segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

no jardim elétrico


O último aniversário da década dos vinte. Não tem nada a ver com a celebração em si, que foi já há um mês, mas esses tempos precisei desocupar a casa onde cresci, onde passei grande parte da minha infância e adolescência. Na idade adulta, a casa era quase que só um dormitório, com minhas horas divididas quase todas entre trabalho e faculdade. Ainda assim, ela nunca deixou de ser importante para mim, uma parte minha. E, nessas de mexer em vestígios do passado, em cadernos que um estado perene de solidão me ajudaram a preencher, em fotos de épocas passadas, em lembranças, enfim, de todas as ordens, que eu pude pensar como gosto de quem me tornei.

É que não é uma conclusão fácil a se chegar. Porque é difícil parar e pensar em quem a gente tem se tornado e conseguir, em momentos tão complicados, olhar com calma e bondade ao nosso redor. E é também complicado porque eu gosto de me cobrar bastante e posso de vez em quando pensar que estou falhando ao tentar equilibrar as coisas. É o trabalho, o mestrado, os amigos, o namoro, a casa, o basquete, a família... E, mesmo falhando, parece que está tudo bem. Tá tudo bem que as coisas estejam capengando e a gente esteja procurando formas de melhorá-las. Tá tudo bem que a gente quase nunca esteja juntos mas sabemos que estamos por aí. Aos 29 anos, eu queria estar exatamente aqui e com vocês, mesmo que nunca tenha pensado sobre isso antes.

28 // 27 // 26 // 25 // 24 // 23 // 22 














segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

i wasn't looking to change, i'll never be the same


Um pouco mais de gente e um pouco menos de paisagem das férias, que estavam no filme da câmera. Essas foram tiradas com uma Olympus MJU II; derradeiras, porque em seguida ela parou de funcionar. Essas daqui foram tiradas no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, em Brasília e as últimas do filme são de São Paulo (pra acabar o filme curtindo o fim de férias passeando na própria cidade).

As outras fotos das férias ficaram aqui.














segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

o espírito da gente é cavalo que escolhe estrada


Foram duas câmeras analógicas, 20 dias e cinco cidades. Saí de São Paulo para o Rio de Janeiro, de lá, com a Brunna, pra Cordisburgo, depois Diamantina, de volta a Belo Horizonte e uns dias em Brasília. Na mala, além das roupas e das câmeras, um exemplar que comprei de um homem na rua de "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa. A ida para Cordisburgo e Diamantina tinha a ver com o trajeto de Riobaldo no livro. A vontade era chegar até Januária, mas o tempo curto não ajudava. Terminei a obra em uma folga nos últimos dias do ano, tendo que parar inúmeras vezes para pensar "eita, que história bonita". Eu já sabia o final e ainda assim consegui me emocionar.

Aqui estão as fotos de Cordisburgo, Diamantina e Brasília tiradas com a Olympus Trip 35.















quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

2018 em 10 filmes

Parar para fazer uma lista com os filmes que mais gostei de ver em 2018. Passar horas, dias, na verdade, pensando naqueles que me marcaram mesmo, que anos depois vou querer usar como exemplo, dizer "tem um filme que fala bem disso". E, com a lista pronta, pensar o que cada um deles fala para nós do nosso mundo e sobre mim e meu mundo.


Cabaret (Dir: Bob Fosse, EUA, 1972) e Noites de Cabíria (Dir: Federico Fellini, Itália, 1957) são os clássicos da lista, mas não tem quase nada em comum. Cabaret foi amor à primeira vista quando assisti, e não tenho vergonha nenhuma de dizer que, amante de musicais que sou, meti um bocado das canções do filme na minha playlist para andar de bicicleta. A ascensão do nazismo na Alemanha contrastada pela vida de Sally Bowles, papel interpretado por Liza Minelli, e vivenciada dentro de um cabaré me fez pensar em como incomodam os corpos ingovernáveis. Os comentários e preâmbulos do bizarro mestre de cerimônias interpretado por John Grey reforçam no filme as tensões com as quais todos que estão fora da ordem precisam lidar. Noites de Cabíria tem uma protagonista tão carismática quanto Sally, com um percurso igualmente conturbado, mas com um olhar muito mais ingênuo perante a vida. O filme também reafirmou na minha vida o fato de eu ainda não ter visto um filme do Fellini de que não tenha gostado. Melhor assim.


