28.4.15

romance




















Ficha técnica


Título original:
Romance
Ano: 2008
Direção: Guel Arraes

22.4.15

and we should never reject love



Na rodoviária do Rio de Janeiro, com a passagem recém-comprada de volta para São Paulo, sentei-me no balcão de uma lanchonete, enquanto comia um pão-de-queijo. Um sorriso parecia morar dentro de mim. Um sorriso profundo, um sentimento de plenitude. Eu tinha ensaiado algumas viagens na minha cabeça desde o início do ano. Pensava em ir pra praia, pensava em ir pro meio do mato, ficar sozinha, em silêncio. Organizar as coisas mentais que na rotina da metrópole não dou conta. Troquei todas as opções por um final de semana no Rio. Na capital da corte. A princípio, achei uma troca arriscada. Na rodoviária do Rio de Janeiro o sorriso profundo me mostrava que fiz a melhor escolha possível. Que eu entrei em uma bolha de amor e que eu fui abraçada amplamente por gente muito amada. Eu perguntava, assim, meio de bobeira, como fui parar ali. Como fui parar nesse tempo-espaço em que eu só conseguia assobiar que lar é qualquer lugar em que eu esteja com vocês.


No ônibus, ninguém acenava para mim. Tampouco em São Paulo alguém tinha acenado quando parti para o fim-de-semana. Em São Paulo, a bem da verdade, ninguém se despedia de ninguém na rodoviária, à uma da manhã. O setor de embarque jazia em um silêncio desolador, com uma luz meio turva. Pensei "Lá vou eu, viajar sozinha de novo". Lá fui eu, pegar o ônibus errado e ter que levar bronca da cobradora na minha primeira meia-hora de Rio de Janeiro e precisar ir a pé de Botafogo a Flamengo. Lá fui eu almoçar com amigos na livraria que conheci três anos atrás. Lá fui eu escutar de Carol que já nos conhecemos há doze anos e que, mesmo a sétima série C não sendo mais do lado da sétima série B, mesmo a gente não se encontrando no mezanino durante o recreio, conseguimos conversar sobre a vida como se não fizesse anos que perdemos o contato cotidiano. Lá fui eu lembrar que se não fosse por Carol eu talvez nunca teria me apaixonado por fotografia aos quinze, e talvez não conhecesse os amigos que me levavam para exposições com guardinhas mediadores de arte-educação. Lá fui eu conhecer pessoalmente meninas que habitam minha vida há mais de um ano. Lá fui eu gritar no ouvido de Alile a saudade que sinto e ganhar abraços de pessoas que há tanto eu esperava! E então eu fui e combinei com Brunna de voltar mais tarde para poder saber da vida dela, para poder colocá-la a par da minha. Se não fosse lá, não teria descoberto que Camila é sim uma querida.


Da janela do ônibus, eu via três pessoas acenando para alguém que voltava comigo. E lembrei das férias no interior. De como eu ia com meus avós mas quase sempre queria ficar mais e minhas primas me levavam dias depois para a rodoviária e eu, adolescente, as via acenando freneticamente para mim, sem vergonha alguma. Eu quase podia enxergá-las ali, no Rio de Janeiro, acenando para mim e me mostrando que toda história tem um começo. E que uma coisa que nunca estive dessa vez foi sozinha.




♫ Kid Foguete - Mostly Blue

13.4.15

estúpida, ridícula e frágil




Outro dia eu estava tentando lembrar como chamava aquela blogueira de look do dia que posta fotos com câmera podrinha. Tentei todas as buscas possíveis no Google. Era de "35mm fashion blogger" a "analog french outfit blogger" e nada. Não fosse Jayne lembrar que a moça se chama Jeanne Damas o mistério seguiria sem solução. Jeanne sai com seus amigos, aparece dentro de banheiras bonitas, frequenta a high society francesa, está em desfiles de moda, em eventos bacanas e opta por fotografar com a câmera analógica compacta. Cada vez que eu busco os filmes no laboratório, sinto-me a Jeanne Damas do Terceiro Mundo, sem receber um trocado por rolê, sem ter descoberto ainda meu melhor ângulo e sabendo que o ápice do glamour é combinar a roupa para patinar com os amigos. Como boa fotógrafa amadora, não é como se eu tivesse tempo para revelar os filmes tão logo os termino. Assim, não estranhem, mas isso tudo se passou entre novembro e dezembro do já longínquo ano 2014.














