não o achei, mas achei "Onde vivem os monstros". Sentei-me confortavelmente em uma poltrona e li. O filme? Ainda não vi. Namorado chegou e fomos almoçar um PF (prato-feito) numa lanchonete ali perto.

Itaú Cultural

No Itaú Cultural, eu queria ver a exposição sobre o Hélio Oiticica. Mas primeiro nos deparamos com uma exposição sobre o Chico Science.
Já vi dois shows do Nação Zumbi e gosto bastante da participação deles no álbum acústico da Cássia Eller, cantando "Quando a maré encher". A metáfora de uma Manguetown se aplica a Recife, mas se aplica também a São Paulo. Aplica-se a quase todas as cidades, esse monte de caranguejo andando por entre becos, andando em coletivos, ninguém foge ao cheiro sujo da lama da manguetown! Pode-se dizer que Chico Science foi embora cedo (morreu em 97, no auge do movimento mangue, num acidente de carro), mas é preciso não deixar de lado o que o Nação Zumbi fez depois dele. Os álbuns ainda são críticos, as músicas ainda são fortes, a batida é sensacional (não consigo ouvir baixo, não consigo não cantar junto) e o show é transcendental!
No andar debaixo, a exposição sobre o Oiticica. Antes de mais nada, um comentário. O grupo Parangolé trouxe uma contribuição enorme para mim e não foi a música Rebolation (vou deixar vocês sem o link do hit do axé bahia desse ano). Eu tinha passado muito tempo tentando lembrar como se chamava o tecido performático que Hélio Oiticica instituíra na década de 70 (e que Caetano aproveitou bastante!). Parangolé.


Se não faz sentido para vocês, tudo bem. A obra de Oiticica não é facilmente explicada. Ele é um Duchamp brasileiro, mas mais racionalizado. Suas obras são arte pela arte, mas têm espaço de contestação. São fruto de uma época conturbada, de vanguardas, da Tropicália. Aos que gostam de moda, Oiticica também bolou uma bela estampa e fez um vestido: seja marginal, seja herói.



Sesi
Pularei o momento despedida com sorvete de iogurte que tivemos no SESC Paulista, porque ele fechou na última terça-feira até 2012. Fomos para o Sesi, para a última exposição do dia. De fotografias da Maureen Bisilliat. Coisa mais linda em forma de fotos, literatura e poesia!
Maureen nasceu na Inglaterra, mas isso pouco importa. Nas suas fotos estão pessoas que ela encontrou pelo Brasil e que associou com êxito a grandes escritores brasileiros. De entrada, Guimarães Rosa! Destaque pro retrato de Manuelzão do "Manuelzão e Miguilim". Depois, Jorge Amado. Depois, Euclides da Cunha. Depois, Villas-Boas. E depois João Cabral de Melo Neto. Não sei mais se era essa mesma a ordem, mas também, pouco importa. Apaixonei-me, em especial, pela série "Pele preta". E mais especialmente ainda pelos retratos de um menino com asa de borboleta, às vezes só, às vezes aninhado num senhor (talvez seu avô).
Guimarães Rosa chamou-a de "cigana irlandesa". Não é difícil achar suas fotos pelo Google, mas quem puder, deve ir à exposição. É pra encher a alma de beleza!

5 comentários:

  1. agora apague meu comentário anterior e leia esse:

    bonito².

    você tava mais contemplativa nesse dia, mesmo.

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  2. Olá Babi :)
    obrigada por passar no meu blog :)

    Que post supercult! Haja pique para tanto museu/arte. Eu gosto muito de ir ao museu, mas não sei porque essas coisas me cansam. Talvez porque seja denso demais para minha pequena cabeça oca :p.

    Não gostei da gravura do Chagall o_o Mas o quadro é uma graça! E o videozinho, aposto que era bom também. Bom para ele que seja artista de coração mesmo. Tem tanta gente forçando inspiração por aí...

    Não sabia que a Calcanhoto desenha! Fiquei curiosa!

    Maureen Bisilliat. Gostei das fotos que vi no Goggle, principalmente as B&W :)

    o/

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  3. Adorei as dicas. De verdade mesmo.
    Faz muito tempo que não vou ao museu. Adoro ver exposições, além do mais, preciso de pontos extras para as atividades complementares da faculdade. Vou anotar tudo e separar um dia para ir.

    Beijos.

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  4. Adorei o blog! E belo roteiro o seu! Quando vi Chagall no Masp, saí totalmente inspirada.
    Obrigada por ter passado lá no meu.
    :)

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  5. Ah! E suas fotos são ótimas!
    ;)

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