Atores e não-atores contracenando provavelmente é a característica comum dos filmes Arábia (Dir: Affonso Uchoa & João Dumans, Brasil, 2017) e Era o Hotel Cambridge (Dir: Eliane Caffé, Brasil, 2016) mais evidente. Enquanto um percorre os espaços de uma ocupação no centro da cidade de São Paulo, em que brasileiros e refugiados convivem ao mesmo tempo em que constróem a urgente luta por moradia (e, portanto, pelo direito à cidade), Arábia percorre espaços interioranos de Minas Gerais e São Paulo para contar a história de Cristiano e suas andanças como trabalhador da roça e da indústria. Os dois filmes são ficcionais, embora em Era o Hotel Cambridge a fronteira que o separa do documentário seja muito sutil.


Se eu pudesse votar na Academia do Oscar, Visages, Villages (Dir: Agnès Varda & JR, França, 2017) e Projeto Flórida (Dir: Sean Baker, EUA, 2017) seriam talvez os votos mais fáceis que eu teria dado na vida. Ao mostrar um mundo em que muitas vezes é difícil de habitar - e quantas vezes a gente passou por esse pensamento em 2018? - os dois filmes conferem uma dignidade a seus personagens através da imaginação. Se há coisas insuportáveis pelas quais as pessoas estão sujeitas a passar em um mundo de exploração e especulação, a leveza mora em criar novas imagens desse mundo, seja para transformá-lo, seja para suportá-lo. A forma como Agnés Varda conta histórias me encanta e Sean Baker já tinha me ganhado no seu longa-metragem gravado com celular chamado Tangerine


Ex-Pajé (Dir: Luiz Bolognesi, Brasil, 2018) Infiltrado na Klan (Dir: Spike Lee, EUA, 2018) tratam de questões reais, mas tão reais, que causam uma perturbação tremenda. Assuntos que remetem a séculos passados, como a doutrinação cristã de indígenas no Brasil e a perseguição racista a descendentes de africanos na América, ganham nessas obras uma atualidade incontornável. Os filmes, por mais que gerem um mal-estar, me pareceram tecnicamente precisos, contam bem as suas histórias, inovam na linguagem e Spike Lee ainda nos oferece de lambuja uma baita trilha sonora além das referências aos anos 1970. Se um alienígena me perguntasse que filmes nacional e estrangeiro ele deveria ver para sacar o que tá acontecendo em 2018 por aqui, essas seriam minhas indicações (provavelmente antes de indicar os filmes, eu diria "pô, cara, é isso mesmo que você quer pra você?").


As três vezes que assisti a filmes do Koreeda (Pais e Filhos, Depois da Tempestade e mais recentemente Assunto de família (Dir: Hirokazu Koreeda, Japão, 2018)) eu tive uma sensação muito agradável de ser apresentada a uma cultura diferente por um caminho que não era o da idealização ou dos clichês que representam aquela cultura no senso comum. Via de regra, nos filmes dele há um clima gostoso enquanto boas histórias são contadas e há personagens que parecem desajustados à sociedade japonesa em que habitam. Em Assunto de família isso é ainda mais evidente, tanto no lance da história que está sendo contada ser ótima quanto nos personagens bem construídos e com morais conflitantes. Wajib - Um convite de casamento (Dir: Annemarie Jacir, Palestina, 2017) é um filme de uma diretora palestina que percorre relações familiares e sociais enquanto pai e filho distribuem convites de casamento da filha de Abu Shadi. Ao contrário de outros filmes que enfocam os conflitos na região, Wajib apresenta seu ponto-de-vista palestino, seja através do choque e do encontro de gerações seja na existência de uma maioria de ascendência árabe na cidade de Nazaré, a partir de uma efeméride como uma festa de casamento.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

donas-de-casa futuristas



O cartão de Natal de 2018 lá de casa foi inspirado em antigos futurismos e feito com ilustração da Ina.


2016 // 2017