terça-feira, 23 de maio de 2017

compilado de pensamentos organizados

Escrever é, de longe, a coisa que mais fiz na vida. E o padrão parece que se mantém. Só esse blog já tem 7 anos. Todos os outros que eu criei pra ficar mexendo nos códigos html me levam para 14 anos atrás. Antes disso existiam as aulas de redação e no Ensino Fundamental eu cheguei a escrever um caderno que contava uma história chamada "Meus livros velhos", em que um casal de livros tinha filhos humanos com quem iam para a chácara encontrar os animais (a obra mais surrealista já produzida em toda América do Sul). Escrever é uma forma de terapia e de organizar meus pensamentos (não é toda terapia uma forma de organizar pensamentos?) e então pra organizar os textos que me organizam está aqui este post.


Lucas é a pessoa com quem eu mais gosto de falar de música, porque ele me apresenta muitas coisas novas (a última foi Giovani Cidreira) e tem uma paciência tremenda com minhas teorias. Ano passado, ele começou um Medium para pessoas publicarem seus textos sobre música, que é um assunto sobre o qual eu gosto de falar de puro achismo, sem nenhum compromisso. Nessa pegada, criei uma conta e escrevi dois textos pra lá:

Além de usar daquela plataforma e dividir o aluguel com o Lucas, também inventamos com Seane uma newsletter - No episódio anterior - para comparar séries às nossas vidinhas banais. Como todo mundo já faz isso mesmo e vê nesses produtos audiovisuais só o que quer e sai por aí falando "NOSSA ISSO É MUITO EU", criamos essa carta por e-mail para contar para as pessoas o que é muito a gente em episódios que assistimos por aí. Dá pra ver uma parte dos textos no link mas de uns tempos pra cá estamos mandando só para os assinantes.


Thaís me pediu para contar sobre como é viajar sozinha para um projeto no blog dela e já faz um tempão e eu gostei do texto que escrevi mas esqueci de contar que escrevi. Então, aqui está o meu relato em forma de "Viajo porque preciso".


Eu sinceramente nunca achei que criar e reproduzir mundos pela escrita me levaria tão longe quanto os meses de abril e maio me permitiram. Passei três semanas escrevendo de dentro de ônibus em que grupos de artistas iam para o interior e litoral de São Paulo. Cada semana eu tive a oportunidade de conhecer novas pessoas e novas expressões em diferentes linguagens e a chance de escrever sobre elas pro site do Circuito Sesc de Artes. Tive a chance de me apaixonar mais de uma ou duas vezes e de ver quilômetros de estradas serem devoradas à minha frente. Fato é que, para além de toda poesia, se não fosse pro meu primeiro texto ser cheio de gifs, eu nem tinha feito as malas. Passei por Cubatão, Guarujá, Bertioga, Fernandópolis, Santa Fé do Sul, Mirassol, Bragança Paulista, Salto e Atibaia. Pra ter uma ideia de o que foram esses dias, deixo os links aqui.

domingo, 23 de abril de 2017

na dianteira sombra venha me seguir





Das mentiras que sempre nos contam a que menos me atinge é aquela que diz que nos arrependemos não do que fazemos mas sim do que deixamos de fazer. O que deveria ser um estímulo para me tirar da cama e viver uma vida intensa, na verdade não passa de uma frase sem sentido para uma pessoa que não vê problemas em fazer nada no tempo livre ou que igualmente se arrepende de coisas que fez. Amadurecer e acumular arrependimentos são expressões que possivelmente carregam raízes etimológicas semelhantes, bem como podem ser processos risíveis ou dolorosos. Como dizem que a gente se arrependeria mais do que não fez do que do que fez, e eu advogo que o arrependimento estaria em qualquer uma das duas coisas, carrego como um troféu cada momento desses registrados em que mesmo com chuva, frio, balada miada e pós-expediente, a gente deu um jeito de sorrir tão bonito assim. 
(Como já é clássico aqui, as fotos são de novembro de 2016 a janeiro de 2017)















