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28.8.14

what's the buzz?


Eu e Eduardo nos conhecemos há um bom tempo, em uma época imemoriável em que ele havia conseguido o primeiro papel dele no teatro (como protagonista, por um acaso) e eu encerrava minha participação escolar atuando como contra-regra na peça do ano. Muito bom voltar a meio que dividir um palco imaginário com ele para fazer essas fotos.


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du




eduardo
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♫ Jesus Cristo Superstar - What's The Buzz

21.8.14

all winter's cold can't stop me


As fotos são de maio e junho. Rola uma comoção quando tiro a câmera dos anos 1990 e registro esses momentos lindos com essas pessoas queridas em filme. Daí, todo mundo respira fundo, conta até dez e controla a própria ansiedade esperando o momento em que poderei revelar o filme e trazer a beleza ao convívio comum. Tem choconhaque na casa de Marina, hambúrguer vegetariano depois da peça de Vinicius e Artur, comida colombiana depois de jogo da Copa com amigas encontradas sem combinar e a Juno sendo apresentada ao mundo no aniversário de Lucas.






♫ Dionne Bromfield - Ain't No Mountain High Enough

17.8.14

as tênues linhas



Eu tenho blog há dez anos e mesmo assim não é tranquilo me expor. Não me parece sequer necessário ou muito saudável. Mas às vezes só quero falar uma coisa mais pessoal e já me podo, com medo de machucar outras pessoas. Então fui ler mais um texto maravilhoso de Nirrimi e ela diz umas verdades que precisei traduzir aqui:

"Eu percebi que quanto mais honestos e abertos nós somos, especialmente com as partes mais cruas que normalmente escondemos, mais nós percebemos que não estamos sozinhos. Que nós todos falhamos e passamos por batalhas e nenhum de nós realmente sabe o que estamos fazendo e tudo bem. Lá no fundo nós somos iguais. Nós só temos que seguir crescendo. E então estou aqui de novo compartilhando minha jornada. Minha alegria e meus esforços."

Eu penso demais. Esse diagnóstico é fácil e aparece o tempo todo em conversas com meus amigos. Antes eu achava ruim, achava "que droga, eu penso demais, sempre pensei demais, nunca consigo deixar de pensar demais". Daí lembrei que aos dezesseis anos - ou mais ou menos por aí - estava almoçando na mesma mesa que minha professora de inglês do colégio e ela disse que nosso maior defeito é também nossa maior qualidade. Não lembro se ela disse isso ou o contrário, de que nossa maior qualidade é também nosso maior defeito e claro que não tenho ideia de em que contexto surgiu essa frase nem o porquê de ela ter me marcado tanto já que variáveis como "os melhores perfumes e os piores venenos estão nos menores frascos" estão aí por toda parte. Fato é que penso demais e tive que aprender a lidar com isso.


De repente tudo o que é complexo e caótico demais eu organizo de uma forma tão objetiva que pode parecer falta de sensibilidade. Eu penso demais sobre o amor e até já pensei que preferia o benefício de apenas senti-lo, mas é que no fundo uma coisa não anula a outra e pensar demais no amor também é senti-lo em sua complexidade. E eu pensava e sofria e conversava com amigos e eles me aconselhavam. E eu pensava que no fundo pouco adiantavam os conselhos, porque, afinal, ninguém sabia como eu sentia, ninguém sabia o que eu tinha passado, ninguém sabia nada nem eu mesma. Mas meus amigos cada vez mais entravam em acordo sobre o que eu devia fazer para sofrer menos. Meio cansada das minhas sequências de tentativa-e-erro, achei que podia dar um arranjo democrático à coisa e executar a vontade da maioria. Eu preciso dizer que não foi fácil e talvez nunca será. Mas eu precisava ser justa e honesta (e não só comigo). E às vezes o verbo tem mesmo que ser o "precisar" ao invés do "querer"; às vezes a gente precisa se dar conta de que fazer o que parece querer é o jeito mais esquisito de se machucar.

Eu só espero que o exaustivo trajeto na tênue linha entre ser uma pessoa bem-resolvida e ser uma pessoa que se autossabota tenha chegado ao fim.

5.8.14

qualquer coisa que funcione


O fato de eu não fazer resoluções de ano novo não quer dizer que não pense nas coisas que desejo para o futuro. Eu me lembro de estar com os pés na areia na virada do ano, cercada de gente que eu não conhecia ou que no máximo conhecera havia pouco tempo, olhando os fogos de artifício que até então só tinham povoado televisões ao meu redor. Lembro de ter me perguntado se a vida podia ser sempre assim, uma aventura meio mágica, ou se era um privilégio dos meus vinte-e-poucos; se, no futuro longínquo, me tornaria uma dessas pessoas que do outro lado da ponte se acotovelava entre desconhecidos e entes impostamente queridos e que carregam um certo peso de frustração. A maré começou a subir e os fogos iam parando aos poucos. O samba voltou a ser tocado.



Eu esperava que 2014 pudesse ser diferente de 2013, que, apesar de ter sido um ano muito bom, foi extremamente caótico. Pensei que seria bacana conseguir desacelerar a vida, arranjar um emprego de que eu gostasse e ter a sorte de um amor tranquilo. Não sei se é apesar de ou justamente por ter cursado História que minha forma de lidar com o tempo é tão confusa. Só me dei conta de que 2014 se aproximava de sua segunda metade pela materialidade da agenda que já abre mais fácil de trás para frente. Foi perceber essa passagem do tempo, daquela noite estrelada depois da última chuva do ano, de tudo o que parecia distante de ser alcançado, que houve a reviravolta.


E de repente eu me vi no Tanabata Matsuri, o Festival das Estrelas que acontece na Liberdade, sem saber o que escrever no papelzim em que as pessoas escrevem seus pedidos. Foi daí que resultou o mais sincero "whatever works" já proferido.


15.7.14

o amor da flor de cacto


Sugeri em casa que fizéssemos uma horta no quintal. Não apenas acatou-se a ideia como meu tio tomou a dianteira e descolou vários vasos e muita terra. Guilherme me deu umas sementes, a muda de batata-doce e a bertalha roxa que ele me apresentou já tem folhas bem vistosas.




Mas a novidade mais maravilhosa vinda do quintal é que, depois de anos, meu cacto resolveu florir essa semana. Quando chegou em casa, a planta não media mais do que 30 cm. Há pouco tempo, precisei da ajuda da minha avó para conseguir transportá-lo para um vaso maior, furando nossas mãos em diversos pontos (pulemos a parte de comparações óbvias envolvendo machucados e boas intenções). Nesse momento, sem que seja um desafio verdadeiramente difícil, o cacto já alcança minha altura.


♫ Secos & Molhados - O patrão nosso de cada dia