♫ Lito Barrientos - Cumbia en do menor

4.4.15

bodas de glitter



A Capitolina faz um ano. O que dá aquela sensação de "mas já?!" ao mesmo tempo em que nos faz pensar que, na real, estamos juntas há mais do que isso. A primeira publicação é sim de abril de 2014, mas as primeiras ideias e conversas de como seria tudo é mesmo da época em que eu ainda tinha 23 anos. Quando o primeiro vídeo surgiu, eu me perguntava quanto tempo levaria para eu conseguir associar caras a nomes. É muita menina envolvida na revista e ainda não nos conhecemos todas. Talvez nunca nos conheçamos ao vivo. Mas é curioso pensar que um grupo considerável delas sabe de coisas da minha vida que pessoas fisicamente mais próximas não sabem, é curioso pensar que eu sei a série favorita de uma, a cor de roupa que outra mais gosta, que a gente se encontra no metrô sem querer e se abraça e tira foto. Eu suspeito que cada uma de nós tem críticas e elogios a fazer ao projeto; eu, na real, desejo que sim, que a gente não acredite no hype, porque, no fundo, eu enxergo a Capitolina como a sincera percepção de que ninguém sabe 100% o que é ser uma adolescente, ninguém sabe o que é ser uma jovem adulta, ninguém tem respostas simples para nada. E por isso uma rede de pessoas que se aproximam e diferenciam em muitos pontos é a única forma justa para o conteúdo que a revista propõe.






Essas fotos tiramos num encontro meio aleatório que fizemos só por vontade de nos vermos, em outubro do ano passado. Estão só algumas das meninas, de São Paulo. Mas para comemorar o aniversário da Capitô, dias 11 e 12 tem piquenique no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Porto Alegre. :)



O que eu fiz por nos últimos doze meses

Artes
(x) Café com Maco
(x) Mulheres artistas: nem tudo é sofrimento
(x) Nise da Silveira e o Ateliê no Engenho de Dentro

Escola, Vestibular e Profissões
(x) As mulheres que comandam a ciência
(x) Garotas e relatos de guerra
(x) Muito bem, irmã sufragista!
(x) Verão do poder com Virginia, Clarissa, Sally e Rezia
(x) Profissão de homens e profissão de mulheres? Apenas: profissões

Esportes
(x) O impedimento do futebol feminino
(x) Movimento em 8 rodas: roller derby

Fotografia
(x) Quem não sou
(x) Nada é real
(x) Body art: o nascimento de uma tatuagem
(x) Como ser turista na própria cidade
(x) Onde estavam antes que eu estivesse

Texto que eu não soube que categoria seria
(x) Distúrbios do sono 

29.3.15

viagem ao centro de mim


Fazia tempo que eu não criava playlist quando Taís propôs o desafio "Minha vida em 10 músicas". Esses desafios são tão internet-moleque do começo dos anos 2000 que eu topei para lembrar um pouco a época em que conexão só de fim-de-semana e ocupando o telefone - uma época em que o celular era coisa rara, e maravilhosa se tinha o jogo da cobrinha. Chamei a playlist de egotrippin' porque, no caso, se trata mesmo de uma viagem para dentro de mim (o problema das egotrips, porém, é que tem gente que vai e meio que esquece de voltar; torçamos para que não seja o meu caso). O play tá logo aqui e as explicações vem a seguir.


Uma música que te lembre um momento bom
Love Today - Mika

O ano é 2010 e o evento é meu primeiro e único festival de música. O grande responsável por eu comprar o ingresso foi o cantor nascido no Líbano e criado na Inglaterra Mika. Eu e meus amigos chegamos meio cedo, comemos, demos uma volta pelo parque de diversões. Fomos para o palco e, aos poucos, fomos chegando perto da grade. O que para uma pessoa de 1m55 pode ser considerado o supra-sumo da sorte. Logo depois do show do Of Montreal, começou um buchicho na nossa frente, com equipes da produção. E de repente eu tinha sido uma das escolhidas (no caso a última) a poder dançar no palco com o Mika. Naquele momento as minhas definições de sorte foram atualizadas. É ridículo parar em cima de um palco usando uma máscara de coelho com um vestido de noiva que cabe duas de você? Talvez. Já superei esse momento da vida? Possivelmente não.

