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19.4.14

feng-shui for dummies

Inventaram essas categorias de homo sapiens, homo faber, mas quando entro na minha caverna, percebo que sou mesmo uma homo acumuladora de coisas. Me dá um certo pânico porque sempre surge uma ou outra história no jornalismo local de velhinhas que acumularam anos de coisas em seus quintais até criarem um novo mundo que desagrada absolutamente os vizinhos. Ainda estou longe desse patamar, mas sempre me dá uma certa angústia pensar que posso me apegar a certas coisas e nunca mais largar.

Na feira de livros do ano passado comprei muitos mais títulos do que em geral comprava, principalmente porque há um flerte entre mim e o mestrado. Procurando espaço para os novos livros na estante me dei conta de que eles teriam que ficar mais juntos do que nunca porque não cabem mais livros nas prateleiras daqui. Foi o estopim. Junto com os livros, os textos da faculdade. Separei os que não queria mais (que me perdoem as Histórias Antiga e Medieval, mas todo mundo sabe que eu só fui pra faculdade de História por conta da Revolução Francesa). Peguei todos e cada um deles foi cadastrado numa planilha, com meu aprendizado de anos trabalhando em arquivo: se você não consegue descobrir o que tem, você simplesmente não tem o que supostamente teria. O passo seguinte foi mandar a planilha pros amigos falando que eles podem pegar emprestados aqueles livros. Dá uma impressão de que a energia circula se as coisas andam por aí. É tipo feng-shui. Só que pra principiantes.

Você passa uns meses fora com, sei lá, umas 10 peças de roupa. Abre o armário e descobre uma espécie de Nárnia ali dentro, com mil coisas que poderiam muito bem estar com a Feiticeira ou com o Leão que você nem teria dado conta. Por isso, acabei pegando a metade e doando e com a outra metade criei uma loja no enjoei. Ah! E vale dizer que eu tentei deixar os preços o mais baixo possível porque a ideia realmente não é chegar ao primeiro milhão antes dos 30 anos vendendo roupa usada.


♫ Mogli e Balu - Necessário

31.3.14

pra não deixar de lembrar

Há tanto por dizer e tanto a fazer por uma democracia de verdade (ou ao menos para nos aproximarmos do que uma democracia deve parecer). Eu mesma já escrevi sobre isto uma ou duas vezes. Mas na noite em que o golpe civil-militar completa 50 anos no Brasil, decidi deixar uma canção de ninar, de Maria Elena Walsh, traduzida aqui. Porque não há que se deixar dormir um barulho desses.

En el Pais de No me Acuerdo by Maria Elena Walsh on Grooveshark
No país do nãomelembro
dou três passinhos e me perco.
Um passinho para lá,
não me lembro se o dei.
Um passinho para cá,
ai que medo que me dá!
No país do nãomelembro
dou três passinhos e me perco.
Um passinho para trás,
e não dou mais nenhum,
porque já me esqueci
de onde pus o outro pé.
No país do nãomelembro,
dou três passinhos e me perco.

Para ter acesso a parte de registros e histórias de desaparecidos e mortos no período entre 1964 e 1985, existe o site do Centro de Documentação Eremias Delizoicov e da Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos. Para ver como ainda não superamos certos problemas daquele período (e anteriores a ele, claro), basta uma olhada nas bancas de revista (mas quem lê tanta notícia?).

23.3.14

a loucura deve ter mais servos e agregados que o bom senso



Existe esse senhor que eu totalmente desconheço mas que foi o provável maior receptor de abraços telepáticos meus nos últimos meses. O nome dele é Ernani Ssó e ele é o tradutor da versão de Dom Quixote que terminei de ler esses tempos. Quando eu tinha uns 15 anos, peguei uma versão que repousava na estante da minha mãe e comecei a lê-lo. A capa era dura, azul, e a obra estava impressa em papel-bíblia. Eu li duas páginas e desisti porque não era capaz de entender o que estava acontecendo naqueles parágrafos todos, com um vocabulário que imitava o do século de Cervantes. Devo ter colocado o exemplar de volta na estante e optado por Crime e Castigo, porque é literatura russa, cada personagem tem uns três nomes diferentes, mas eu pelo menos conseguia entender as palavras da tradução.

Ganhei a caixa com os dois volumes de Dom Quixote de aniversário de 23 anos, mas logo em seguida fui para a Argentina. Lá, cursei duas matérias na universidade em Santa Fe e uma delas era de Literatura Argentina. Eu precisava analisar contos de Jorge Luis Borges e não tinha nem idéia de por onde começar (na verdade, comecei só sentindo desespero). Mas, intrigada com o que se entende por "experiência", fui ler um texto meio famoso do Walter Benjamin a respeito do assunto e percebi que podia tentar fazer um paralelo entre o alemão e o argentino. Passei semanas me enxergando como uma pequenina árbitra no meio de dois pesos-pesados num ringue de boxe, colocando os dois autores em confronto, tentando descobrir as diferenças e as semelhanças entre seus pensamentos.

Uma das coisas que os textos deles têm em comum é a menção à obra de Cervantes; Benjamin com certo ar pessimista a respeito do começo do fim da narrativa e Borges tendo-a como uma referência literária fundamental. Assim, achei que, como a vida já brinca bastante de aleatoriedades comigo, eu devo estabelecer vínculos racionais nas minhas escolhas e ler o Quixote naquele momento de pós-intercâmbio e notável desemprego era a melhor opção.

