quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

sobre um filme que não quero ver.



Sherlock Holmes não é um personagem que me inspire. Li, aos 14, um livro do Conan Doyle, O cão dos Baskerville, e achei chato e previsível. O texto não me encantava, nem me dava vontade de imaginar a tensão dos acontecimentos, a atmosfera do crime. Não achei o personagem central tão perspicaz.

Acostumei-me mal. Aos 12 anos, a mãe de uma amiga minha me apresentou à obra da Agatha Christie e li Os elefantes não esquecem que ficava na estante de livros da minha mãe. Apaixonei-me. Virou um vício meu, motivava-me a ir à biblioteca da escola só para ver que livro com o detetive belga Poirot eu pegaria. Eu não podia ir ao shopping sem passar na livraria e ir para o canto de literatura estrangeira, policiais, Christie, A. (e na maior parte das vezes, os adultos resolviam suas coisas shopísticas e eu passava horas lendo).

Ganhei alguns livros de sua autoria: Poirot investiga, Os quatro grandes, Um gato entre os pombos, O inimigo secreto. A leitura tinha regras próprias, sendo a principal delas a de não avançar pela noite. Lembro-me muito bem das noites em que li antes de dormir e simplesmente não conseguia fechar os olhos. Às 18h, eu parava e ia brincar, desenhar, andar de patins, ver televisão. Nada que me desse a impressão de que eu encontraria um assassino tão logo virasse em alguma esquina.

O Conan Doyle foi uma incógnita até virar livro de leitura na oitava série. E quando lançaram o filme novo desse famoso detetive inglês, li algumas resenhas. Fala-se de muita ação. Detesto filme que explode! Detesto ainda perseguição de carro, pessoas pulando atleticamente telhados. Acho irreal demais, distrai do filme mesmo, vira uma coisa pirotécnica. Vi os atores. O Jude Law como Watson é estranho. Sherlock Holmes e seu amigo nunca me pareceram joviais, bonitinhos. Jude Law seria um bom Dorian Gray, no máximo. E acho um saco a "obrigação" de colocar uma atriz gostosinha em todo e qualquer filme (ode ao espartilho). Aí está o filme que não pretendo ver.

Porém, chegaram ao Brasil os DVDs do seriado Poirot, de Agatha Christie. Descobri-o num sábado, passando pelo canal GNT, no início da década passada. Mandei e-mail para a Globo pedindo que passasse a série depois do Fantástico, aos domingos, porque eu me sentiria mais motivada a ir dormir tarde num domingo já que os filmes (que explodem) do Steven Segall não tinham por que me estimular a isso. Meu e-mail nunca foi respondido, o GNT tirou o seriado do ar e pensei que nunca mais veria aquela sapiente cabeça em forma de ovo na tevê de novo. Até que vi no boletim da livraria onde trabalhava o anúncio da novidade! Pensei em comprar - com o belo desconto de 5% - no mês seguinte, como meu presente de dia das crianças + natal + bom princípio, mas pedi demissão antes.



Meu aniversário é na próxima terça. Fica a dica pros DVDs. =P

10 comentários:

  1. Gente, esse post poderia ter sido escrito por mim, sem tirar nada!

    Sério, li o mesmo livro do Conan Doyle, e detestei, porque já estava tão acostumada com a Agatha Christie e seus livros que me faziam querer devorar cada página... AMO Poirot, AMO a maneira que cada livro era imprevisível, e chorei com a morte dele em Cai o Pano.

    E não sabia da série, nossa, agora virou necessidade, hahaha.

    Quanto ao filme, eu assisti, e acho que Guy Ritchie conseguiu deixar o Sherlock menos chato e tedioso, mas justamente porque não é a mesma imagem que se tem dele nos livros. Pra mim é um filme de ação e só.

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  2. Ah é? Então realmente não é um filme que eu queira ver.

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  3. Quero ler Conan Doyle. Talvez ele não seja um seguidor de Poe (criador do primeiro detetive da literatura, Auguste C. Dupin) tão bom, mas tem seu valor.

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  4. Eu li a maioria dos livros da Agatha Christie ainda criança (dos 10 aos 13), mas depois de um tempo eles começaram a ficar iguais... Passei a ler outras coisas, mas ainda lembro da excitação de querer saber quem era o assassino...

    Li pouca coisa do Sherlock Holmes, mas confesso que não gosto desse estilo policial. Nem de filme de ação. Ainda mais do Guy Richie, cujos filmes são todos iguais. Não vi esse filme e não faço questão de ver.

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  5. Comigo foi maisoumenos isso também! Me apaixonei de cara por Agatha Christie, aí não deu pra Sherlock conquistar meu coração.
    Com o tempo me desencantei um pouco, por que, realmente, as vezes eles parecem todos iguais. Mas ainda assim, muito bons!
    Ps. Minha preferida era a Miss Marple! ;)

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  6. hoje em dia não me apetece como livro, mas tem um pouco de diversão.

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  7. haha O único que eu li do Sherlock até hoje foi um livro duplo que tinha O Cão dos Baskerville e Um Estudo em Vermelho :) E sabia que eu tive uma impressão muito parecida?
    Eu achei o Doyle bom, mas perto da Agatha... dá pra comparar?
    Sou louca pelos livros dessa mulher desde que, anos atrás, achei vários no meio das coisas do meu pai :) Tenho como meta um dia ler todos dela.
    Mas, de qualquer maneira, eu fiquei com vontade de ver esse filme do Sherlock. Quem sabe surpreende já que a gente não espera muito...
    Da Agatha só vi uns poucos filmes que já vi passando na Sky :O

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  8. Esse filme na verdade é uma adaptação de uma graphic novel lançada lá nos EUA e o autor, Lionel Wigram, se inspirou nos primeiros contos do detetive, onde o Conan Doyle explorava mais a ação física.
    E a personagem gostosinha se chama Irene Adler e está no conto "Um Escândalo na Boêmia" que integra o livro "Aventuras de Sherlock Holmes" lançado aui no Brasil pela Melhoramentos. Esses primeiros contos, na minha opinião, são bem melhores.

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  9. houve uma época em que eu era absurdamente viciada na agatha. amava os livros, fiz ficha (ai ai) numa locadora de livros só pra poder ler todos (mesma época que li as brumas de avalon da marion zimmer bradley e me apaixonei por camelot e pela lenda do rei artur, etc). eu comecei a assistir a essa série do poirot aqui por causa do respectivo, não tem o mesmo clima dos livros pra mim, mas vale a pena. :)

    já o filme do sherlock eu só quero ver por causa do jude, but of course. haha.

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