♫ Metá Metá - São Jorge

domingo, 2 de abril de 2017

alguma coisa quente

 

Revelo o filme que já estava esquecido no armário, aguardando uma ida minha ao centro da cidade, e tento lembrar o que senti naqueles dias registrados na película. Me esforço um bocado mas até o exercício de colocar em ordem cronológica as fotos parece complicado. Até porque ocorreu a ideia de organizar em eixos temáticos... Como os dias em que Seane esteve conosco, ou quando a gente saía de madrugada pra dançar e finalmente as reuniões em casa. Não funcionou direito, volta pra ordem cronológica. As fotos cristalizam imagens boas da gente e o imperdoável atraso de duas horas que sofri por parte dos meus amigos não transparece na nossa imagem sorridente (embora um pouco cansada, de quem correu para dar conta de tudo). Parece que já faz muito tempo, porque não lembro onde guardei minha disposição para ficar na rua até tarde ou porque já não pinto mais meus cabelos de cor-de-rosa. Parece que faz muito tempo mas é só um pouco mais de seis meses. Mesmo assim, a câmera, em uma das fotos, por vontade própria, marcou um "'98" em laranja só para garantir meu discurso de que faz tempo mesmo.













♫ Donna Summer - Hot Stuff

segunda-feira, 27 de março de 2017

as vozes que me acompanham

Estava pensando em contar sobre os podcasts de que mais gosto na vida e percebi que no arranjo da internet, eu sou de um grupo que frequenta textos, fotos e áudios mas foi muito pouco cativada por vídeos. Muitos amigos meus tem sua gente que produz em vídeo favorita mas eu não saberia dizer quase nada do que pessoas que vivem de vlog fazem em seu tempo documentado em filmes para esse ambiente. Quando eu tinha muito tempo livre, lia sobre o que várias pessoas estavam fazendo - e assim surgiram muitos dos meus amigos na rede social informal que era a blogosfera. Agora que tenho quase nada de tempo livre, é no balanço do ônibus e na memória do celular que vou ouvindo esses programas de rádio sem rádio que são os podcasts. Se fosse décadas atrás, só uma radioamadora conseguiria chegar às frequências dessas paradas que tenho escutado.

O primeiro podcast que eu ouvi foi Serial e quem tinha me indicado foi a Dora. Ela me contou numa festa que tinha ficado um feriado de Carnaval inteirinho fechada em casa ouvindo esse podcast. Pensei que era exagero, que a gente se fica deitado ouvindo uma pessoa falar logo pega no sono e não entende nada de nada. Desconfiei. Mas logo depois que mudei para o apartamento, em abril do ano passado, pensei que precisava testar meu inglês que eu sentia não saber mais entender sem legendas. Fui atrás do podcast e fim da vida social como até então a entendíamos. Eu passei umas duas semanas muito feliz por pegar transporte público lento para ir para o trabalho e poder escutar a história do Adnan Syed, que foi condenado à prisão pelo assassinato da ex-namorada. A primeira temporada inteira é conduzida por Sarah Koenig (que tem uma voz apaixonante) tentando desvendar se Adnan era ou não o responsável pelo crime. Em cada episódio ela traz elementos diferentes como tensão racial em Baltimore, os métodos problemáticos da coleta de provas, a forma como a defesa de Adnan foi falha. Serial foi o podcast mais ouvido em 2014 nos Estados Unidos, as pessoas ficaram doidas pela história, grupos de discussão sobre o caso surgiram na internet, o caso foi reaberto, todos esperamos ansiosamente o desenrolar disso (mas já é alucinante pensar que um negócio que é um programa de rádio na internet mexeu dessa maneira com um julgamento). A segunda temporada é só ok, sobre o caso de um soldado americano que ficou anos como prisioneiro no Afeganistão. É interessante, tem questões complexas sobre Obama ter trocado prisioneiros de Guantánamo por esse soldado que era como um desertor pro exército, mas pode ouvir só a primeira temporada que já tá de bom tamanho.


