23.1.15

just like a rainbow


Suponhamos que eu trabalhe há anos com acervos e que em determinado momento mando revelar filmes dos meses de outubro até dezembro e quando chego em casa me deparo com uma coleção de imagens de meados de julho que nunca vieram a público. Não que alguém tenha sentido falta. Não que agora alguém se regozije. Mas eu gosto dessa ironia de arrumar o dos outros e nunca dar conta do meu. E também gosto de chafurdar no passado. Ainda que recente.












♫ Nouvelle Vague - Just Can't Get Enough

14.1.15

as pequenas margaridas

















Ficha técnica


Título original: Sedmikrásky
Ano: 1966
Direção: Vera Chytilová

6.1.15

era só o que faltava



Sentados à mesa, Tamara propos que contássemos algo bom e algo ruim do ano que ia embora. Eu fui a mais chata ao não conseguir pensar em nada para responder. Fiquei ali, dizendo que me desculpassem, mas que eu não conseguia escolher só uma coisa boa e que talvez a coisa boa fosse que justamente tudo o que aconteceu de ruim parecesse, àquelas vésperas de 2015, sublimado. Eu entendia os que diziam como 2014 foi um ano difícil (assim como entendo quando dizem que Rogério Ceni é um cara chato), mas eu tinha mais a agradecer do que a reclamar (o mesmo acontece com o goleiro). Do meu lado da mesa, Vivian perguntou se eu poderia imaginar, lá para fevereiro, que chegaríamos ao fim do ano satisfeitas com o que fizemos dele. A resposta é não, não podia imaginar. A justificativa vem em forma de retrospectiva, que é o tipo de coisa que nunca fiz antes; talvez pelas catarses todas que me envolveram, talvez por precisar registrar de maneira mais definitiva os pequenos e grandes amores. Talvez só porque não confio na minha memória ou talvez só pra ter contexto para essas fotos do ano novo.


2013 foi um ano esquisito, meio perturbador. Olhando à distância, poderia dizer que 2013 durou uma semana, em que da segunda à quarta-feira estive viajando, da quinta-feira ao sábado precisei entender tudo o que mudou em tão pouco tempo (com uma dose de sofrimento, alguma angústia, leves toques de ansiedade) e o sétimo dia serviu para ensaiar dar um passo de cada vez. 2013 talvez tenha sido a grande fórmula do sucesso de 2014. Nesse ano, os amigos que estavam fora voltaram, os que vão viajar em breve estavam por perto. Gente que eu combinei de encontrar e gente que eu simplesmente encontrei de surpresa no transporte público, ou numa festa na casa-de-sei-lá-quem. Amigos que compartilharam cerveja, colchões, vontades, alegrias. Amigas pra chorar juntas na plataforma do metrô e amigas pra me ajudar a carregar a casa das minhocas.



Amigos foram, então, o meu patrimônio não-contabilizável que mais cresceu nesses últimos doze meses. Já o que mais diminuiu foram as horas de sono tendo a Capitolina e a Juno como principais responsáveis por noites acordada (mas segue em frente, tem outros fins-de-semana para passar só de pijama). As duas revistas me fazem parar às vezes e me perguntar "como conseguimos?". Ter as meninas da Capitolina por perto, conhecer esses novos mundos que cada uma delas é, foi um dos grandes privilégios da minha vida. Os textos e ilustrações são só uma das faces desta revista que nos obriga a pensar, conversar, ter embates e buscar soluções para eles. As meninas todas já sabem como as admiro e sou feliz por levar os cookies veganos nos nossos rolês; ainda assim, valia dizer isso de uma maneira mais pública e clara. Sobre a Juno, eu não sei se consigo falar mais do que já dissemos. Só tenho vontade de abraçar mais uma vez Lucas e Stephanie. E, se bobear, não soltar mais.


Das pequenas vitórias cotidianas de uma pessoa de Humanas, foi ter zerado em um mesmo ano os jogos de raciocínio 2048 e Resta Um. Das grandes vitórias, foi ter voltado a jogar futebol e ter a sorte de cair no time mais carisma da Copa Trifon Ivanov e ainda sair com um vice-campeonato do Troféu Kátia Cilene. O mérito é todo das outras meninas do time, mas tão gostoso ser zagueira do alvinegro Mauázembe.




De feitos listáveis, vale dizer que, quando pude, estive na rede lendo um ou outro livro, filha de Macunaíma que sou. A média anual se manteve, com cerca de um livro lido por mês. Filmes vi bem menos do que em outros anos, porque aparento ter oitenta anos de idade, dou o play e pego no sono fácil. E sobre viagens, comecei o ano em Floripa, conheci Inhotim, Paraty, Ilha do Cardoso. No último mês, ainda coube umas idas para o interior do estado e aproveitar um tempim na praia. Se Dia de Reis é aquele momento de tirar as decorações de Natal que ainda resistem pela casa, já posso ir desapegando e guardando 2014 em outro canto. No caso, aqui. Com carinho.



23.12.14

los mismos sueños


Pamela foi nossa tutora na Argentina e, depois que voltamos para o Brasil, ela conseguiu uma bolsa para estudar em Cuba. Mesmo com a dificuldade de acesso à internet na ilha, ela mandava e-mails contando suas impressões e sustentava a ideia de vir nos visitar o mais rápido possível. Até que esse dia chegou e, com ele, Pamela em São Paulo. Eu e ela pegamos um ônibus e fomos para Campinas ser mimadas pela Dri, ver apresentação de trabalho de conclusão de curso de pessoas que não conhecíamos do curso de Dança e dar uma volta na moradia dos estudantes.







♫ Celia Cruz - Pasaporte Latinoamericano