18.5.13

café com maco


Um dos poucos planos que fiz antes de vir para a Argentina foi o de procurar o primeiro livro de Maco chamado Aloha. Na cidade onde moro não encontrei em nenhuma das livrarias e acabei pedindo a uma amiga que foi a Buenos Aires para me trazer de sua ida à livraria El Ateneo. Assim, pude acompanhar Maco em sua jornada surrealista de 64 páginas na versão rio-platense. Existe também a versão espanhola do livro, com uma capa diferente e possível de ser comprada aqui. Maco me disse que já não há mais Aloha encontráveis à venda no Uruguai; em Buenos Aires, além d'El Ateneo, outra livraria que tinha bastantes exemplares era a Yenni, pro caso de alguém viajar à capital argentina e ter vontade de levar um de lembrança.

Já não me lembro como cheguei a seu flickr e daí a seu blog, mas faz uns bons anos que os quadrinhos dessa uruguaia me entretêm. Eu adorava suas sessões desenhadas de rádio, as radiodibujadas, e quando soube que havia lançado um livro, pensei que seria uma boa forma de pode ter por perto uma referência que para mim sempre esteve na tela do computador. Há algo muito gostoso também em conhecer o trabalho de alguém pela internet e depois de um tempo ver uma obra assim, tão boa, tão completa.

Uma coisa fácil de notar nos desenhos de Maco é o incrível uso do espaço. É possível em uma página entrar por labirintos, sair deles, acompanhar múltiplos personagens, estruturar, desestruturar e reestruturar toda a narrativa. As múltiplas possibilidades de leitura são uma graça especial deste livro.
Além do mais, estando na terra do mate, é bom saber que compartilhamos um amor sincero ao café. Poucas coisas seriam mais maravilhosas que ter um personagem por perto que de repente materializasse uma xícara com essa bebida quentinha.


Aloha 
Autora: Maco
Gênero: História em quadrinhos
Editora: Grupo Belerofonte/LocoRabia
Lançamento: dezembro/2011
Páginas/dimensões: 64, 21 x 21 cm.

8.5.13

pequenos relatos envolvendo comida

dulcemente

Paramos por alguns minutos na frente da prateleira onde estava o leite e começamos a comentar o aumento do preço. Dos cinco pesos já é possível encontrar um litro por sete e nós de vinte-e-poucos pensamos se era assim que nossos pais viviam com a inflação dos anos 80. No começo do intercâmbio, uma sorveteria aumentou o preço do sorvete de doze para quatorze pesos. A concorrência, porém, continua alimentando o vício de grande parte dos moradores de casa (somos 35, lembrando), ao oferecer três bolas por dez pesos.


Ainda sobre a inflação, participamos de um protesto na universidade que consistia em pagar 5 pesos por um prato de ravioli, com molho vermelho, pão e mixirica, como forma de provar às autoridades que é viável que esse seja o valor do comedor universitário. O pôster do agrupamento que organizou o ato dizia algo como "para que a inflação não Kastigue os estudantes" (o "K", de Kirchner, é a forma de cutucar Cristina). No momento, os preços variam de 12 a 18 pesos (cerca de 5 a 9 reais). Outras universidades do país, no entanto, contam com comedores muito mais baratos por conta do subsídio, coisa que não existe por aqui.


Adotei uma política de não abrir as newsletters de instituições culturais de São Paulo que chegam na minha caixa de entrada. Abri uma exceção dia desses quando vi o assunto e pensei "Ei, essa palestra parece boa, quem será que a apresentará?" e descobri que era minha orientadora e senti aquilo que queria evitar quando decidi não abrir esses e-mails: vontade de aproveitar a vida cultural de São Paulo. A única analogia possível para essa situação foi feita por uma amiga mexicana. Quando ela está no México, na cidade onde os pais moram, não sente vontade de comer, porque está ali, prontinha, a comida, mas quando vai de volta pra cidade onde estuda, começa a relação direta entre falta de comida preparada e vontade de comer.

