quarta-feira, 14 de abril de 2010

Careta

Acho curioso como o termo "Vintage" é usado para quase tudo que remeta do século XIX às décadas de 40, 50 do século XX. Por causa do uso amplo, acho que "vintage" já não quer dizer nada. O engraçado é que, enquanto pensava nisso, encontrei uma foto minha no weheartit e a foto tinha a tag "vintage", sem que eu tivesse qualquer intenção de "vintegeá-la".

Pensando num provável trabalho pro fim do semestre, comecei a procurar revistas dos anos 30 e descobri que a Biblioteca Nacional tem digitalizada parte de seu acervo de periódicos. O que quer dizer na prática que qualquer um de nós, reles mortais com acesso à internet, pode conferir edições de revistas do século passado.

Comecei a fuçar nesses arquivos digitalizados no fim de semana e hoje consegui achar o que eu queria, uma revista chamada Careta. Abri uma edição de julho de 1932, em busca de caricaturas e charges que remetessem à Revolução Constitucionalista de 32. Em suas 44 páginas, é possível achar de um tudo: de política (e charges com Getúlio Vargas vencedor, tiração de sarro com os paulistas) a perfil de artistas de cinema. Em um cantinho, achei receitas de doces, logo abaixo de uma matéria sobre a escalada do partido Nazista na Alemanha. Algumas fotos de generais e até de um jantar da Associação Cristã de Moços (a famosa Y.M.C.A.). Para me divertir um pouco mais, li as trovas, e cito uma:
Si da tua gulodice
As noticias são exactas
Temo que o meu coração
Queiras comer com batatas


(sim, me identifico).

No entanto, o destaque que quero dar é para os anúncios. São muitos, e grandes. Diferem bastante da nossa publicidade atual, os personagens dos anúncios nem sempre são bonitos, mas parecem buscar maior realidade com o público que os vê. Os textos explicativos têm mais destaque do que os nossos slogans impositivos de "beba, use, seja".


Anúncio de cintas com mulheres de medidas que existem facilmente na vida real


A atriz da época do cinema mudo, Juliette Compton ilustrando a sessão de estrelas das telas
Imaginei muito esse anúncio numa página da Piauí!
Os periódicos daquela épocas pareciam guia para hipocondríacos. A quantidade de anúncios de remédios é enorme! E dá-lhe óleo de fígado de bacalhau, creme Minancora e Gyraldose pra "hygiene intima" da mulher.


Encontrei numa outra edição, uma dessas "Bellezas famosas da Historia", mas com a Helena de Tróia. Haha, com certeza elas usavam creme Dagelle...

Edição de onde tirei os anúncios: .pdf
Outras revistas digitalizadas pela Biblioteca Nacional:
Fon fon
Para todos
Careta

PS: Esta edição da Fonfon (em .pfd) tem um anúncio que me fez rir, de armas para mulheres.

2 comentários:

  1. Era um momento em que os elixires de prolongamento da vida ainda faziam sucesso. Tinha uma mercado pra isso. Era antes da Segunda Guerra Mundial. Antes da pós-modernidade, antes das contestações do poder da ciência moderna. Antes de muita coisa. Antes e durante a ascensão do partido Nazi.

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  2. Oi Babi,

    Não sei se é verdade, mas uma vez ouvir dizer que vintage quer dizer a idade em que algo fica bom, porque vem do francês vin=vinho + age=idade, ou seja, a idade do vinho. e vinho pra ficar bom tem que envelhecer.

    Faz sentido, né?

    Beijos.

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