Uma música que defina a sua vida
Bárbara - Chico Buarque

A explicação para eu me chamar Bárbara vem da música composta por Chico Buarque. Além dessa, ele também compôs "Cala a boca, Bárbara", ambas para a peça Calabar. Cada vez que escuto e que penso na letra, sinto que há, sim, muito de mim nela e dela em mim. Peguei pesado e coloquei a versão ao vivo de Chico com Caetano.

Uma música que te faz dançar na balada
Lisztomania - Phoenix

Talvez 2010 tenha sido um grande ano para minhas descobertas musicais porque, desde lá até hoje, cada vez que ouço essa música do Phoenix nas baladas da vida, eu danço loucamente e não duvido que já tenha gritado uma ou outra vez ~minha música~ no meio da pista.

Uma música que foi tema de algum relacionamento
A minha menina - Os Mutantes

Eu sei que a ideia é relacionamento amoroso e blablablá, mas eu vou pegar o primeiro desvio logo depois da rotatória e falar que essa é a música que sempre me faz pensar em Brunna. E me aquece o coraçãozim lembrar que já pudemos ouvi-la ao vivo tanto com uma formação d'Os Mutantes, como com o Jorge Ben Jor cantando no parque.

E vou dizer pra todo mundo
Como gosto dela

Uma música que sempre te faz chorar
Por enquanto - Cássia Eller

Não é como se eu chorasse ouvindo alguma música, mas não é como se eu não tivesse que me segurar um pouco para evitar lágrimas com essa daí. Eu vivo fazendo piadinha começando com o refrão "Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar..." porque passamos a vida chegando a acreditar em altas coisas que apenas não acontecem ["Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar / que ia dormir oito horas por noite depois de formados"]. Mas essa versão de Acústico Cássia Eller configura um tipo de covardia.

Uma música que seria toque do seu celular
Bucky Done Gun - M.I.A.

Toque de celular para mim é um troço que nem existe de tão incômoda. Fingindo que eu seria capaz de superar isso, acho que o toque ideal no momento seria M.I.A. O problema, porém, seria não atender por estar muito ocupada curtindo o batidão.

Uma música que você gostaria de tatuar
Cactus tree, Joni Mitchell

Precisa explicar o óbvio ou pulamos pra próxima faixa? Joni Mitchell é uma pessoa que eu gostaria de tatuar em mim, sim. A obra inteira, as entrevistas. Daí ela inventou de ter essa música chamada Cactus tree, do seu primeiro álbum, de 1968. A letra conta a história de uma mulher que está ocupada sendo livre enquanto homens a buscam através de montanhas, rios, por cartas. Ela os ama quando os vê, mas eles a perdem quando a seguem. O coração dela está cheio e oco, como o cacto. Um dia, caí num texto da Rookie que falava sobre a Joni e a autora passa uns bons parágrafos falando exatamente dessa música. A análise foca em como o fato de "estar ocupada sendo livre" não faz a personagem exatamente feliz. Essa música e "Bárbara" poderiam dar as mãos e sair pelo mundo explicando a minha existência até o presente momento.

Uma música que te deixa com vontade de ficar com alguém
Seres extraños - Perota Chingó

Não tenho paciência para relacionamentos caóticos (o que não quer dizer que não tropece e me esborrache neles até conseguir levantar e falar "opa, caótico pa' caramba") e nesses tempos essa música da banda Perotá Chingó tem me passado a sensação de que é isso. Dar amor e receber amor, bem simples, bem de buenas.

Uma música que você está viciada agora
These Days - Nico

Questões. Apenas muitas questões. E silêncio. E o caminho que essa música fez para chegar até mim.

Uma música que faz as pessoas lembrarem de você
Pies descalzos, sueños blancos - Shakira

É da fase morena da jovem Shakira em espanhol, mas espero que na verdade lembrem de mim com qualquer Shakira, com qualquer cabelo, em qualquer idioma, com dancinha de quadril ou com o violão em versão acústica. Só isso.