segunda-feira, 13 de março de 2017

uma cidade a cantar




Três dias no Rio de Janeiro no começo do ano e todas as fotos tiradas com celular e em preto-e-branco. Parecia um tipo novo de heresia, o de tirar a cor dos trópicos efervescentes da cidade. Para compensar, enchi-me de vários outros estereótipos. Teve a fatídica cerveja e depois uma cachaça na Lapa (prometidas por Taís há cerca de dois anos ou mais), show do Metá Metá no Circo Voador. A hospedagem dava vista pro Maracanã e pro morro da Mangueira, o que me obrigou a cantarolar quase diariamente meu samba-enredo favorito da verde-e-rosa. Teve mate com limão no Leme, teve pré-carnaval no aterro do Flamengo. Ana Paula me levou para comer no restaurante favorito de Getúlio Vargas, ali pelo Largo do Machado. Graças a uma curiosidade tétrica minha, Ana ainda precisou visitar o quarto do véio, ver o pijama ensanguentado e até a bala que matou GV. Tantos anos de faculdade de História ouvindo críticas a essa museografia que não quis deixar pra outra hora. Até porque, de tudo que não vivi, a única coisa de que tenho saudade é do Rio de Janeiro capital federal. Pra tirar um sarro, chamo a cidade de capital da corte; mas confesso que fico imaginando os usos do Real Gabinete Português de Leitura nos idos do século XIX. Depois dessas fotos em preto-e-branco ainda fiquei uma semana ouvindo bossa nova sem parar. Tá pago o pecado.



terça-feira, 7 de março de 2017

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

metáfora nenhuma



Esboço poemas à beira do mar mas todos soam patéticos. Desisto, deito na canga. O calor de janeiro faz minha pele brilhar bonita, mas fica quente demais e eu corro ao encontro do mar. Uma água igualmente quente me alivia as quenturas. Junto à canga, um livro, minha mochila, ali, sozinhos. A praia em dia de semana, um ou outro surfista que anunciam, sem palavras, que aquele mar não era pra mim. Uma força desconhecida formava ondas e espumas constantes. E não era pra mim? Meto a cabeça dentro delas, testo a minha e não a sua força. Pareço forte. Não muito. Forte prudente. Porque talvez sorrio quando canso e deixo meu corpo ser levado ao raso. Afasto o sal dos olhos. Capaz que sorria outra vez. Não sei. Eu mesma estava só, ninguém que não eu registrava cada momento. Se for mentira as duas trilhas que fiz, as conversas com os desconhecidos que dividiam comigo quarto, banheiro. Se for mentira o sono cansado e as homéricas - quixotescas, na verdade - lutas contra os mosquitos pela madrugada adentro, a noite escura e os rostos invisíveis que conversavam comigo naquele domingo, o caminhar no acostamento da estrada em outra noite igualmente escura (era semana de lua nova). Penso em mais três ou quatro versos que me lembram de amores e cicatrizes mas não os anoto. Tem hora que metáfora nenhuma dá conta e eu só penso a coisa mesma. Algo como "que bom que acordei tão cedo e cruzei o rio, o nascer do sol é sempre lindo no mar". Lembro de amores imediatos, como os raios solares queimando minha pele, e lembro das cicatrizes que se formariam com as feridas das picadas dos mosquitos. Eu, ali, tão só que parecia destituída de um eu. Sozinha, enfim.











quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

a melhor parte de mim


Todo dia 26 de janeiro é aquilo. Eu vou dormir no dia 25 meio tensa pensando em como o tempo é implacável e passa levando a todos nós. Faço algum tipo de balanço mental, me pergunto se era aqui mesmo que eu queria estar na minha vida e os resultados variam consideravelmente de ano para ano. Ao vinte-e-sete anos, querendo ou não, estou em algum lugar da vida e com algumas ressalvas não há o que reclamar.

Eu tenho um receio de que ninguém apareça à comemoração, penso que todos viajam no verão (na época da escola sempre parecia que sim, e só eu estava em São Paulo perto da volta às aulas), que ninguém aguenta mais sentar no chão pra fazer piquenique. Mas então as pessoas aparecem e eu tenho algum tipo de confirmação mental de que a melhor parte de mim vive fora de mim e são esse amigos que se fazem presentes (ainda que não estejam no dia). Se é mesmo implacável o tempo, que sorte que me leve com essas pessoas.






















As fotos da festa ficaram ótimas e foram tiradas pelo Lucas

2012 || 2013 || 2014 || 2015 || 2016

E a música que Vinícius me mandou de presente