Serial acabou e eu senti um vazio. A voz de Sarah era uma das minhas favoritas do mundo e histórias de crimes sempre me interessaram. Assim, comecei a ouvir dois outros podcasts em inglês: The Heart e Criminal. Eles não tem nada a ver um com outro.

The Heart é basicamente sobre intimidade, isso pode ter ou não a ver com amor e sexo. A produção mais recente é uma série chamada Pansy sobre masculinidades e feminilidades, com uma proposta queer. Todos os episódios são muito bem produzidos, seja nas narrativas ficcionais como também nas documentais, e variam bastante de tempo de duração. Dois episódios de que gostei muito são: Mariya, sobre uma vítima de mutilação genital, a escritora Mariya Karimjee, que conta sobre sua infância no Paquistão, sua adolescência no Texas e suas relações interpessoais nessa descoberta sobre seu corpo e essa cultura; To Nora tem pouco mais de quatro minutos e é a narração de uma carta pessoal do escritor James Joyce à esposa com uma pegada bastante erótica. Já Criminal é sobre crimes reais, mas de um jeito tão real que é prosaicamente maravilhoso. Os episódios diferem muito entre si e um indicativo de que eu gostei dele é chegar em casa comentando com os amigos que moram comigo. Isso aconteceu pela última vez no episódio Melinda and Judy sobre adoção de crianças raptadas. Mas também lembro de ter ficado perplexa com o episódio Money Tree sobre roubo de identidade e crimes financeiros.


Só que eu estava sentindo falta de ouvir algo em português e Ísis me indicou alguns podcasts brasileiros. Como até então meus podcasts favoritos eram narrativos, se preocupavam em contar uma história mais do que tudo, não me imaginava ouvindo podcast com pessoas conversando. Mas faz algumas semanas que só lavo a louça, penduro a roupa e me arrumo para ir trabalhar ouvindo o Salvo Melhor Juízo, um podcast sobre direito feito por um pessoal de Curitiba. Até o momento, minha lista de três episódios favoritos são: Ruy Barbosa (perdão, sou historiadora), Política de Drogas e Tribunais Internacionais.

(De vez em quando eu também escuto Los Cartógrafos, que é um podcast mais literário de um pessoal da Argentina, ou o Art + Ideas do Getty. E às vezes eu também gosto de não escutar nada porque um silêncio de vez em quando não faz mal a ninguém. Mas se tiver sugestões de podcasts, sempre aceito)

segunda-feira, 13 de março de 2017

uma cidade a cantar




Três dias no Rio de Janeiro no começo do ano e todas as fotos tiradas com celular e em preto-e-branco. Parecia um tipo novo de heresia, o de tirar a cor dos trópicos efervescentes da cidade. Para compensar, enchi-me de vários outros estereótipos. Teve a fatídica cerveja e depois uma cachaça na Lapa (prometidas por Taís há cerca de dois anos ou mais), show do Metá Metá no Circo Voador. A hospedagem dava vista pro Maracanã e pro morro da Mangueira, o que me obrigou a cantarolar quase diariamente meu samba-enredo favorito da verde-e-rosa. Teve mate com limão no Leme, teve pré-carnaval no aterro do Flamengo. Ana Paula me levou para comer no restaurante favorito de Getúlio Vargas, ali pelo Largo do Machado. Graças a uma curiosidade tétrica minha, Ana ainda precisou visitar o quarto do véio, ver o pijama ensanguentado e até a bala que matou GV. Tantos anos de faculdade de História ouvindo críticas a essa museografia que não quis deixar pra outra hora. Até porque, de tudo que não vivi, a única coisa de que tenho saudade é do Rio de Janeiro capital federal. Pra tirar um sarro, chamo a cidade de capital da corte; mas confesso que fico imaginando os usos do Real Gabinete Português de Leitura nos idos do século XIX. Depois dessas fotos em preto-e-branco ainda fiquei uma semana ouvindo bossa nova sem parar. Tá pago o pecado.