rico

Cada vez que um hispanohablante diz que meu espanhol é muito bom, penso que preciso voltar para casa sabendo cozinhar muito bem. Nunca estudei formalmente o idioma, mas por falta de tradição em traduzirem livros importantes para o português, passei grande parte da minha graduação lendo em uma língua que desconhecia. Com uma rara autoconfiança tentei o intercâmbio enviando pelo sistema da universidade o certificado mais xinfrim que pode existir (de um curso online que fiz por dois meses sem nenhum acompanhamento tutoreado ou algo que o valha) e comecei a ver filmes e ouvir músicas em espanhol. Parece que funcionou. Vim para cá com a triste pecha de inábil da culinária e até o momento já posso compartilhar que sinto orgulho de um combinado de legumes com queijo que fiz, do macarrão com brócolis e molho branco, do purê de cenouras. Depois de sofrer com um molho ultra-ácido de tomate em caixinha e descoberto como se faz molho branco já pude inventar de fazê-lo com cogumelo e misturar uns legumes. Minha crença no autodidatismo está alcançando níveis estratosféricos; só não está mais alta que a cotação do dólar paralelo na Argentina.


As famosas coxinhas são usadas por brasileiros como tática de aproximação a pessoas de outras nacionalidades; com bastante êxito, em geral. 



2.5.13

medianeras de rosario

medianera I

medianera II

medianera III

As fotos tirei semana passada em Rosario. Mas o filme propriamente dito se passa em Buenos Aires e vale muito a pena.

28.4.13

and you're feeling quite at home there



Uma das formas mais gostosas de descobrir músicas novas - não canso de dizer - é com as mixtapes feitas pela Irena. Perguntei a ela se toparia montar uma comigo em que as músicas dessem uma idéia de distância e liberdade. Cada uma de nós escolheu algumas canções e o produto final é essa mixtape: Far away. As fotos da capa e contra-capa foram tiradas por mim e o design é dela.

Una buena manera de descubrir canciones nuevas es oyendo las mixtapes hechas por Irena. Pregunté si ella aceptaría montar una conmigo en que las canciones tuviesen una idea de distancia y libertad. Cada una de nosotras eligió algunas canciones y el producto final es esta mixtape: Far away. Las fotos de la capa y de la contra-capa fueran sacadas por mí y el diseño es de Irena.



(download link)

9.4.13

amo el amor de los marineros



1

DESDE el fondo de ti, y arrodillado,
un niño triste, como yo, nos mira.

Por esa vida que arderá en sus venas
tendrían que amarrarse nuestras vidas.

Por esas manos, hijas de tus manos,
tendrían que matar las manos mías.

Por sus ojos abiertos en la tierra
veré en los tuyos lágrimas un día.



2

YO NO lo quiero, Amada.

Para que nada nos amarre
que no nos una nada.


Ni la palabra que aromó tu boca,
ni lo que no dijeron las palabras.

Ni la fiesta de amor que no tuvimos,
ni tus sollozos junto a la ventana.




3

(AMO el amor de los marineros
que besan y se van.

Dejan una promesa.
No vuelven nunca más.

En cada puerto una mujer espera:
los marineros besan y se van.

Una noche se acuestan con la muerte
en el lecho del mar.



4

AMO el amor que se reparte
en besos, lecho y pan.

Amor que puede ser eterno
y puede ser fugaz.

Amor que quiere libertarse
para volver a amar.

Amor divinizado que se acerca
Amor divinizado que se va.)



5

YA NO se encantarán mis ojos en tus ojos,
ya no se endulzará junto a ti mi dolor.

Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada
y hacia donde camines llevarás mi dolor.

Fui tuyo, fuiste mía. Qué más? Juntos hicimos
un recodo en la ruta donde el amor pasó.

Fui tuyo, fuiste mía. Tu serás del que te ame,
del que corte en tu huerto lo que he sembrado yo.

Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste.
Vengo desde tus brazos. No sé hacia dónde voy.

...Desde tu corazón me dice adiós un niño.
Y yo le digo adiós.