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10.9.14

documentando o concretizado



A essa altura, já deu tempo de quase todo mundo que passa por aqui descobrir e ler a Juno. Ainda assim, ela é muito garota dos meus olhos (e de Stephanie e Lucas) para deixar de mencionar esse projeto. Nascida como trabalho de conclusão de curso da jovem Noelle, a revista me permitiu momentos de intensa alegria. A começar por estar nisso com dois grandes amigos, a Stephanie como editora-chefe, o Lucas como guru da diagramação e eu fazendo uma pontinha como editora-assistente-com-megalomania. Quando sugeri pro time o nome da revista, tinha em mente algumas coisas:
  1. o nosso prazo ser o mês de junho; 
  2. na mitologia romana, Juno é casada com Júpiter, o planeta regente da Stephanie;
  3. também conhecida como a deusa Hera, na mitologia grega, Juno é rainha dos deuses e protetora das mulheres em Roma (e vez ou outra pode mandar uns semi-deuses darem uma voltinha realizando doze trabalhos por aí).



Ao longo de quarenta e poucos dias, Juno foi tomando forma - linda com conteúdos igualmente lindos - e eu ainda desacredito em como tudo deu tão certo e juntou gente tão admirável. Graças à Juno, conheci a Larissa Felsen (fotógrafa do ensaio de capa), perguntei o que queria pra queridona que é a Ivi. E é Bela Gil falando de hábitos alimentares saudáveis, duas maquiadoras reconhecidas batendo um papo como boas amigas, Juliana de Faria - do Think Olga - mandando bem sobre não precisarmos ter medo de feminismo, e duas das meninas do GWS, a Nuta e a Carol, falando sobre roller derby e as culpas sobre os corpos das mulheres. Pra completar o pacote, todo o espírito do projeto foi muito bem sintetizado na coluna "Quer ser linda? Pergunte-me como" de Vivi Whiteman. Gratidão a todo mundo que de algum modo se envolveu nesse primeiro passo de Juno.


Sobre Juno, eu já falei muito e Sté já falou quase tudo, mas ainda cabe deixar o vídeo com imagens dos bastidores.


Na toada "lugares cheios de gente maravilhosa que eu adoro estar junto", temos a Revista Capitolina. Já falei dela aqui outras vezes, mas, por motivos de precisar arrumar minha vida, fiquei um tempo sem escrever por lá. Qualquer pessoa que já tenha entrado no meu quarto, porém, sabe da inviabilidade do projeto arrumação-de-qualquer-coisa empreendido por mim. E qualquer pessoa que frequentou minha vida no último ano sabe que é amor isso que sinto por Capitô. Para o tema "Corpo", rolou um ensaio com o nascimento da tatuagem de Vivian, feita pelo Diz. Já para o tema "Viagem", me meti a andar por São Paulo como se fosse turista na minha própria cidade. Para a seção de Escola, Vestibular e Profissões, colaborei com um texto sobre garotas e seus relatos de guerra.


Por último, mas não menos importante (mas também não mais importante), a nova edição da Revista do IEB sana dúvida de quem se pergunta o que eu fiz durante os anos de 2011 e 2013, com um texto acadêmico que escrevi sobre arquivística. O artigo Vanguardas documentadas: o concretismo de Theon Spanudis é sobre os desafios e as descobertas que eu fiz trabalhando como estagiária no Arquivo do Instituto de Estudos Brasileiros da USP por quase dois anos da minha graduação. Meu texto é bem específico, mas garanto que ali no meio há artigos bem interessantes para pensar o Brasil.

3.9.14

à força de conhecer

just there

O passeio chegava ao fim quando começamos a conversar sobre política argentina com um homem da província vizinha. Comentamos com ele como nos sentimos aliens ao pleitear eleições para reitor, ainda que saibamos que no seu país essa é uma conquista histórica há quase cem anos. Com um ar de sábio que cruza o caminho dos jovens aventureiros (pra não mencionar o Mestre dos Magos em texto sério), ele disse algo como a importância do intercâmbio para mostrar outras realidades possíveis.