Foram meses para ler os dois volumes, mas até risada no metrô eles me renderam. É curioso que o caso do moinho de vento que vemos sempre que alguém menciona Dom Quixote não passa de um pequeno trecho, só uma das aventuras nas 1300 páginas do livro. Provavelmente a coisa mais fascinante, para além do carisma do personagem principal e da lealdade de Sancho Pança, é a quantidade de ficção dentro da ficção que Cervantes constrói. Até a autoridade de um falso historiador é mobilizada pra contar a história de Alonso Quijano (o nome original do Quixote, antes de se crer Cavaleiro Andante). Essa edição da Companhia das Letras (vocês estão cientes de que eu não ganho um tostão pra falar das coisas de que eu gosto por aqui, né?) tem um final ainda melhor do que o esperado: dois ensaios sobre Dom Quixote, um escrito pelo próprio Borges e outro do Piglia (também argentino e estudioso hardcore do primeiro). 

A edição não é ilustrada, mas para o post usei as ilustrações de Gustave Doré de 1863 que conheci depois de _aleatoriamente_ uma delas aparecer nos meus feeds do Facebook.

17.3.14

fracionada, porém inteira

Quando pensei em escrever este post sobre onde foram parar algumas coisas que produzi nos últimos tempos, achei que ele estaria recheado de egocentrismo escapando pelas bordas. Mas foi só organizar um pouco melhor as coisas para me dar conta de que, no fundo, é tudo sobre um honroso sentimento de estar rodeada de pessoas que eu amo e admiro.

Tudo começou quando entrei na caixa de entrada do e-mail e havia um não lido com assunto "Grandes artistas!". Animei-me. Pensei: "dica de livro, dica de exposição". Mas, quando abri, descobri que era só mais uma vez a Bete sendo a mais-linda-da-vida, e mandando foto do apartamento dela com as fotos minhas e da Vivi penduradas na parede. Para quem não sabe, a Bete foi minha chefe e é uma das minhas maiores referências como ser humano. No quadro de cima, estão fotos que eu e Vivi tiramos na Argentina e, no de baixo, uma foto do Carnaval de 2011.

Lilian, entre uma edição fotográfica, algum show massa e cozinhar os melhores cookies do Brasil, arranjou um tempo para organizar umas fotos no seu canto. A amiga aqui aparece em dois momentos: no canto esquerdo e no canto direito. Daí a gente dá uma olhadela pra cima e encontra os mestres da fotografia num livro gigante e mantém o foco na humildade, evidentemente.
Na primeira semana de janeiro (comassim já é março? é uma pergunta que eu tenho me feito bastante...), um texto da Stephanie sobre ballet fitness com fotografias minhas apareceu no Petiscos.


Ainda em janeiro, fui para Sorocaba dar uma mãozinha pra Camila na performance do Todos podem ser Frida, no Sesc da cidade. A experiência foi incrível, porque, além de conhecer Camila, ainda pude viver um pouco desse projeto dela (que começou de um jeito e foi se desdobrando em tantos!) e me fascinar com a facilidade que as pessoas comuns que ali chegavam assumiam um personagem, travestiam-se de Frida Kahlo (às vezes conhecendo-a, e às vezes muito pelo contrário) e se portavam como a pintora mexicana na frente das nossas lentes.

Escapulindo um pouco das imagens estáticas e indo para as várias imagens por segundo, ainda em 2013, saí com Lucas para fazer as fotos que ele usaria no encarte do documentário que estava produzindo. No caso, era trabalho de conclusão de curso dele e, não apenas o rapaz estava produzindo, como inclusive dirigindo, roteirizando, entrevistando os personagens, ficando horas em ônibus para entrevistar personagem, editando, gravando em DVD e fazendo o encarte.


Para vocês não acharem que eu babo ovo à toa para esses amigos todos, aí está o produto final que o Lucas apresentou para a banca. Um documentário de cerca de 45 minutos sobre uma certa mania retrô (a abertura e a trilha sonora merecem destaque à parte).



Pra terminar, uma projeção do futuro. Algumas meninas envolvidas na Revista Capitolina fizeram um vídeo para divulgação do projeto e eu sou uma delas (1m55 de altura e provavelmente 1m74 de ansiedade nesse momento). Pra quem nunca ouviu minha voz, pode descobrir clicando no play como ela é pouco tempo depois que eu acordo. Vem com a gente! :)

6.3.14

veja só que bom que era

foliã

Depois de muito tempo sem levar a câmera pra dar uma volta pela cidade, resolvi fotografar um pouco de Carnaval. Esse feriado em terras paulistanas tem toda uma graça: além do incrível número de carros e pessoas que abandonam a metrópole, há um toque provinciano, um chamar bloco de carnaval de "bloquinho", de toda a folia ter hora e lugar pra começar e terminar. Fotografei mais uma vez o bloco de rua mais velho da cidade: o Bloco dos Esfarrapados, que circula pelo Bixiga, na região central de São Paulo.












make a wish

Mas como o Carnaval é esse momento de se brincar com essência e com aparência, terminei uma ilustração com pegadas surrealistas e decidi aproveitar o sossego do feriadão para fazer um retrato mais realista de mim mesma.