Quando estudei na Argentina, resolvi fazer meu trabalho final de História sobre a questão da autonomia universitária na Universidad Nacional del Litoral (instituição que me recebeu) e a ditadura militar. Logo no começo do trabalho, coloquei uma citação do historiador francês Fernand Braudel pra justificar a escolha do meu objeto de estudo:
"Se alguém passar um ano em Londres, o mais provável é chegar a conhecer muito mal a Inglaterra. Mas, por comparação, à luz de surpresas experimentadas, compreenderá bruscamente alguns dos traços mais profundos e originais do seu próprio país, aqueles que se não conhecem à força de conhecê-los."
Durante meus anos na USP passei por duas grandes greves em que as pautas vinham das mais diferentes perspectivas políticas mas convergiam a um problema de estrutura da universidade. Agora assisto a uma distância considerável a situação de uma universidade em impasses graves de gestão. Eu meio que agradeço por ter conseguido me formar antes de estourar a crise, mas dá um desgosto tremendo acompanhar como avançam pouco os diálogos e as soluções. Quando falamos em votar para reitor, falávamos sobre repensar a participação, que é falha em muitos aspectos (e não só no que tange aos poucos professores que podem votar para reitor, mas também em quem são os alunos que participam dos processos internos na universidade). No caso argentino, por exemplo, os ex-alunos podem votar e participar da gestão universitária, o que, querendo ou não, expande a ideia de comunidade universitária.

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A criação da universidade no Brasil e na Argentina tem trajetórias muito diferentes. Lá, é uma instituição que já existia na época da colônia e que teve sua mais importante reforma em 1918 (enquanto a USP só foi criada em 1935). A defesa de uma autonomia universitária e do ingresso livre são já temas bem-resolvidos e, estudando as intervenções que a UNL sofreu no século XX, dá pra entender como era complicada a nomeação de reitor por autoridades externas à administração universitária. Às vezes eu sinto que no Brasil a instituição universitária tem uma baita dificuldade de se mostrar como um espaço legítimo de elaboração do pensamento crítico e de transformação social; a hipótese que levanto é a mais banal do mundo: se a universidade reproduz desigualdades de maneira tão visível, não é difícil imaginar que os que estão fora dela, vindos de camadas sociais mais baixas e tendo que pagar por ensino superior, apoiem propostas de cobrança de mensalidade. (Os de classes mais altas que têm essas ideias são, a meu ver, só liberais mesmo).

Passei cinco anos dentro da USP e não consigo saber o quê e em que sentido as coisas mudaram por ali. Não me sinto confortável pensando que nada mudou ou que nada mudará e, ao mesmo tempo, me aflijo analisando certas posições em que as pessoas mais próximas de alterar algo não tem disposição, vontade ou voz o bastante para isso. Para as pessoas de fora dos muros, lamento dizer aos colegas intra-muros, é como se nada estivesse acontecendo. (mas por ora me contento em terminar esse texto com a percepção de que, ainda que a universidade não mude suas estruturas de representação e participação, a democracia que é esse jeito caótico de lidar com o outro na política, também é a forma mais eficiente de incluir as diferenças nos espaços públicos)

[Fabiana Jardim, que tem mais clareza e tempo de USP do que eu, escreveu uma boa análise da situação no texto Chutando a escada (ou: seis notas sobre a greve na USP)]

28.8.14

what's the buzz?


Eu e Eduardo nos conhecemos há um bom tempo, em uma época imemoriável em que ele havia conseguido o primeiro papel dele no teatro (como protagonista, por um acaso) e eu encerrava minha participação escolar atuando como contra-regra na peça do ano. Muito bom voltar a meio que dividir um palco imaginário com ele para fazer essas fotos.


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du




eduardo
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♫ Jesus Cristo Superstar - What's The Buzz

21.8.14

all winter's cold can't stop me


As fotos são de maio e junho. Rola uma comoção quando tiro a câmera dos anos 1990 e registro esses momentos lindos com essas pessoas queridas em filme. Daí, todo mundo respira fundo, conta até dez e controla a própria ansiedade esperando o momento em que poderei revelar o filme e trazer a beleza ao convívio comum. Tem choconhaque na casa de Marina, hambúrguer vegetariano depois da peça de Vinicius e Artur, comida colombiana depois de jogo da Copa com amigas encontradas sem combinar e a Juno sendo apresentada ao mundo no aniversário de Lucas.






♫ Dionne Bromfield - Ain't No Mountain High Enough